"Motorista tem que levar um litrão para fazer xixi dentro", diz presidente da Sitracover

Foto: Beto Albert (Diário/Arquivo)

Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade! da rádio CDN (93,5 FM) na manhã desta quarta-feira (23), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Condutores de Veículos Rodoviários de Santa Maria e Região) (Sitracover), Rogério Costa, afirmou que está analisando detalhadamente o novo edital de licitação do transporte público e pode contestá-lo judicialmente. O sindicalista levantou preocupações que vão desde a pontualidade no reajuste salarial até as condições de trabalho da categoria, que segundo ele, são precárias.


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A entidade encaminhou o edital para seu departamento jurídico. A promessa é de uma análise minuciosa do documento que definirá as regras do transporte pelos próximos 20 anos.


– Se houver qualquer questão ali que toque na questão dos trabalhadores, nós vamos contestar o edital - declarou Rogério. 


Atrasos no dissídio e a ameaça de novas paralisações

No dia 30 de junho passageiros foram pegos de surpresa com a paralisação parcial dos ônibus em pleno horário de picoFoto: Rian Lacerda (Diário)

O ponto mais crítico para o sindicato é o ciclo de atrasos no reajuste salarial, que se tornou recorrente. Com data-base em 1º de fevereiro, a negociação de 2025 só foi concluída na última semana, após cinco meses e até paralisações no centro de Santa Maria. Rogério afirma que essa prática não será tolerada no novo contrato.


– Não é, digamos assim, uma ameaça, mas nós não vamos deixar para fechar a empresa para fazer paralisação 5 meses depois - afirmou o presidente. 


Ele atribui os atrasos ao modelo de subsídio adotado pela prefeitura, que segundo ele, gerou incertezas no repasse dos valores às empresas, impactando diretamente a negociação com os trabalhadores.


"Um número expressivo de motoristas adoentados"

Foto: Beto Albert (Diário/Arquivo))

Além da questão salarial, o sindicato cobra que o novo edital garanta melhorias diretas na qualidade de vida dos trabalhadores. Rogério descreveu uma rotina de escalas apertadas e falta de estrutura básica nos pontos finais das linhas, citando a ausência de banheiros e locais adequados para refeições. A situação, segundo ele, leva a cenários degradantes.


– Já foi dito que tem alguns pontos e horários apertados que o motorista, às vezes, tem que levar um litrão de Coca-Cola para fazer xixi dentro porque não tem local para fazer as suas necessidades - relatou.


O sindicato também questiona se o novo contrato exigirá ônibus com itens de ergonomia, como bancos adequados e motores traseiros para reduzir o ruído e o calor na cabine. Para Costa, a soma desses fatores resulta em um "número muito expressivo de motoristas adoentados".


O receio com "empresas de fora"

A possibilidade de novas empresas vencerem a licitação também é vista com preocupação. O presidente do sindicato citou exemplos negativos em cidades como Rio Grande, Novo Hamburgo e Sapucaia do Sul, onde empresas de outras regiões teriam, segundo ele, gerado problemas trabalhistas após vencerem as concorrências.


– Nós temos que também nos preocupar quem vai vir, porque se ganha uma empresinha pequena que não tem condição, nós vamos começar a ter problema de depósito de fundo de garantia, de pagamento de rescisão - argumentou.


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