Foto: Samuel Marques (Divulgação/PMSM)
A mobilização pela implantação do Novo Aeroporto Regional de Santa Maria ganhou força entre lideranças políticas, empresariais e institucionais da Região Central e do Estado. Com o avanço das primeiras etapas do projeto, o Diário ouviu representantes de diferentes setores para saber como avaliam o empreendimento e quais impactos esperam para o desenvolvimento regional (confira mais abaixo). A articulação foi reforçada na quinta-feira (30), durante assembleia da Associação dos Municípios da Região Central do Estado (AMCentro), em Vale Vêneto, distrito de São João do Polêsine, quando foi lançado um pacto regional em defesa do empreendimento, além de um site e de um abaixo-assinado para ampliar a mobilização em torno do projeto.
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A proposta busca ampliar a mobilização política e institucional em torno da implantação de um aeroporto regional com capacidade para receber aeronaves de maior porte e realizar operações que hoje não são possíveis na Base Aérea de Santa Maria.
Atualmente, a pista utilizada pelos voos comerciais não tem comprimento suficiente para receber, de forma regular, aviões maiores, como os modelos da Boeing, Airbus e Embraer, comuns em rotas nacionais. Hoje, Santa Maria conta apenas com voos da Azul Linhas Aéreas para Porto Alegre, operados por aeronaves turboélice ATR.
A limitação impede, por exemplo, a oferta de voos diretos para São Paulo. Com isso, passageiros que precisam viajar para destinos mais distantes, quando não conseguem conexão pela Capital, precisam se deslocar até Porto Alegre por rodovia, em um trajeto de mais de quatro horas, para embarcar.
Site para mais transparência
Até a tarde desta sexta-feira (31), o abaixo-assinado disponível no site oficial do Novo Aeroporto Regional já reunia quase 3 mil assinaturas. Desse total, 186 são de agentes políticos, 76 de entidades e 2.440 da sociedade civil.
A plataforma também reúne informações sobre o projeto, o andamento das etapas de implantação, além de manifestações de apoio e expectativas em relação ao empreendimento.
O projeto de implantação do novo aeroporto está dividido em nove fases. Conforme explicou o prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo (PSD), em entrevista à rádio CDN (93,5 FM), a etapa inicial já atingiu cerca de 90% de execução.
Esta primeira fase concentra o estudo e a priorização de áreas, um trabalho técnico que está sob a responsabilidade de equipes da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A previsão é que o relatório final seja entregue no dia 30 de setembro.
Critérios de escolha

Para definir o local ideal para as novas pistas e terminais, o governo federal mapeia seis possíveis áreas na região. O ranqueamento obedece a critérios geográficos e econômicos. Aspectos como o clima local, a incidência de cerração, a hidrologia e a rota de migração de aves são avaliados. Na ponta financeira, pesa o custo com desapropriações de terras, a necessidade de terraplanagem e a distância para conectar a futura pista à malha de rodovias pavimentadas.
Decimo detalhou que a pista da própria Base Aérea de Santa Maria também passou por vistoria com drones pelas equipes do ITA. O local não está descartado, mas apresenta obstáculos naturais que dificultam a operação na aviação comercial de grande porte.
– Para a decolagem de aeronaves maiores, em algum momento precisaria ter uma leve inclinação da partida para a direita para não ter um morro como obstáculo –diz o prefeito.
Operações podem começar em 2032

O cronograma oficial da SAC estima o início das operações do novo aeroporto para janeiro de 2032. O chefe do Executivo municipal argumenta, contudo, que a união regional em ano eleitoral pode acelerar a tramitação burocrática e política. Ele usa como exemplo o movimento que ocorreu nas eleições de 2018 para exigir a duplicação da rodovia RSC-287.
– Nós podemos sim antecipar algumas etapas e ter essa operação dois, três anos antes. Vai depender muito dessa mobilização, dessa força política da nossa região – projeta Decimo.
O presidente da AMCentro e prefeito de Agudo, Luís Henrique Kittel (PL), também falou à CDN e destacou o potencial da região, que abrange o Geoparque Quarta Colônia, certificado pela Unesco. Kittel pontuou que os prefeitos preparam um documento com as prioridades da Região Central. A carta será entregue aos candidatos ao governo do Estado na próxima semana, durante congresso da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), no Recanto Maestro.
– Um aeroporto que fica em Santa Maria, mas ele não é só de Santa Maria, ele é de toda a região. Nós vamos sim fazer força política no âmbito da AMCentro para que esse projeto caminhe de verdade e saia do papel – garante Kittel.
Repercussão
O Diário ouviu lideranças políticas, empresariais e representantes de instituições sobre a importância da implantação do Novo Aeroporto Regional de Santa Maria. Confira os posicionamentos:
Ademir José da Costa, Presidente Sindilojas Região Centro e Vice-Presidente da Fecomércio
“A região centro do Estado é a mais adequada para, em caso de uma emergência climática, abrigar a estrutura, pois raramente nós vamos ficar com o aeroporto embaixo d'água. Nós estamos com uma infraestrutura pronta para atrair turismo, então o aeroporto nesse momento para nossa região é fundamental.”
Alizandra Silva, Coordenadora do Geoparque Caçapava do Sul
“A mobilização em torno do fortalecimento de um aeroporto regional representa um importante exemplo de visão coletiva de desenvolvimento. O acesso aéreo facilita a chegada de turista, de pesquisa, de estudante, de investidor, e fortalece a cadeia produtiva da gastronomia, da hotelaria e do comércio.”
Andrei de Lacerda Nunes, Presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria (Cacism)
"Mais uma vez, a região se mobiliza para tentar resolver uma pauta importantíssima. Muito boa a iniciativa do prefeito de fazer essa mobilização política. Nós vamos mobilizar tanto o setor produtivo, quanto o setor político, e aí, com certeza, o caminho do êxito é certo."
Claudio Affonso Amoretti Bier, Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS)
“Um aeroporto mais moderno significa mais conexão com o Brasil, mais facilidade para atrair investimentos, fazer negócios, gerar empregos para a indústria. Por isso é importante ver as lideranças da região unidas. Quando todos trabalham na mesma direção, aumentam as chances de transformar necessidades em realidade.”
Jucemara Rossato, Coordenadora do Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO
“Temos um posicionamento de todos os prefeitos de que precisamos agilizar isso para dar respostas mais efetivas para a população que reside nesse território e para oferecer uma melhoria para quem vem nos visitar. A nossa região hoje é reconhecida mundialmente como turística.”
Lucas Michelon, Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (Condesus)
“O transporte aeroviário, tanto de passageiros quanto de cargas, será fundamental para o desenvolvimento de toda a região. A gente fica feliz, pois está fazendo parte disso e concordamos com esse pacto para o novo aeroporto regional perante aos olhos de todo o Brasil.”
Luiz Carlos Bohn, Presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-RS
“Para que este projeto se concretize, é essencial a mobilização e o compromisso das lideranças políticas, do setor produtivo e da sociedade. O Brasil e o Rio Grande do Sul precisam avançar em investimentos estruturantes, e essa união de esforços é decisiva para garantir a prioridade.”
Martha Bohrer Adaime, Reitora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
“É fundamental essa movimentação, que todos estejam realmente juntos, trabalhando para que o nosso aeroporto regional se torne uma realidade. Nós precisamos colocar o pé nesse projeto, nem que ele aconteça daqui a 8, 10 anos, mas a gente tem que saber onde e como ele vai acontecer.”
Leonardo Bisognin, Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Faxinal do Soturno (ACIS)
“Acreditamos sim que um aeroporto regional impactaria muito na nossa economia, fortalecendo nosso comércio e dando visibilidade aos nossos produtos.”