Antes da retirada definitiva, Santa Maria ainda tem pelo menos oito orelhões; veja onde

Cercado por vegetação, o orelhão da BR-158 é um dos aparelhos desativados do município. Fotos: Vinicius Becker (Diário)

Os orelhões, oficialmente chamados de Telefones de Uso Público (TUPs), estão em processo de extinção no Brasil e devem desaparecer definitivamente das ruas até o fim de 2028, conforme determina a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em Santa Maria, onde já chegaram a existir mais de 1,1 mil aparelhos em funcionamento em 2018, nenhum telefone público está ativo atualmente. Ainda assim, pelo menos oito estruturas resistem no espaço urbano, mesmo desativadas.

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Em meio ao avanço dos celulares e ao encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa, os antigos orelhões permanecem como vestígios de uma era em que a comunicação dependia de fichas e cartões. Para registrar o estado de conservação desses aparelhos, a reportagem percorreu diferentes regiões do município e mapeou um a um os telefones públicos ainda existentes. Veja abaixo: 


Orelhões em Santa Maria


📍 Avenida Presidente Vargas —  Centro

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Localizado na Avenida Presidente Vargas, no Centro, o orelhão não possui mais a parte do fone que vai ao ouvido. A cabine apresenta pichações e adesivos tanto na parte interna quanto na externa, contrastando com o bom estado geral do aparelho. Mesmo com os danos visuais, o equipamento segue conectado à rede telefônica.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Enquanto aguardava o ônibus na parada ao lado de um dos orelhões mapeados pela reportagem, a aposentada Célia Terezinha Batista, de 66 anos, moradora do Bairro Boi Morto, conta que usou o aparelho várias vezes, principalmente para falar com a filha, ainda na época das fichas e cartões. Atualmente, ela afirma que não lembra a última vez que precisou usar um orelhão.

- Agora tem celular, né? Todo mundo usa o celular - comenta.

Surpresa, Célia disse que não sabia que os orelhões seriam retirados das ruas nos próximos anos.Foto: Vinicius Becker (Diário)




📍 Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo — Rua José Bonifácio

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Em frente ao Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo, na Rua José Bonifácio, no Centro, um dos orelhões ainda mantém boa parte da estrutura original. A capa superior do fone, onde se apoia o ouvido, também foi arrancada, mas o restante do aparelho segue conservado. A cabine não apresenta pichações, apenas marcas de cola de adesivos já removidos. O equipamento ainda está conectado à rede, com o cabo visível.

Foto: Vinicius Becker (Diário)




📍 Escola Estadual de Ensino Médio Professora Maria Rocha

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Em frente à Escola Maria Rocha, na Rua Conde de Porto Alegre, está o orelhão mais destruído entre os encontrados pela reportagem. O fone foi completamente arrancado e o que restou da parte superior permanece suspenso apenas pelo fio. A cabine está tomada por pichações e o aparelho já não possui mais conexão com a rede telefônica.

Foto: Vinicius Becker (Diário)




📍 Universidade Franciscana — Rua Silva Jardim

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Na frente da Universidade Franciscana (Ufn), na Rua Silva Jardim, também está sem a parte superior do fone, assim como os aparelhos localizados em frente ao Hospital de Caridade e na Avenida Presidente Vargas. A cabine tem pichações por dentro e por fora e os números e o visor foram cobertos com tinta preta. Diferentemente da maioria, este modelo é mais baixo e tem formato arredondado. O equipamento segue ligado à rede telefônica.

Foto: Vinicius Becker (Diário)




📍 Escola Municipal de Ensino Fundamental Duque de Caxias — Rua Francisco Lameira

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Dentro da Escola Duque de Caxias, na Rua Francisco Lameira, no Bairro Duque de Caxias, o orelhão está acoplado à parede e não possui cabine. Visualmente, aparenta estar em bom estado de conservação, sem sinais evidentes de depredação, destoando da maioria dos aparelhos encontrados em áreas externas.




📍 BR-158 — sentido Santa Maria–Itaara

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Às margens da BR-158, no sentido Santa Maria–Itaara, quase em frente ao posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), um dos orelhões mais bem conservados chama atenção por estar quase escondido, cercado de mato no lado direito da pista. O modelo aparenta ser mais antigo, com botões, gancho e suporte metálico para cartão telefônico. Sem pichações ou adesivos, a cabine está preservada, com apenas pequenas plantas crescendo ao redor. 




📍 UFSM — próximo ao Husm e Biblioteca Central


Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), dois orelhões dividem o mesmo ponto, quase em frente ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), na diagonal da Biblioteca Central. É o único local onde a reportagem encontrou esse modelo duplo. Um dos aparelhos é mais baixo, com cabine arredondada e reforço nas bordas; o outro é mais alto, com formato menos curvo. Ambos têm pichações e adesivos, mas seguem em bom estado interno e conectados à rede telefônica.



O fim de uma era. Mas por quê?

O processo de extinção dos orelhões se intensificou após o encerramento dos contratos de concessão da telefonia fixa, firmados em 1998 e encerrados em dezembro de 2025. Com isso, Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixaram de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos.

Conforme a Anatel, cerca de 38 mil aparelhos ainda permanecem no território nacional, mas a retirada já começou. Em janeiro, iniciou-se a remoção em massa de carcaças e equipamentos desativados. Os orelhões só devem ser mantidos, e de forma temporária, em cidades onde não há cobertura de telefonia móvel, e apenas até 31 de dezembro de 2028. A previsão é que 30 mil sejam desativados.

Em 2020, o Brasil ainda tinha cerca de 202 mil orelhões espalhados pelas ruas.

Como contrapartida pela desativação dos telefones públicos, a Anatel determinou que as empresas redirecionem recursos para investimentos em infraestrutura de telecomunicações. Entre os compromissos assumidos, estão a implantação de redes de fibra óptica, expansão da telefonia móvel com tecnologia mínima 4G, conectividade em escolas públicas e construção de data centers.

— As empresas assumiram compromissos de manutenção da oferta de serviço de telecomunicações com funcionalidade de voz (incluindo os orelhões), em regime privado, por meio de quaisquer tecnologias, em localidades nas quais as empresas forem as únicas prestadoras presentes, até o prazo máximo de 31 de dezembro de 2028 — esclareceu a Anatel.

Leia todos os detalhes aqui.


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