Empresários relatam restrições de abastecimento e alta do preço do diesel em transportadoras e postos de Santa Maria

Colaborou: Rian Lacerda

Empresários relatam restrições de abastecimento e alta do preço do diesel em transportadoras e postos de Santa Maria

Foto: Rian Lacerda (Diário)

O aumento no preço do diesel já começa a impactar postos de combustíveis e empresas de transporte em Santa Maria. Além da alta nas bombas, empresários relatam dificuldades para comprar o combustível e restrições na quantidade liberada pelas distribuidoras. Se o problema persistir, há risco de faltar diesel, principalmente para os agricultores colherem a safra, pois a maior limitação atual é para os TRRs, que vendem combustível direto a produtores rurais e que estão sofrendo mais com a restrição de venda do diesel. 

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As informações foram relatadas por representantes do setor em entrevistas concedidas ao programa Bom Dia Cidade desta terça-feira (10).

Segundo o diretor da rede de postos Ferrari, Henrique Portella, o mercado vive um momento de incerteza, com restrições no fornecimento e aumento rápido de preços.

— Desde sexta-feira, as companhias começaram a colocar os combustíveis em restrição. Se você pede 10 mil ou 15 mil litros, muitas vezes liberam no máximo 5 mil, quando liberam — afirmou.

Portella explica que a situação ocorre tanto por estratégia das distribuidoras quanto por aumento da procura, já que empresas e consumidores estão antecipando compras por medo de desabastecimento.

— A base (da Ipiranga) de Santa Maria costuma carregar 20 ou 30 caminhões por dia. No sábado, tinha cerca de 80 esperando para carregar. Muita gente está estocando combustível com receio de faltar — relatou.

Em uma das principais distribuidoras da região, a Ipiranga, perto da Faixa Velha de Camobi, o carregamento de diesel não estava liberado nesta terça (10). Pelo menos quatro caminhoneiros disseram que o aplicativo da distribuidora informava que não havia possibilidade de carregar diesel. Não foi informado se o motivo seria o desabastecimento do combustível ou retenção do produto.


Preço já subiu nas bombas

Nos postos da cidade, o impacto já aparece no valor cobrado do consumidor. Em um posto próximo ao Trevo do Castelinho, o diesel comum é vendido a cerca de R$ 6,99, enquanto o diesel S10 chega a R$ 7,09.

Para empresas que dependem do combustível diariamente, o aumento tem pesado no orçamento. O empresário Thomas Marques, da transportadora LogMarques, afirma que a elevação ocorreu de forma muito rápida.

— Em poucos dias, o diesel subiu mais de R$ 1. Isso pega forte porque nossa margem já é baixa. A gente ainda não conseguiu encontrar alternativa, e provavelmente vai ter que repassar parte desse custo para o cliente — disse.

Ele destaca que a dificuldade é explicar o aumento para os clientes.

A Petrobras diz que não repassou aumento, mas na bomba já chegou. Então, fica complicado justificar para quem contrata o frete — comentou.


Restrição também atinge transportadoras

O problema não se limita aos postos. Empresas de transporte também relatam dificuldade para comprar diesel diretamente das distribuidoras.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística de Santa Maria (Sindisama), Paulo Rogério Brondani, afirma que o combustível está sendo liberado em volumes menores que os solicitados.

A gente pede um volume e, quando vai carregar, a distribuidora corta pela metade. Isso acontece em várias bases. Além disso, o preço muda quase todos os dias — afirmou.

Segundo ele, em cerca de 20 dias o valor do diesel S10 cotado pelas distribuidoras passou de R$ 5,38 para cerca de R$ 6,10.

— O vendedor manda mensagem dizendo que subiu sete centavos, depois mais três centavos. Isso acontece diariamente — relatou.

Para as empresas de transporte, a consequência pode chegar rapidamente ao consumidor.

— Quando o diesel sobe, inevitavelmente isso vai parar no preço do frete e depois no preço final dos produtos no mercado — explicou.


Impacto internacional

A alta do combustível está ligada à escalada do preço do petróleo no mercado internacional, provocada pelo conflito no Oriente Médio. Desde o início da guerra, o barril do petróleo tipo Brent já chegou a subir mais de 60% em relação ao valor registrado antes do conflito - valia US$ 72 antes da guerra e teve pico de US$ 117 na madrugada de segunda-feira, mas voltou a baixar após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que a guerra estaria perto do fim. Na manhã desta terça-feira, o barril estava cotado em cerca de US$ 90.

O principal motivo dessa alta expressiva é o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O Irã afirmou que o estreito está bloqueado e que, se algum navio tentar passar, será atacado, o que aumentou a tensão no mercado e pressionou os preços.

Mesmo sem reajuste oficial da Petrobras nas refinarias, refinarias privadas e distribuidoras já repassaram aumentos ao longo dos últimos dias. É que, na segunda-feira (9), o diesel do Exterior estava R$ 2,74 mais caro do que o produto no Brasil, enquanto a gasolina tinha diferença de R$ 1,24. Isso faz com que as importadoras parem de comprar diesel de fora do Brasil para evitar um prejuízo enorme, já que não vão conseguir repassar um aumento de R$ 2,74 para as distribuidoras e postos de combustíveis. O problema de risco de desabastecimento só deve acabar se o petróleo baixar muito, o que depende do fim da guerra, ou se a Petrobras aumentar os preços nas refinarias, o que aumentaria a margem de aumento interno dos preços para as importadoras que trazem diesel do Exterior.


​Petrobras diz que pode mitigar impacto

Em nota enviada à imprensa, a Petrobras afirmou que pode reduzir parte do impacto da alta do petróleo sobre os preços no Brasil, mesmo diante das variações do mercado internacional.

Segundo a estatal, a atual estratégia comercial permite considerar fatores como custos de refino e logística para evitar repasses imediatos das oscilações externas ao mercado interno.

“Em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, a Petrobras reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil”, informou a empresa, acrescentando que busca manter períodos de estabilidade nos preços sem comprometer a rentabilidade.

Em entrevista à Agência Brasil, a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, apontou que essa margem de manobra existe porque a companhia deixou de adotar, em 2023, a política de paridade internacional, que vinculava diretamente os preços domésticos ao mercado global. Ainda assim, analistas avaliam que a capacidade de segurar aumentos é limitada, especialmente porque o Brasil ainda importa parte do diesel consumido no país.


Preocupação com possível falta

Apesar de ainda não haver desabastecimento generalizado em Santa Maria, empresários temem que a situação possa piorar caso o cenário internacional continue instável. A preocupação é vivida também por empresas do transporte coletivo e agricultores, que entram na fase de colheita e transporte de grãos, que depende de combustível. 

Portella afirma que o aumento da procura pode acelerar o problema.

— Quando sai notícia de possível falta, muita gente começa a abastecer mais e estocar. Isso acaba fazendo o combustível faltar mais rápido — disse.

De acordo com estimativas do setor de importação de combustíveis no país, o Brasil teria estoque de diesel suficiente para cerca de 15 dias, caso as importações sejam afetadas.

Na última quinta-feira (5), segundo o aplicativo Menor Preço, do governo do Estado, o diesel mais barato em Santa Maria estava em R$ 5,67. No mesmo posto, o litro está sendo vendido nesta terça (10) a R$ 6,16 a R$ 6,34.

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