Foto: Catherine Vargas (Divulgação)
2026 promete ser um ano de muitas surpresas. Depois da ocorrência em fevereiro, a calendário volta a marcar mais sexta-feira 13. A data, considerada por muitos como de azar, chama atenção neste ano porque deve ocorrer três vezes no calendário: em fevereiro, março e novembro, fato que não acontecia desde 2015.
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O Calendário Gregoriano prevê pelo menos uma e no máximo três sextas-feiras 13 por ano. A explicação para o fenômeno triplo é simples. Apesar de atípico, sempre acontece quando um ano comum (não bissexto) começa em uma quinta-feira, como ocorreu em 2026. Depois deste ano, só deve ser possível presenciar três sextas-feiras 13 em 2037.
A data é cercada por crenças populares e lendas que ajudaram a consolidar a fama negativa do número 13. O medo relacionado ao dia tem até nome: Parascevedecatriafobia, que é o temor específico à sexta-feira 13. Já o medo apenas do número 13 é chamado de Triscaidecafobia.
Apesar da fama de azar consolidada, a origem exata da superstição é incerta e mistura referências religiosas, mitológicas e culturais.
Surgimento
Entre as explicações mais citadas, está um episódio simbólico da tradição cristã: a Última Ceia, que teria reunido Jesus e os 12 apóstolos. Judas, apontado como o traidor, seria o 13º participante da mesa. Além disso, a crucificação de Jesus, segundo a Bíblia, ocorreu em uma sexta-feira. Alguns estudiosos do cristianismo também acreditam que Eva tentou Adão com o fruto proibido em uma sexta-feira, e que Abel foi morto por seu irmão Caim em uma sexta-feira 13.
Já na lenda da mitologia nórdica, o deus da discórdia, Loki, teria aparecido sem convite em um banquete com outros deuses, tornando-se o 13º participante do encontro e provocando um grande desastre. Ao longo dos séculos, essas associações ajudaram a construir a ideia de que o número 13 estaria ligado a acontecimentos negativos.
Parte do reconhecimento azarado do 13 também pode estar ligado ao simbolismo do 12, frequentemente visto como um número “completo”. O ano tem 12 meses, os deuses do Olimpo são 12 e também são 12 os signos do zodíaco. Assim, o 13 acaba sendo visto como um número que rompe essa ideia de perfeição.
Eventos históricos na América Latina reforçam a fama
Alguns episódios históricos na América Latina também acabaram alimentando a reputação da data.
No Brasil, em 13 de dezembro de 1968, foi decretado o Ato Institucional nº 5 (AI-5), medida que ampliou os poderes do governo militar na ditadura e restringiu direitos civis.
E em 13 de outubro de 1972, um avião da Força Aérea Uruguaia caiu na cordilheira dos Andes com 45 pessoas a bordo, incluindo 19 membros do time de rugby Old Christians Club. A história inspirou o recente filme A Sociedade da Neve.
Sexta-feira 13: o filme
E por falar em filme, a notoriedade da sexta-feira 13 também ganhou força na cultura popular ao longo do século XX. O tema foi explorado no romance Friday, the Thirteenth, publicado em 1907.

Décadas depois, a franquia de terror Friday the 13th (Sexta-feira 13) transformou a data em um ícone do gênero, principalmente por causa do personagem Jason Voorhees. A saga, composta por 12 filmes lançados desde 1980, é uma das mais conhecidas do gênero slasher, o que colaborou para consolidar o imaginário de medo e mistério em torno do dia.
Para a numerologia, número 13 não significa azar
Para entender o simbolismo da sexta-feira 13, a reportagem do Diário ouviu duas especialistas em numerologia. Apesar da fama negativa, elas afirmam que o número 13 não está necessariamente associado ao azar.

Segundo a numeróloga Juliane da Costa Daroda, na numerologia, o número pode ser analisado a partir da soma de seus dígitos:
– A numerologia trabalha com números de 1 a 9, mas o 13 pode ser interpretado pela soma de 1 + 3, que resulta em 4. Esse número está ligado à disciplina e à organização.
Segundo ela, a interpretação depende também da forma como as pessoas encaram o simbolismo do número:
– Se a pessoa levar para o lado negativo pode acabar reforçando essa ideia de azar. Mas, se olhar para o lado da transformação, da renovação ou da disciplina, o número 13 intensifica justamente esse processo de mudança.
Juliane também explica que, dentro da numerologia, 2026 marca o início de um novo ciclo. É um ano 1, reforçando reconstrução e mais individualidade.
Transformação e novos ciclos
A numeróloga Débora Bãrcellós, que trabalha com numerologia cabalística, também afirma que o número não é azarado:
– Para numerologia cabalística, o número 13 não simboliza azar e sim a necessidade de finalizar etapas para dar espaço para o nascimento de algo novo.
Ela concorda que o número está ligado a processos de transformação e conta que a simbologia também aparece no tarô:
– O arcano de número 13 é a morte. Esse arcano representa transformação profunda, fim de ciclos e renascimento. Raramente indica a morte física. Indicando que o velho deve acabar para dar espaço ao novo, exigindo então o desapego e a aceitação das mudanças inevitáveis para o nosso crescimento pessoal.

Em relação ao calendário, a especialista explica que o ano de 2026 ter três sextas-feiras 13 não carrega um significado negativo.
– O fato de ter três sextas-feiras 13 não significa de forma alguma azar triplo, mas sim a oportunidade de transmutar as vivências desafiadoras em aprendizado e evolução – diz.
Como encarar a data
Para quem sente receio da sexta-feira 13, Débora recomenda mudar o foco das crenças negativas.
– Tudo aquilo que a gente coloca o nosso foco tem a tendência de ganhar força e se desenvolver. A sugestão é tirar o foco da superstição e colocar em pensamentos e emoções positivas – afirma.
Já Juliane destaca que a data também pode ser vista como um momento de olhar para si:
– Esse simbolismo pode ser encarado como um convite para o cuidado com a energia, para uma reflexão e até para uma reconstrução interior.