Quem ajuda precisa de ajuda

Instituições beneficentes de Santa Maria devem intensificar campanhas para seguirem ativas em 2016

Mariana Fontana

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Se as perspectivas de um 2016 difícil deixam em alerta empresas e órgãos públicos, imagine como está quem depende de doações? Esse é o caso das entidades beneficentes em Santa Maria. As instituições contam com o apoio de voluntários e de doadores para se manter.

As verbas são esporádicas e as doações espontâneas, mas, em época de crise, estão rareando. Para continuar aberta, a maioria das instituições deve intensificar as campanhas de arrecadação, como risotos, rifas e outras promoções e tentar reduzir os custos. Ou seja, diminuir as despesas e, em alguns casos mais graves, até fazer corte de pessoal.

O Lar de Mírian e Mãe Celita, no bairro Patronato, contabiliza uma redução de 50% nas doações, em especial nas contribuições em dinheiro.  E a expectativa para o próximo ano não é animadora. De acordo com a coordenadora geral do Lar, Suzi Sangoi Rodrigues, o local é subsidiado por uma verba emergencial do município, mas o recurso não é suficiente e precisa ser completado por doações e campanhas solidárias. A direção deve reduzir o número de funcionários em 2016.

– A crise realmente afetou as entidades e nós temos que nos preparar para não começar o ano ainda pior. Dói muito ter que dispensar um funcionário. Porém,  teremos que dispensar 15 dos 52 profissionais – afirma Suzi.
O local atende 32 crianças no acolhimento e, diariamente, cerca de 50 participam de atividades e têm acesso a refeições.

– A gente vê queda nas doações diariamente, de dinheiro, de roupas e de alimentos. É triste, porque as crianças não sabem o que é crise e que ela existe. Elas só querem ter o alimento delas naquele horário de sempre, porque muitas vêm aqui apenas pela refeição – diz a coordenadora geral.

A maior preocupação da entidade é que, além de cortar funcionários, seja preciso também reduzir as refeições.

– A gente não tem medo de perder o emprego, mas o nosso maior receio é com as crianças. Se não fosse isso daqui, essas crianças iriam estar nas ruas, sem alimentos – comenta a professora Daniela Abdalla, 36 anos, que trabalha no lar há 10 anos.

Apae também pena

Na Apae, que conta com um centro de reabilitação desde agosto, os recursos, provenientes do Estado, não chegaram. A entidade se mantém com doações e dois profissionais, um neurologista e um traumatologista, que estão trabalhando de graça. Segundo o presidente, Julio Cesar Brenner, o centro atende os pacientes, mas não tem condições de fornecer materiais como cadeiras de rodas e próteses.

– Precisamos contratar mais fisioterapeutas, mas e se não vem recursos, como vou pagar? Vamos concorrer em projetos da cidade para conseguir recursos e fazer campanhas para arrecadar verbas. Mas é tudo uma incógnita, não sabemos como vai ser o outro ano – destaca Brenner.

E no fim das contas, o presidente da Apae apela para a fé:
 – Diante da atual conjuntura, estamos rezando.

As apostas das 16 entidades para se manter em 2016


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