Caso Gabriel: advogado de defesa diz que PMs "não têm participação na morte" do jovem

Em colaboração com Vitória Parise

Caso Gabriel: advogado de defesa diz que PMs

Foto: Vitória Parise (Diário/Reprodução)

Antes do início do quarto dia do júri do caso Gabriel Marques Cavalheiro, nesta quinta-feira (2), no Fórum de São Gabriel, o advogado Maurício Adami Custódio, que integra a defesa dos três policiais militares acusados pela morte do jovem, concedeu entrevista ao Diário e afirmou que a estratégia da defesa é demonstrar aos jurados que não há provas de que os réus tenham participado da morte ou da ocultação do corpo de Gabriel. Estão sendo julgados o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen e os soldados Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima, acusados pela morte do jovem, de 18 anos, em agosto de 2022.

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​Defesa sustenta inocência dos policiais

Segundo Custódio, o trabalho da defesa ao longo do julgamento tem sido apresentar aos jurados elementos que, na avaliação da equipe, demonstram a inocência dos acusados.

— É provar que eles não praticaram o crime, que não têm nenhuma participação na morte, assim como não tinham qualquer participação na ocultação do corpo do Gabriel. Quem é inocente quer todas as provas. Em todas as oportunidades, a defesa trouxe para dentro do júri elementos para que o Conselho de Sentença pudesse examinar as provas — afirmou.

O advogado também defendeu a estratégia adotada pela defesa durante a instrução do processo e no plenário do júri, destacando a importância das testemunhas para a formação da convicção dos jurados.

— A defesa trouxe a testemunha ocular para que o jurado pudesse perguntar e verificar as divergências cruciais do depoimento. Quem é inocente prova com prova — disse.


Críticas à investigação

Durante a entrevista, Custódio ainda afirmou que a investigação do caso teria sido conduzida de forma precipitada e alegou que outras linhas investigativas não foram consideradas.

— Houve uma investigação apressada, açodada, que nunca trabalhou com uma segunda hipótese. É isso que a defesa demonstrou — declarou.

Ao concluir, o advogado voltou a defender a tese de que os policiais são inocentes e afirmou acreditar que o Conselho de Sentença acolherá os argumentos apresentados pela defesa.

— Outras hipóteses desde o começo apontariam o verdadeiro assassino do Gabriel, que está solto, e certamente essa injustiça vai ser desfeita na decisão do Conselho — afirmou.


​Relembre o caso

Gabriel havia se mudado de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para São Gabriel com o objetivo de prestar o serviço militar obrigatório no Exército. Na noite do dia 12 de agosto de 2022, enquanto estava hospedado na residência de um tio no Bairro Divina Providência, o jovem saiu do imóvel para tomar uma cerveja.​

Uma moradora das proximidades acionou a Brigada Militar via telefone relatando que um homem desconhecido tentava forçar o portão de acesso à sua propriedade. Conforme o registro da denúncia e imagens gravadas por testemunhas na localidade, os três policiais atenderam a ocorrência, imobilizaram Gabriel e o colocaram no compartimento de transporte da viatura. Relatos coletados durante o inquérito apontaram o uso de golpes de cassetete. Essa foi a última ocasião em que o jovem foi visto com vida.

O corpo de Gabriel foi localizado uma semana depois, em 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na região conhecida como Lava Pé, na zona rural do município.

No banco dos réus, estão o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, de 46 anos, e os soldados Raul Veras Pedroso, de 32 anos, e Cléber Renato Ramos de Lima, de 44 anos. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima. Os três estão presos preventivamente desde agosto de 2022, no Presídio Policial Militar de Porto Alegre.

O Ministério Público afirma que vai ao júri com pedido de condenação e responsabilização dos acusados. A assistência de acusação, que representa a família de Gabriel, sustenta que o julgamento é um momento decisivo para o reconhecimento da responsabilidade criminal.

Já as defesas dos réus afirmam a inocência dos policiais e defendem que o julgamento seja baseado exclusivamente nas provas produzidas no processo.


Acompanhe o julgamento em tempo real

O Diário acompanha, em tempo real, o júri dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro. O julgamento teve início na segunda-feira (29) e tem previsão de durar quatro diasClique aqui para conferir as atualizações ao longo da cobertura.



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