Foto: Vinicius Becker
A assinatura da ordem de serviço da Estrada do Perau, marcada para a tarde desta segunda-feira (26), representa o início efetivo de uma das obras mais aguardadas da Região Central desde as chuvas de maio de 2024. Em entrevista ao Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, o deputado federal Paulo Pimenta (PT) reconheceu a frustração da população com a demora, mas destacou que o atraso esteve diretamente ligado à complexidade técnica da intervenção, que envolve contenção de encostas, estabilização de maciços rochosos e reconstrução estrutural da via.
— Quando a gente trabalha com dinheiro público, muitas vezes as coisas não acontecem na velocidade que a gente gostaria. Um exemplo é a obra do Perau. Nós gostaríamos que ela tivesse iniciado muito antes, mas foi exigido todo um trabalho técnico de análise do terreno, do solo, de soldagem e de proteção das encostas. Não é só a recuperação da pista — afirmou o parlamentar.
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Questionado sobre a cobrança recorrente da comunidade, que acompanhou anúncios e atos anteriores sem ver máquinas no local, Pimenta afirmou compreender a desconfiança e disse compartilhar da expectativa de que o cenário mude imediatamente.
— Eu espero chegar lá hoje e ver as máquinas trabalhando. É para isso que a gente trabalha: para que as coisas aconteçam — enfatizou.
Obra complexa
O projeto prevê a reconstrução de um trecho de aproximadamente 60 metros de extensão e 7 metros de largura, que permanece totalmente interditado desde os deslizamentos provocados pelas fortes chuvas de maio de 2024. A obra será executada pela empresa FG Fundações e Geotecnia Ltda, de São Paulo, vencedora da licitação no modelo semi-integrado, no qual a contratada é responsável tanto pela elaboração dos projetos quanto pela execução dos serviços. A empresa é a mesma que atua nas obras de contenção de encostas na BR-158, em Itaara.
O prazo contratual é de 18 meses, justamente em função da complexidade da intervenção, considerada uma obra de engenharia pesada, com investimento que ultrapassa R$ 20 milhões.
Durante a entrevista, o deputado fez questão de ressaltar que, embora os recursos tenham sido garantidos pela União, a execução da obra é de responsabilidade da prefeitura de Santa Maria.
— O Governo Federal viabiliza os recursos, mas a execução é da prefeitura. Foi fruto desse trabalho conjunto que conseguimos chegar a este momento, para que hoje a gente possa dar a ordem de início e permitir que a obra seja, finalmente, executada — disse.
A prefeitura informou anteriormente que, assim que a ordem de serviço fosse assinada, a empresa iniciaria a limpeza da área e, em paralelo, a elaboração dos projetos executivos, permitindo o avanço gradual das frentes de trabalho.
Solução definitiva e revitalização
O deputado também contextualizou a obra dentro de um novo padrão adotado no Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024, que passaram a redefinir os parâmetros de segurança das obras públicas.
— Todas as obras de engenharia do Rio Grande do Sul, isso envolve rodovias federais, estaduais, municipais, elas tinham como referência a chamada cota de 1941, que havia sido a maior enchente. Agora, elas passam a ter uma outra cota, que é a cota de 2024. Então, muitas pontes e muitas obras que estão sendo feitas não podem ser feitas da maneira como eram antes, são pontes mais altas, são pontes mais robustas, o que acaba sendo uma coisa positiva – relatou.
Ao abordar as ações de reconstrução pós-enchentes, o deputado também destacou o programa Compra Assistida, criado em Santa Maria e que hoje se tornou uma política nacional. Segundo Pimenta, o modelo surgiu ainda durante as obras da Travessia Urbana, quando famílias precisaram ser removidas de áreas de risco.
— O Compra Assistida começou aqui em Santa Maria. Quando tivemos que remover 14 famílias na época da Travessia, criamos um modelo em que o poder público ajudava as famílias a escolherem o imóvel que queriam adquirir. Quando levei essa proposta para o Ministério da Reconstrução, a Caixa e o Ministério das Cidades nunca tinham feito isso — relatou.
O sucesso da iniciativa levou à ampliação do programa em nível nacional. De acordo com o deputado, o governo federal já construiu mais de 13 mil imóveis e deve atingir, nesta semana, a marca de 10 mil escrituras entregues por meio do Compra Assistida.
— São imóveis de até R$ 200 mil, pagos 100% pelo Governo Federal. Centenas de famílias de Santa Maria já foram beneficiadas. É um programa que virou referência e hoje faz parte da política nacional de reconstrução — afirmou.
Além da recuperação da ligação entre Santa Maria e Itaara, Pimenta adiantou que já há discussões para um projeto futuro de revitalização da região do Perau, explorando seu potencial histórico e turístico.
— Depois de resolver a segurança e a trafegabilidade, precisamos pensar num grande projeto de revitalização. É uma região histórica, com enorme potencial turístico, importante tanto para Santa Maria quanto para Itaara — afirmou.
A assinatura da ordem de serviço ocorre às 16h desta segunda-feira. A expectativa é que, a partir dela, a população passe a acompanhar não apenas atos formais, mas o avanço concreto de uma obra considerada estratégica para a mobilidade, a segurança e o desenvolvimento regional.
Confira a entrevista completa