Isso não é uma simulação: relembre os cinco maiores roubos da história do Brasil

Vitória Parise

Isso não é uma simulação: relembre os cinco maiores roubos da história do Brasil
Na noite de segunda-feira (17), pela primeira vez, Santa Maria presenciou uma simulação de assalto a banco, com direito a assaltantes armados, tiros e reféns. A ação foi realizada na agência do Banco do Brasil e reuniu cerca de 2 mil expectadores na Avenida Rio Branco. Segundo o subcomandante geral da Brigada Militar, coronel Douglas da Rosa Soares, o procedimento foi realizado com policiais militares, para que eles estejam preparados para um possível confronto com criminosos. 

Para realizar um crime nessa magnitude, os ladrões precisam de muita coragem e planejamento para que a operação seja executada com sucesso. No Brasil, alguns assaltos entraram para a história, dignos de produções cinematográficas (alguns viraram filme, inclusive). Confira abaixo a lista que o Diário separou com os cinco maiores roubos a bancos e instituições financeiras do país:

1º lugar: Banco Itaú na Avenida Paulista — prejuízo de R$ 500 milhões

Itens roubados dos cofres durante assalto. Imagens: Divulgação

No dia 28 de agosto de 2011, 12 criminosos disfarçados de funcionários invadiram a agência do Banco Itaú, localizada na Avenida Paulista, em São Paulo, e levaram consigo cerca de R$ 500 milhões em joias e dinheiro de cerca de 170 cofres particulares. O roubo durou cerca de 10 horas e foi considerado o maior assalto a banco da história do país.

Segundo investigações da Polícia Civil, com a ajuda de um vigilante e um funcionário responsáveis pelo monitoramento da agência, os ladrões conseguiram desligar as câmeras de segurança e alarmes do local. Isso fez com que a instituição bancária descobrisse o crime oito dias depois.  

O Poder Judiciário classificou o roubo como o “mais ousado assalto a banco da história do Brasil.” Cinco integrantes do grupo foram condenados, entre eles João Paulo dos Santos, líder da ação.

Dica de filme:

Inspirado no caso, o filme ‘Assalto na Paulista’ acompanha todos os detalhes envolvendo o planejamento, articulação e fuga dos bandidos. Dirigido por Flavio Frederico e roteirizado por Mariana Pamplona, o filme estreou no dia 25 de agosto e está disponível no GloboPlay. Veja o trailer.

2º lugar: Banco Central em Fortaleza — prejuízo de R$ 164,7 milhões

A escavação tem cerca de 500 metros de extensão e liga o quarto da casa à entrada do cofre. Foto: divulgação

Apesar de não apresentar o maior valor da lista, o assalto ao Banco Central, em Fortaleza, no dia 6 de agosto de 2005, ficou conhecido por todo o país. Sem efetuar um único tiro e disparar o alarme, os criminosos invadiram o caixa-forte da agência e levaram mais de R$ 160 milhões em notas, totalizando cerca de 3,5 toneladas de papel. Isso significa que cada um dos 34 participantes do assalto deixou a cena do crime com cerca de 100 quilos de dinheiro em espécie.

Para realizar o crime e transportar as cédulas, o grupo levou cerca de três meses para construir um túnel de quase 80 metros entre uma casa usada como sede  — onde funcionava uma empresa de fachada de grama sintética — e a agência bancária. Toda a quantia foi levada em cédulas de R$ 50, transportadas ao longo da passagem subterrânea.

O crime só foi descoberto dois dias depois, no início do expediente da segunda-feira do dia 8 de agosto, e ao menos 100 pessoas foram denunciadas por participação direta ou indireta na ação. Antônio Jussivan Alves dos Santos, conhecido também como ‘Alemão’, foi o mandante e responsável por recrutar criminosos para participar do assalto. Ele foi preso em 2008 em Brasília, e quase uma década depois, em 2017, tentou fugir de um presídio cearense, mas acabou sendo baleado. Ele foi capturado e transferido para um presídio federal.

Dos 164,7 milhões, somente R$ 60 milhões do valor total foram recuperados. Até 2020, a Justiça Federal do Ceará havia condenado 119 réus. O túnel foi construído por baixo de uma das mais movimentadas vias do centro de Fortaleza, a Avenida Dom Manuel, era revestido por tábuas, sacos de areia, além de iluminação e refrigeração. A operação, muito bem organizada, virou material para filmes e séries documentais.

Dica de filme:

Com direção de Marcos Paulo e roteiro construído por Rene Belmonte, o filme ‘Assalto ao Banco Central’ foi lançado em 2011. O filme é uma adaptação livre inspirada no caso, sem relação fática com as circunstâncias e personagens envolvidos com o crime verdadeiro e está disponível na GloboPlay, veja o trailer.

Dica de série:

Já no formato documental, a série ‘3 Tonelada$: Assalto ao Banco Central’, tem direção e roteiro de Daniel Billio e direção-geral de Rodrigo Astiz, foi lançada em março ano, na Netflix. Dividida em três episódios de 50 minutos cada, a obra mostra os momentos-chave do roubo e conta com depoimentos de ambos os lados: policiais e ladrões. Veja o trailer.

3º lugar: roubo de ouro no Aeroporto de Guarulhos —  prejuízo de R$ 110 milhões 

A ação dos criminosos no circuito interno do terminal de cargas durou dois minutos e meio. Foto: reprodução

No dia 25 de setembro de 2019, oito criminosos invadiram o terminal de carga do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em veículos clonados com identificação da Polícia Federal. O grupo levou 718,9 kg de ouro que estavam em um carro-forte no local, avaliados em US$ 29,2 milhões de dólares, o equivalente a cerca de R$ 110 milhões. 

Além disso, os ladrões roubaram 15 kg de esmeraldas, relógios e correntes da marca Louis Vitton e outros 51 kg de ouro de outra transportadora. Os criminosos, vestidos de policiais federais, estavam munidos de fuzis, carabinas, pistolas, coletes à prova de balas e balaclavas. Dois funcionários foram feitos reféns, porém, foram liberados no fim do crime.

O assalto pouco mais de dois minutos, não houve troca de tiros e ninguém ficou ferido. Em 2021, a Justiça de São Paulo condenou seis pessoas acusadas de participação, entre eles está o mentor do roubo, Francisco Teotônio da Silva Pasqualini, que durante as investigações chegou a ser chamado pelos policiais de “Professor”, apelido faz alusão ao personagem que lidera o crime na série “Casa de Papel”, da Netflix. As penas de cada um variam entre 24 e 43 anos de reclusão, e quando somadas, superam 221 anos de sentença.

4º lugar: assalto a Prosegur em Ribeirão Preto — prejuízo de R$ 50 milhões

Prédio da Prosegur e imóvel vizinho ficaram destruídos. Fotos: reprodução/EPTV

Em julho de 2016, cerca de 20 homens realizaram um ataque contra a empresa de transporte de valores Prosegur, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A quadrilha, armada com pistolas, fuzis 556 e 762, metralhadoras ponto 50, além de fuzis AK-47, levou cerca de R$ 51 milhões da empresa de transporte de valores. 

Para acessar o cofre, o grupo explodiu o prédio com dinamite. Durante a fuga, houve uma intensa troca de tiros e terminou com a morte de um policial rodoviário. A Polícia Civil recuperou R$ 200 mil do valor total roubado.

Em dezembro de 2018, a Justiça de Ribeirão Preto condenou quatro homens à prisão, com penas que somam 481 anos. Os homens considerados líderes da quadrilha, Ângelo Domingues dos Santos e Juliano Moisés Israel Lopes, foram presos dez dias após o assalto em um hotel em Caldas Novas, Goiás. Cada um foi condenado a 121 anos de prisão. O acusado de transportar o dinheiro e os demais envolvidos durante a fuga, Diego de Moura Capistrano, foi condenado a 123 anos de prisão. Um ex-funcionário da Prosegur, acusado de passar informações aos assaltantes, recebeu pena de 116 anos de prisão. O nome dele não foi divulgado.

5º lugar: Banco do Brasil em Botucatu — prejuízo R$ 2 milhões 

A movimentação dos policiais militares durante a ação foi registrada por câmeras de monitoramento. Foto: reprodução

Entre a noite do último dia 29 e madrugada do dia 30 de julho de 2020, um grupo de assaltantes fortemente armados com fuzis e metralhadoras invadiu uma agência bancária do Banco do Brasil, em Botucatu, no interior de São Paulo. 

O grupo, que tinha de 20 a 30 integrantes, conseguiram fugir com R$ 2 milhões. De acordo com a Polícia Civil, o valor total do roubo era de R$ 3,6 milhões, porém, a polícia conseguiu recuperar R$ 1,6 milhão, abandonados pelos criminosos na fuga, junto com as armas utilizadas pelos assaltantes. A ação terminou com um membro da quadrilha morto e dois policiais militares feridos.

Em audiência realizada no fórum de Botucatu em novembro do ano passado, foram 24 pessoas, entre réus, testemunhas e vítimas da ação. Segundo o Ministério Público, quatro réus foram denunciados por 11 crimes. Em abril deste ano, cinco pessoas já foram julgadas e condenadas por ajudarem na fuga dos criminosos.

Leia todas as notícias

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Turista perde equilíbrio ao tirar selfie e morre após cair nas Cataratas do Iguaçu Anterior

Turista perde equilíbrio ao tirar selfie e morre após cair nas Cataratas do Iguaçu

Santa-mariense é eliminado no Top 5 do Masterchef Profissionais Próximo

Santa-mariense é eliminado no Top 5 do Masterchef Profissionais

Geral