"Foi uma campanha muito ruim, peço desculpas ao torcedor": presidente do Inter-SM detalha motivos da queda no Gauchão 2026

Colaboração de Alexandre La Bella

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Pedro Della Pasqua concedeu entrevista ao programa Papo D Esporte, da Rádio CDN

Após o empate em 1 a 1 com o Monsoon no sábado (28), válido pelo quadrangular do rebaixamento e a confirmação de que voltará a jogar a Divisão de Acesso em 2027, o presidente do Inter-SM, Pedro Della Pasqua, em entrevista ao ​Papo de Esporte, da Rádio CDN, pediu desculpas ao torcedor e apontou limitações financeiras, dificuldades na montagem do elenco e problemas físicos como fatores determinantes para a queda do Alvirrubro

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Foi uma campanha muito ruim, não conseguimos dar alegria para o torcedor. Não conseguimos manter o Internacional na primeira divisão, peço desculpas pela decepção – declarou.


Campanha abaixo e limitações financeiras

Della Pasqua reconheceu que o time ficou abaixo do necessário para permanecer na elite. Segundo ele, o desempenho dentro de campo não atingiu o nível exigido pela competição e os resultados acabaram refletindo essa diferença técnica ao longo do campeonato.

O time ficou aquém. Faltou qualidade. Não posso falar só em azar ou detalhe. Muitas vezes o detalhe nos desfavoreceu pela qualidade – afirmou.

Segundo o presidente, as dificuldades financeiras foram determinantes. O Inter-SM foi o único clube da Série A do Gauchão que não recebeu a cota da Federação Gaúcha de Futebol, por conta de penhoras judiciais.

– Foi R$ 1 milhão que não entrou. Tínhamos R$ 1 milhão a menos que todos os clubes – explicou.

Além disso, o clube investiu cerca de R$ 500 mil em obras para adequar o Estádio Presidente Vargas, valor que impactou diretamente o orçamento do futebol. Hoje, segundo ele, o Inter-SM ainda deve cerca de R$ 700 mil, após quitar aproximadamente 50 ações trabalhistas ao longo da gestão.

– A conta nunca fechou. Para fazer um Gauchão competitivo, precisamos de pelo menos R$ 3,5 milhões – ressaltou.


Dificuldade para contratar e lesões

O presidente também apontou dificuldades para montar o elenco. Sem calendário após o Gauchão, o clube perdeu jogadores para equipes que disputariam competições até o fim do ano.

– O atleta prefere estabilidade. Ele sabia que aqui estaria desempregado em março – elucidou.

Além disso, o time enfrentou uma série de lesões ainda na pré-temporada. Jarro e Mossoró, destaques do acesso, começaram o campeonato machucados. Rodrigo Augusto, Ruan e Tairone também tiveram problemas físicos.

– Então, para uma equipe que tem um plantel curto como o nosso, é difícil manter a qualidade entre dois jogadores da mesma posição com o mesmo nível – disse.


Troca de técnicos e pressão

Della Pasqua admitiu que a saída de Bruno Coutinho marcou o início da queda de rendimento.

Acho que começamos a cair a partir dali. Mas ele se inviabilizou com a torcida e a imprensa e sucumbiu à pressão. Eu trocaria novamente – declarou.

Wiliam Campos foi contratado por conhecer tanto campeonato e o Guarany de Bagé, adversário direto do Inter-SM no quadrangular, quanto o elenco Alvirrubro. Segundo o presidente, havia poucas opções disponíveis no mercado naquele momento.

– Era o treinador que nós tínhamos disponível naquele momento para assumir. Estava próximo, conhecia o campeonato e tínhamos dois jogos contra o ex-clube dele, o clube que ele ajudou a montar o elenco. Pareceu muito propício trazer o Wiliam para neutralizar as ações do Guarany, um grupo que lhe pertencia, e não surtiu efeito – afirmou.

Antes de definir a chegada de Wiliam Campos, o clube cogitou outras alternativas no mercado. Segundo o presidente, houve contatos com treinadores que estavam empregados e não foram liberados, o que reduziu as possibilidades naquele momento.

Fiz contato com o Maninho (Fabiano Daitx), que está no Gaúcho, não foi liberado. O Gilson (Maciel), do Brasil Pelotas, não foi liberado. Thiago Gomes, que treinava o São José nas temporadas de 2023 e 2024, também. Então não tínhamos também um leque grande de possibilidades – esclareceu.


Debate sobre o gramado e exigências da FGF

Alvo de críticas ao longo da competição, o novo gramado do Estádio Presidente Vargas não atingiu as melhores condições logo no início do Gauchão. A implantação ocorreu em prazo reduzido e em meio a limitações financeiras e operacionais.

De acordo com o presidente, a troca foi feita por exigência da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), que também indicou o fornecedor. Trata-se do mesmo tipo de gramado utilizado no Estádio Beira-Rio e na Arena do Grêmio. O clube teve cerca de três meses para executar a mudança e precisou arcar com o pagamento à vista.

– A gente primeiro teve que captar o dinheiro, porque esse gramado foi comprado à vista e eles não dão crédito para clube do interior. A Federação diz de quem tu tem que comprar para aprovar. Conseguimos o recurso 40 e poucos dias depois para poder pagar e ainda tivemos que esperar, porque a empresa que instalou estava trocando o da Arena (do Grêmio). Mais uma vez a gente esbarrou na questão financeira – explicou.

Apesar das condições abaixo do ideal em parte do campeonato, Della Pasqua afastou a hipótese de que o campo tenha sido determinante para o desempenho da equipe.

Jogamos mal dentro e fora de casa. A equipe não deu liga – definiu.


Futuro e chances de retorno a elite do futebol estadual

Depois de permanecer 14 temporadas na Divisão de Acesso antes de voltar à elite estadual, o presidente não projeta que o Inter-SM repita um novo ciclo prolongado fora da Série A. Segundo ele, o cenário atual é diferente daquele enfrentado quando assumiu o clube.

– Não acredito que demore tanto. O clube está estruturado, com menos dívidas e pagando em dia. Evoluímos vinte anos em quatro – declarou.

De acordo com Della Pasqua, a gestão deixa como legado a regularização de pendências históricas, a redução significativa de ações trabalhistas e melhorias estruturais no Estádio Presidente Vargas, incluindo intervenções no gramado, drenagem e sistema de irrigação. Ele argumenta que o próximo dirigente encontrará uma estrutura organizada e condições mais estáveis do que no início da atual gestão.

– A estrutura está montada. É alguém chegar e tocar o clube – concluiu.


Confira a entrevista completa


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