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Os nossos piores inimigos não estão lá fora. Eles vivem dentro de nós

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Que o mundo está, a cada momento, se transformando, disso, creio, que você também concorda. Mas, o grande problema não está na transformação do planeta e, sim, na transformação dos seres humanos que o habitam, não no seu aspecto físico, mas, fundamentalmente, o moral, na medida em que, pelo que se observa, particularmente aqui na pátria do evangelho, o projeto de melhoria individual esbarrará ainda por muito tempo na necessidade de mudança de atitude de cada um, independente de qualquer particularidade humana. Quem se debruça um pouco sobre o comportamento humano deste momento da história que estamos vivendo, vai perceber que ainda precisaremos, para vencer essa luta de melhoramento íntimo, nos matricularmos ainda muitas vezes nesta escola de ensino espiritual chamada planeta Terra.

Graças ao homem, através das suas invenções e descobertas é que funcionam não somente as engrenagens que impulsionam os progressos materiais do próprio homem, como, muitos desses inventos são, também, e na mesma proporção, responsáveis pelo seu travamento espiritual. Refiro-me ao momento em que vivemos até então não vivido por nós, brasileiros. Não estou me referindo à pandemia. Refiro-me ao espetáculo de horror que se vê nas redes sociais com a guerra de fúria, de parte a parte, pois que o Brasil está dividido em nós contra eles e eles contra nós.

O que impressiona de forma superlativa não são os tiros de ódio desferidos por aquelas pessoas que a sociedade chama de a base da pirâmide compostas pelos incultos e desprovidos de estudo, cultura e discernimento. Não, inacreditavelmente, não. Os tiroteios de cólera e ira arremessados de parte a parte de um lado para o outro, parte, na maioria das vezes, e isso é que chama a atenção, de pessoas cultas, estudadas, esclarecidas, instruídas, eruditas, letradas, polidas, educadas e, mais do que isso, ainda, respeitadas não somente no seu ciclo de amizades como, também, na sociedade em que vivem. Despejam, por questões políticas, esses homens e mulheres, petardos de fúria e cólera que, se por um lado, atingem os "inimigos" do lado de fora, na mesma proporção alimentam os inimigos do lado de dentro, aqueles que vivem dentro de cada um de nós, também conhecidos por mágoa, orgulho, intolerância e tantos outros sentimentos que viemos aqui combater e que atrasam o nosso melhoramento enquanto espíritos aprendizes.

Um dos nossos grandes problemas não é como vivemos com os outros, mas sim como convivemos e como sentimos e pensamos em relação aos outros. Exatamente por isso, uma boa convivência conosco mesmo é um movimento seguro de equilíbrio para uma relação proveitosa. Para tal, porém, precisamos detectar em nós mesmos, por que não conseguimos brecar os gatilhos acionadores dos tiros de ódio. O que importa, verdadeiramente, não é como os outros agem contra nós, mas sim como nós agimos em relação aos outros. A boa convivência não somente na sociedade, mas também nas redes sociais, é uma ferramenta preciosa para quem deseja crescer e educar-se espiritualmente, pois que oferecem para nós através do choque de opiniões, oportunas e preciosas lições de reflexão e reavaliação da nossa vida pessoal. Uma convivência pacífica com as imperfeições dos outros será uma fonte de abrandamento das emoções tóxicas que vivem dentro de nós na medida em que, lutando contra essas nossas mazelas emocionais, poderemos dar um passo importante para a construção de um novo homem.

O mundo, ao contrário do que possamos imaginar, não é um palco de tragédias ou um campo de batalha em que o meu inimigo é quem age e pensa diferente de mim. Claro que não! O mundo é uma escola, um educandário em que ninguém tem bacharelado, nem mestrado e muito menos doutorado, pois que, perante as lições da vida, somos todos aprendizes e dentre as lições a serem aprendidas está uma das mais difíceis, mas também uma das mais preciosas que é não alvejar física e moralmente aqueles colegas de aprendizado que não se coadunam com a  nossa forma de pensar e agir.

O ato de aprender implica, necessariamente, em fazer uma viagem pelas paisagens obscuras do nosso interior buscando detectar e expurgar as nossas emoções putrefatas responsáveis por nos tornar frente a certas contrariedades um ser polido por fora, mas bruto por dentro. E ao descobrirmos e iniciarmos o processo de depuração desses sentimentos nocivos por outros saudáveis, teremos mais chances de entendermos que, em verdade, não temos nem adversários e nem inimigos e sim companheiros de jornada em busca de crescimento espiritual, finalidade pela qual todos nós estamos aqui. E, por falar em inimigos, talvez você não saiba, mas os nossos piores inimigos não estão lá fora. Eles vivem dentro de nós.

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