Foto: Vinicius Becker (Diário)
Há 25 anos dando vida ao Guri de Uruguaiana, o humorista Jair Kobe afirmou, na última quinta-feira (23), no programa Saiba Mais, da Rádio CDN, que o sucesso do personagem está diretamente ligado à capacidade de se reinventar sem perder a essência. Em entrevista antes de se apresentar no Theatro Treze de Maio, em Santa Maria, ele destacou que o seu humor acompanha as mudanças do público, das redes sociais e das novas tecnologias, mas mantém como principal característica a valorização da cultura gaúcha.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
O artista esteve na cidade para apresentar, pela primeira vez no interior do Estado, o espetáculo "Stand-up do Guri", um formato de espetáculo que ganhou força nos últimos anos, em que o personagem conduz sozinho a apresentação com histórias, piadas e interação com o público, além de incluir paródias musicais.
— Eu estou acostumado a fazer show com um monte de bailarino, música ao vivo. E como eu não sou de ficar por fora da moda... A gente transforma o palco num cenário muito bacana, com cortinas, luzes de neon, como se estivesse num comedy club. E o texto, o roteiro, é mais centralizado, como se fosse um stand-up mesmo, uma luz branca, é microfonezinho. A gente está há 25 anos se reinventando, porque realmente a mídia vai mudando, o público vai mudando e tu tens que ir te adequando. Esse show é um modelo novo. Também tem as mídias sociais; agora tem a inteligência artificial fazendo loucuras. A gente precisa acompanhar tudo isso — afirmou o humorista.
Personagem nasceu de uma brincadeira
Segundo Kobi, o Guri de Uruguaiana surgiu quase por acaso. O personagem nasceu após uma paródia da música "Guri", clássico gaúcho do cantor uruguaianense César Passarinho. Quando passou a participar da televisão, ele precisou criar uma identidade definitiva.
— Eu fiz uma paródia da música Guri. Quando fui para a televisão, precisava dar um nome para o personagem. Daí surgiu o Guri de Uruguaiana. Deu super certo e estamos aí há 25 anos — relembrou o artista.
Antes do humor, Jair Kobe construiu trajetória na música nativista, participando de festivais tradicionais como a Califórnia da Canção e integrando o grupo vocal Canto Livre, experiência que, segundo ele, ajudou a formar a identidade do personagem.
"A valorização da cultura gaúcha é o mote do personagem"
Questionado sobre o que jamais mudaria no Guri de Uruguaiana, Kobe foi direto: a defesa das tradições do Estado.
— A valorização da cultura gaúcha. Isso é o mote do personagem. Através da música, da dança, dos CTGs, dos festivais, eu estou constantemente falando da importância disso — reforça o artista.
O humorista também aproveitou para fazer uma crítica à organização de grandes eventos, defendendo maior espaço para artistas locais.
— Esses eventos acabam contratando artistas nacionais, pagando uma fortuna e dando visibilidade para eles, enquanto os artistas gaúchos, muitas vezes, não recebem o mesmo espaço. Sempre que tenho oportunidade, converso sobre isso com empresários, organizadores e políticos. É uma luta que vem de muito tempo — afirma.
Humor que acompanha as mudanças
Além dos palcos, o humorista também investe na produção de conteúdo para diferentes plataformas, além de participações em jornais e rádios. Ele apresenta o podcast semanal chamado MateCast, criado em 2022, em que o Guri de Uruguaiana conversa de forma descontraída com diversos artistas, músicos, criadores de conteúdo e celebridades. Mas o personagem reforça o fato de que é necessário estar sempre conectado com as mudanças de consumo do público.
— O conteúdo acaba circulando entre todas essas plataformas e temos que estar ligados no que está acontecendo. Hoje, por exemplo, vamos falar de inteligência artificial, das harmonizações faciais, dessas coisas que estão acontecendo agora. O humor precisa conversar com o momento que as pessoas estão vivendo — destacou.
Nas redes sociais, uma das apostas mais recentes do humorista são as entrevistas fictícias produzidas com inteligência artificial. Segundo Kobe, a ideia surgiu após a notícia de que o ator americano Brad Pitt supostamente viria até o Rio Grande do Sul.
– A gente resolveu entrevistar o Brad Pitt quando ele "veio" para o Sul. Foi um sucesso, deu 2 milhões de visualizações no Instagram. Ali a gente percebeu que o pessoal gosta muito desse tipo de brincadeira – contou.
Depois vieram entrevistas fictícias com nomes como a cantora colombiana Shakira, Erling Haaland, jogador da Noruega, e, mais recentemente, o argentino Lionel Messi.
Apesar do sucesso, o humorista diz que os vídeos também servem para alertar sobre os limites da tecnologia.
— Tem dado muito certo, mas eu vou te dizer: serve de alerta para todo mundo, porque, quando tu vê uma bobagem dessas, tu percebe o quão sujeitos nós estamos a essa inteligência artificial. Mas eu já avisei à patroa Sílvia Helena que, se aparecer alguma foto minha aí beijando uma guria, é IA, falei pra ela. Chê, eu tô tranquilo – brincou usando o linguajar do personagem.
Carinho pelo público
Mesmo após mais de três mil apresentações, Jair Kobe afirma que faz questão de manter o contato direto com os fãs.
— Tem que ter esse carinho com o público. No teatro ou em eventos com milhares de pessoas, eu fico tirando foto enquanto tiver fila. Isso é fundamental — afirmou.
Ao falar da apresentação em Santa Maria, o humorista destacou o retorno ao Theatro Treze de Maio.
— Estou muito feliz de voltar. É um teatro sensacional e sempre é muito prazeroso estar em Santa Maria — finalizou o humorista.
E, antes da despedida, a reportagem não perdeu a oportunidade de fazer a pergunta que há décadas acompanha o personagem: "Guri de Uruguaiana, onde fica o Alegrete?"
A resposta veio no melhor estilo do humorista:
— Mas, chê! Eu nem vou te responder. Não me pergunta onde fica o Alegrete!
Confira a participação do Guri de Uruguaiana no programa Saiba Mais: