Foto: Vitória Parise (Diário)
Após a nova visita dos jurados à localidade de Lava Pé, realizada durante a manhã desta quinta-feira (2), o primeiro depoimento da retomada do julgamento foi o do policial militar Jorge Nicael Oliveira Lopes. O depoimento teve início por volta das 11h20.
O Grupo Diário realiza, a partir desta segunda-feira (29), uma cobertura especial do julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos. A sessão do Tribunal do Júri ocorre no Foro da Comarca de São Gabriel e tem previsão de durar até quatro dias.
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Diretamente de São Gabriel, a repórter Vitória Parise acompanha todos os desdobramentos do julgamento, com entradas ao vivo na Rádio CDN (93.5 FM), boletins e atualizações sobre o andamento da sessão, desde a formação do Conselho de Sentença até os depoimentos, interrogatórios, debates entre acusação e defesa e, posteriormente, a leitura da sentença.
O caso Gabriel teve grande repercussão no Rio Grande do Sul e no país desde o desaparecimento do jovem, em agosto de 2022. Quase quatro anos depois, os três policiais militares denunciados pelo Ministério Público (MP) começam a ser julgados pelo Tribunal do Júri em São Gabriel.
Confira as atualizações
Dia 1
- Antes do início dos depoimentos, houve um sorteio do juri, formado por seis mulheres e um homem.
- Por volta das 12h desta segunda, a juíza Liz Grachten ouviu a primeira testemunha, Rosane Machado Marques, mãe de Gabriel.
- Logo após, houve um invervalo, entre 13h30min às 16h30min.
- Na volta do intervalo, o pai de Gabriel Marques, Anderson da Silva Cavalheiro, depôs.

- O depoimento do delegado José Soares Bastos começou por volta das 18h e se estendeu até cerca de 19h50min. O mais longo do primeiro dia de julgamento até então.
- Pouco depois das 20h, começou o depoimento de Luiz Carlos de Almeida, de 63 anos. Ele é policial militar da reserva remunerada há oito anos e atualmente é proprietário de uma chácara de cerca de um hectare e meio, localizada próxima ao ponto onde o corpo de Gabriel Marques Cavalheiro foi encontrado. Luiz Carlos foi ouvido justamente por morar nas proximidades da região de Lava Pé. Depoimento acabou próximo das 21h30 e foi o último da noite.
Confira em detalhes como foi o primeiro dia de júri.
Dia 2
- Às 9h30min desta terça-feira (30), iniciou-se o segundo dia de julgamento.
- O primeiro a depor no dia é o perito Áureo Felipe Norberto Duarte, responsável pela perícia do corpo de Gabriel Marques Cavalheiro. Ele afirmou que Gabriel não apresentava sinais típicos de afogamento e que havia lesões na região do pescoço e da nuca. Segundo ele, impactos nessa área podem causar perda rápida de consciência ou até morte bruta, devido à presença de estruturas vitais e vasos sanguíneos na região cervical. Questionado pela promotoria sobre a possibilidade de a vítima caminhar após esse tipo de lesão, respondeu que os elementos periciais indicam que Gabriel teria entrado sem vida na água.
- Na sequência, teve início o depoimento da tenente-coronel Karla de Moura, indicada pela acusação e responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM) do caso. Ela afirmou que a investigação concluiu que os policiais assumiram o risco da morte de Gabriel ao deixá-lo na região de Lava Pé, onde o corpo foi encontrado dias depois. Disse ainda que houve divergências nos depoimentos dos acusados, que relataram versões diferentes sobre o momento em que o jovem teria sido liberado, e que “dois afirmaram que Gabriel saiu andando da viatura”.
- Na continuidade do depoimento, Karla afirmou que Gabriel “não estava em um estado normal” quando foi deixado no local, embora apresentasse odor de álcool e conseguisse caminhar. Declarou também que havia indicativos de que ele foi abandonado na região e manteve as conclusões do inquérito sobre a dinâmica dos fatos.
- Ao fim do depoimento, a sessão foi interrompida para intervalo, com retomada prevista para as 15h15min.
- Após o retorno do júri, foi a vez de o perito criminal Railander Alves Barcellos depor. Barcellos é responsável pela 5° Coordenadoria Regional de Perícias que atende Santa Maria e outros 33 municípios da região.

- Na sequência, por volta das 16h30min, a vizinha de Gabriel, que por segurança terá seu nome preservado, começou seu depoimento. Este é um dos principais do dia, visto que foi ela quem testemunhou a abordagem policial inicial e registrou imagens da ação. O depoimento terminou às 18h.
- Após o depoimento da vizinha, outra testemunha foi ouvida pelo júri. A mulher relatou que iria a um baile com a amiga responsável por acionar a Brigada Militar na noite do caso e afirmou que não conhecia a mulher anteriormente, mas que as duas haviam combinado de ir juntas ao evento. Segundo o depoimento, ela viu Gabriel com vida ao chegar à residência, levou as meninas até outro local e, ao retornar, teria visto apenas a viatura da Brigada Militar deixando a casa. A testemunha disse ainda que a amiga não teria comentado sobre a ocorrência durante o trajeto até o baile.
- Após um breve intervalo, por volta das 18h15min, o policial militar Gerson Vieira de Moura, que coordenou as equipes de busca à epoca, iniciou seu depoimento. Ele foi o último e terminou às 21h30.
- Assim que foi encerrado o segundo dia de julgamento, o advogado Jean Severo e o promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim concederam entrevistas à imprensa. O defensor dos réus Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima afirmou que pretende apresentar, nos debates, uma tese segundo a qual um caseiro que estaria a cavalo na região onde o corpo foi encontrado seria o autor da morte de Gabriel. Segundo ele, essa pessoa não teria sido investigada à época. Em resposta, o promotor ironizou a hipótese e comparou a versão à lenda gaúcha do Negrinho do Pastoreio.
Confira os detalhes do segundo dia de júri.
Dia 3
- Às 9h20min desta quarta-feira (1º), teve início o terceiro dia de julgamento.
- A primeira testemunha a ser ouvida foi Carmem Fontana Fuganti, de 75 anos, proprietária, junto do marido, Telvi Luiz Fuganti, 81 anos, da área rural onde o corpo de Gabriel foi encontrado, na localidade de Lava Pé, em São Gabriel.
- Na sequência, por volta das 11h40min, foi a vez do marido, Telvi Luiz Fuganti, prestar depoimento. Em sua fala, explicou que o casal mora em Santa Maria e frequenta a propriedade rural em São Gabriel periodicamente. Também relatou que, na época dos fatos, fazia tratamento contra um câncer e alternava períodos de cerca de 90 dias entre Santa Maria e São Gabriel.
- Telvi também relatou que, quando Gabriel desapareceu, eles estavam em Santa Maria e que a volta para a propriedade estava prevista justamente para o dia em que o corpo do jovem foi encontrado. No entanto, afirmou que o retorno acabou não sendo em razão da localização do cadáver na área rural. "Mas não voltei por isso, era o dia de voltar", disse durante o depoimento, o qual terminou 12h20min.
- Após intervalo, às 14h15min, começou o depoimento com o tenente Argileu Nunes de Carvalho, 61 anos. Ele relatou que conhecia Gabriel e que já teria dado uma carona a vítima até a região do Lava Pé.
- Por volta das 14h48min, o tenente Alexandre Rodrigues Pereira iniciou seu depoimento. Ele integrou o conselho que avaliou o caso administrativamente, tendo conversado com mais de 100 pessoas sobre o caso.
- Às 16h10min, começou o depoimento do Major Magno Siqueira, integrante da operação de resgate do corpo de Gabriel, que encontrado submerso em açude. Ele foi uma das primeiras pessoas a visualizar o corpo do jovem durante a retirada da água. Ele afirmou que um homem auxiliou as equipes no acesso à propriedade onde o corpo foi encontrado, disse que o IPM não reuniu provas suficientes para sustentar a hipótese de homicídio, descreveu a posição em que o corpo foi localizado no açude, comentou os primeiros depoimentos dos policiais militares e falou sobre o cumprimento das prisões preventivas.
- Às 19h10min, foi encerrada a sessão no julgamento no fórum.
- Na squência, o júri se deslocou até a localidade de Lava Pé, em São Gabriel, para ver o local onde o corpo de Gabriel Marques Cavalheiro foi encontrado.
- Às 20h45min, o júri deixou a localidade de Lava Pé.
Dia 4
- O quarto dia de julgamento começou de uma maneira diferente: antes de retomarem às atividades no Fórum de São Gabriel, os sete jurados foram novamente até a localidade de Lava Pé, por volta das 9h20. Desta vez, o objetivo é permitir que os jurados observem, durante o dia, detalhes da barragem e da propriedade rural que não puderam ser visualizados na noite anterior.
- Às 10h30, iniciaram o trajeto de retorno ao fórum.
- Por volta das 11h20, teve início o depoimento do policial militar Jorge Nicael Oliveira Lopes. À época dos fatos, Jorge Nicael integrava o setor de inteligência da Brigada Militar (P2). O policial é responsável pela gravação de uma conversa com a mulher que acionou a Brigada Militar no dia do desaparecimento de Gabriel, material produzido durante a investigação do caso.
- Às 13h48min, o depoimento foi encerrado e o julgamento entrou em intervalo. A sessão do Tribunal do Júri será retomada às 15h.
*Em atualização
Relembre o caso
Gabriel havia se mudado de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para São Gabriel com o objetivo de prestar o serviço militar obrigatório no Exército. Na noite do dia 12 de agosto de 2022, enquanto estava hospedado na residência de um tio no Bairro Divina Providência, o jovem saiu do imóvel para tomar uma cerveja.
Uma moradora das proximidades acionou a Brigada Militar via telefone relatando que um homem desconhecido tentava forçar o portão de acesso à sua propriedade. Conforme o registro da denúncia e imagens gravadas por testemunhas na localidade, os três policiais atenderam a ocorrência, imobilizaram Gabriel e o colocaram no compartimento de transporte da viatura. Relatos coletados durante o inquérito apontaram o uso de golpes de cassetete. Essa foi a última ocasião em que o jovem foi visto com vida.
O corpo de Gabriel foi localizado uma semana depois, em 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na região conhecida como Lava Pé, na zona rural do município.