Bons frutos

Conheça a inspiradora árvore poética do bairro Nossa Senhora do Rosário

Dandara Flores Aranguiz

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Há 57 anos, o poeta Paulo Fernando Maciel Rodrigues se inspira nos acontecimentos da vida para escrever poesias. Al­gumas delas ornamentam o pé de cinamomo da esquina da Rua São José com a Ernesto Beck, no bairro Nossa Senhora do Rosá­rio. O aposentado, de 68 anos, escreveu sua primeira poesia aos 11 anos, sobre a Batalha dos Guararapes.

Espaço Victorio Faccin é palco de diversas atividades culturais no bairro Rosário

– Por incrível que pareça, escrevi sobre o que não gosto. Numa aula, me encantei com a história dos heróis da batalha e resolvi escrever sobre isso. Mi­nha mãe, apesar de semianal­fabeta, sempre me incentivou a ler e escrever. Ela declamava as poesias, é um gosto que vem de família – revela Paulo.

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Hoje, a temática dos poemas diferem do cenário de guerras. O poeta do Rosário gosta de escrever sobre o amor, sobre as mulheres e críticas sociais. De­pois de tantos anos dedicados à literatura, ele já perdeu as con­tas de quantas poesias escreveu. Nunca publicou um livro, mas já participou de antologias nas dé­cadas de 80 e 90, em editoras de Brasília e São Paulo.

– Não existe papel e caneta que resistam a mim. Tudo me inspira. Eu tenho a mania de fazer poesia em homenagem às pessoas e ao caráter, como forma de agradecimento. A minha mãe dizia que a gente recompensa a pessoa boa e educada – conta.


Árvore Poética fica na Rua São José, esquina com a Rua Ernesto Becker. (Foto: Jean Pimentel / Agência RBS)

Mas Paulo é conhecido mes­mo por espalhar a beleza das palavras pela comunidade. Além do dom da escrita, ele comparti­lha com os vizinhos sua poesia. Na esquina da sua casa, ele cuida da Árvore Poética, como a bati­zou. Em um pedaço de madeira minuciosamente lapidado com alguns galhos de pessegueiro, ele pendura folhas impressas com o seu trabalho:

– Estou sempre criando coi­sas e pensando. Como também sou marceneiro e artesão, tive a ideia, há uns sete ou oito anos mais ou menos, de pendurar os poemas na árvore. Primeiro eu pensei no nome: Árvore Poética.

Uma musa a cada esquina

O poeta só interrompeu o trabalho por dois anos. Recente­mente, recuperou a tábua poéti­ca, pintou e recolocou no pé do cinamomo. Os rascunhos eram guarda­dos em prateleiras, no guarda­-roupa, debaixo da cama, pela casa toda.

Depois, eles foram todos passados para o digital, e os papéis foram colocados fora. Um dos maiores arrependi­mentos, segundo o poeta. Pouco tempo depois, um vírus infectou o sistema operacional do com­putador e muitos poemas foram perdidos, inclusive um projeto de um livro sobre suas musas inspiradoras.

– Em cada rua da cidade, eu tenho duas ou três musas. Poe­ta não escolhe musa, é química, boa sintonia. Não é por beleza – justifica.

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