Foto: Arquivo Pessoal
Hoje em Florianópolis, Gabriel Alves Pozzo projeta disputa por vaga em competição mundial

Foi depois da última Maratona de Santa Maria que Gabriel Alves Pozzo fez dois anúncios importantes: primeiro, o maratonista passaria a se dedicar integralmente ao esporte, deixando de atuar como engenheiro; segundo, iria em busca de elevar seu rendimento em outra base de treinamento. O santa-mariense deixou a cidade natal no fim de 2025 para alçar novos voos em Florianópolis (SC).
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No último fim de semana, Pozzo garantiu o terceiro lugar na Meia-Maratona Internacional da capital catarinense, prova válida como etapa Sul do Campeonato Brasileiro de Corridas de Rua. Além do pódio, ele estabeleceu seu melhor tempo nos 21 quilômetros, completando a prova em 1h07min33s.
Com o resultado, assegurou classificação para a etapa nacional, marcada para 16 de agosto, no Rio de Janeiro, que serve como seletiva para o Mundial de Corridas de Rua, em Copenhague, na Dinamarca.
Disputada em um percurso de alto nível técnico, a prova fez parte da preparação para a Maratona de Porto Alegre, principal objetivo do atleta neste primeiro semestre.
— Foi uma prova que entrou como um treino de luxo para a maratona. Eu fui lá para fazer uma boa marca, fazer uma boa prova, sem soltar treino, apenas como parte da preparação. Conseguimos um terceiro lugar, que é um resultado importante pelo nível da prova, e ainda com recorde pessoal, o que mostra que o trabalho está no caminho certo — afirmou.
Mudança para Florianópolis e adaptação
Vivendo uma nova fase na carreira, a mudança para Florianópolis marcou a transição definitiva para o esporte de alto rendimento. O atleta deixou a engenharia para se dedicar exclusivamente aos treinos e competições.
— Florianópolis eu escolhi por ser um centro estratégico aqui para a gente. É uma localização que eu fico próximo de tudo, tenho aeroporto, posso ir para São Paulo, para o Rio, para qualquer lugar que eu precisar de forma muito fácil. Tem muitas competições na região, muitas provas o ano inteiro, então isso facilita muito — explicou.
Segundo ele, a adaptação foi rápida, principalmente pela estrutura da cidade.
— Aqui tem muitos percursos para correr, para treinar. Tu não consegue enjoar de nenhum percurso, sai para um lado, sai para o outro e sempre encontra bons locais, com ciclovia, calçada. A adaptação foi bem tranquila. No início senti mais a questão da umidade, que é diferente, mas depois fui me adaptando e hoje já estou bem — disse.
Mesmo com a mudança, o vínculo com Santa Maria permanece forte.
— Sinto bastante falta de casa, dos amigos, da convivência com a família, com o pessoal que eu sempre estava junto. Vou voltar agora para passar alguns dias aí, matar um pouco da saudade e retornar com a energia renovada — comentou.
Temporada cheia e foco nas maratonas
Apesar do bom resultado na meia-maratona, o foco principal segue sendo a maratona. Em 2026, Pozzo já disputou provas importantes, incluindo a Maratona de São Paulo, onde terminou com 2h27min, sendo o sétimo melhor brasileiro, além da prata na Maratona de Balneário Camboriú.
— O foco principal do semestre é a Maratona de Porto Alegre, no dia 31 de maio. Essa prova aqui foi parte da preparação. Agora eu vou tirar um pouco o pé das competições para chegar bem lá — afirmou.
O calendário do segundo semestre inclui provas estratégicas, como a meia-maratona do Rio de Janeiro, válida como etapa nacional do Brasileiro, além da Maratona Internacional de Florianópolis e da Maratona de Santa Maria.
— Depois de Porto Alegre, vou correr os 21 km no Rio, que é o campeonato brasileiro, onde fui classificado agora. Vou lá tentar uma vaga para o Mundial. Depois tem Florianópolis, onde fui terceiro no ano passado e quero ser campeão, e também quero voltar para Santa Maria e defender minha posição sendo campeão esse ano — projetou.
Pozzo também mantém nos planos a realização de um período de treinos em altitude ainda em 2026.
— Eu ia fazer agora em maio, mas não consegui ajustar por alguns compromissos. Está no planejamento ainda, não sei onde e quando, mas quero fazer pelo menos um ainda esse ano — disse.

Inspiração e evolução no alto rendimento
Pozzo também comentou o impacto dos recentes recordes mundiais, registrados na Maratona de Londres, e a forma como esses resultados influenciam atletas em desenvolvimento.
— Eles mostram que nada é impossível. Mesmo os atletas no limite do limite continuam acreditando que podem mais. Então por que eu, com apenas oito, nove anos de treino, não vou acreditar também? Eu não gosto de me colocar limites, gosto de trabalhar sério, um passo de cada vez, mas sempre sonhando alto — afirmou.
Para ele, o crescimento no esporte passa por consistência e entendimento do próprio corpo.
— Não tem mágica, nem atalhos. É treinamento, alimentação e descanso. Não tem muito o que fazer além disso e usar a ciência a nosso favor, testar, porque cada pessoa é única. Não é porque funciona para um que vai funcionar para outro. Então é testar, aprender, ajustar e, quando encontrar a melhor forma para ti, intensificar para estar sempre melhorando — completou.
Aos 28 anos, o santa-mariense vive um momento de consolidação na carreira, com resultados consistentes, mudança de estrutura e metas claras, mirando não apenas o cenário nacional, mas também a inserção em competições internacionais.