Queda nas culturas de inverno

Os dados oficiais do levantamento da Emater/RS apontam para uma redução significativa na safra de inverno gaúcha, registrando um recuo de 10,76% na área cultivada total (estimada em 1,57 milhão de hectares) e uma queda de 22,15% na projeção da produção. O cenário é reflexo direto de 3 fatores: a descapitalização do produtor rural, os altos custos de produção frente às margens apertadas e a insegurança fitossanitária trazida pelas previsões do fenômeno El Niño. O trigo e a cevada são os principais responsáveis por esse recuo. Com a margem apertada e os altos custos de produção, muitos agricultores reduziram o investimento no grão, ameaçando a liderança nacional do RS na produção de trigo.

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​O tamanho da queda

A área plantada de trigo encolheu 30,18% (caindo para 814,2 mil hectares). A estimativa de produção despencou 36,39%, projetada em apenas 2,19 milhões de toneladas. A cevada sofreu um recuo de 36,52% na área cultivada (ficando em apenas 20,3 mil hectares) e uma quebra severa de 47,07% na projeção de colheita. A aveia branca se mantém em estabilidade, registrando uma queda leve de 1,38% na área (387,6 mil hectares) e boas perspectivas de desenvolvimento ao longo do inverno.


O recorde histórico da canola

A canola é a grande notícia do inverno. Enquanto os cereais perdem espaço, as lavouras de canola vão dobrar de tamanho nos campos gaúchos. A área semeada cresceu 102,64%, atingindo um recorde de 353,3 mil hectares. A estimativa de produção também saltou 100,35%, projetando uma colheita de mais de 570 mil toneladas. Por que esse crescimento? O mercado da canola trabalha de forma altamente integrada com a indústria (especialmente de biocombustíveis), garantindo previsibilidade de preços e reduzindo o risco financeiro para quem planta.  


Pecuária: identificação individual obrigatória

A Secretaria da Agricultura (Seapi) vem avançando com o projeto de rastreabilidade de bovinos, iniciativa alinhada ao Plano Nacional de Identificação Individual (PNIB), que estipula a identificação individual obrigatória de todo rebanho brasileiro até 2032. Por meio dessa tecnologia, cada animal recebe um código único em um brinco visual e um chip de radiofrequência, permitindo o envio de dados do animal direto ao Sistema de Defesa Agropecuária (SDA). Como o estado é zona livre de febre aftosa sem vacinação, essa rastreabilidade se torna um ganho estratégico indispensável, pois ajuda a comprovar a origem da produção, atende a regras ambientais internacionais e abre portas para os mercados mundiais mais exigentes e que pagam mais caro pela carne.


Automação, desburocratização e segurança

Os impactos dessa tecnologia trazem grandes benefícios operacionais e de segurança para o produtor e para o Estado. O sistema automatiza o envio de dados sanitários e desburocratiza a rotina no campo, agilizando diretamente a emissão da Guia de Trânsito Animal eletrônica (e-GTA) e automatizando a Declaração Anual de Rebanhos. Além de simplificar os processos e dar mais velocidade ao trânsito de animais, o monitoramento individualizado do rebanho funciona como uma ferramenta forte e eficiente para reforçar as ações de combate ao abigeato em todo o território gaúcho.

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Daniele Araldi

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