Microexplosão ou tornado? Especialista da UFSM esclarece o fenômeno em Giruá

Microexplosão ou tornado? Especialista da UFSM esclarece o fenômeno em Giruá

Foto: Divulgação

As imagens de um tornado registrado na madrugada desta quarta-feira (29) em Giruá, no Noroeste do Rio Grande do Sul, impressionaram e assustaram pela intensidade do episódio. As imagens mostram o funil de vento avançando sobre uma área rural durante o temporal que atingiu o Estado.

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Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN (93.5 FM), o meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Murilo Lopes, explicou como esse tipo de fenômeno se forma, por que ele ocorre no Rio Grande do Sul e quais são as diferenças em relação às chamadas microexplosões, frequentemente confundidas com tornados.


Tornados surgem a partir de tempestades rotativas

Segundo Lopes, as condições atmosféricas dos últimos dias favoreceram a formação de tempestades conhecidas como supercélulas, um tipo específico de tempestade que desenvolve rotação.

– Havia uma condição muito favorável a tempestades no Rio Grande do Sul, especialmente às chamadas supercélulas. Essas tempestades adquirem rotação por causa do padrão de ventos na atmosfera e podem produzir granizo de grande tamanho e vendavais intensos, como aconteceu, por exemplo no Norte do Estado. Porém, em algumas situações mais específicas, elas são capazes de produzir tornados – explica.

O meteorologista ressalta que, embora não ocorram com frequência em um mesmo local, os tornados não são fenômenos raros no Estado.

– Esse é um fenômeno típico do Rio Grande do Sul, principalmente entre o fim do inverno e a primavera. Ele tem uma ocorrência mais restrita, atingindo áreas relativamente pequenas, mas pode percorrer alguns quilômetros – esclarece.


Ventos podem superar 150 km/h

Ainda não há uma estimativa oficial da intensidade do tornado registrado em Giruá, já que equipes seguem avaliando os danos nas propriedades atingidas.

Mesmo assim, Lopes afirma que os estragos indicam ventos bastante intensos:

– Pelo que foi observado até agora, esse tornado deve ter produzido ventos de pelo menos 150 km/h. Uma avaliação mais detalhada dos danos permitirá estimar essa velocidade com maior precisão.

Ele lembra que os tornados estão entre os fenômenos meteorológicos com os ventos mais fortes já registrados na superfície do planeta. Em outros países, como os Estados Unidos, já foram medidas rajadas superiores a 500 km/h em eventos deste gênero.


Tornado e microexplosão não são a mesma coisa

Durante a entrevista, o meteorologista também esclareceu uma dúvida comum em períodos de instabilidade: a diferença entre um tornado e uma microexplosão. Segundo ele, apesar de ambos provocarem danos causados pelo vento, a formação dos fenômenos é completamente diferente. 

No tornado, os ventos giram em torno de um eixo e formam uma coluna rotativa que se estende da nuvem até o solo.

– O tornado está associado justamente à área de rotação da tempestade. Ele funciona como um aspirador de pó, concentrando a poeira e os destroços em direção ao seu centro – ilustra.

Já a microexplosão acontece dentro da área de chuva da tempestade. Uma grande massa de ar frio e pesado desce rapidamente da nuvem, atinge o solo e se espalha em todas as direções, provocando rajadas muito fortes.

– É como uma grande bolha de ar mais frio e pesado que desce da nuvem. Quando ela atinge a superfície, o vento se espalha para fora. Essa é a principal diferença em relação ao tornado, que concentra o vento em um movimento de rotação – distingue.


Confira o registro do tornado em Giruá


Fenômeno pode voltar a ocorrer

Embora o tornado registrado em Giruá tenha chamado a atenção pelas imagens, Lopes destaca que a combinação de fatores atmosféricos que favorece esse tipo de tempestade pode voltar a ocorrer no Rio Grande do Sul, especialmente entre o fim do inverno e a primavera.

Segundo ele, sempre que houver formação de supercélulas, existe a possibilidade de ocorrência de tornados em pontos isolados, embora sejam fenômenos localizados e de difícil previsão exata.


Telefones de emergência

Em caso de necessidade, a população pode acionar os seguintes órgãos:

  • Defesa Civil: 153 e WhatsApp (55) 99110-7940
  • Corpo de Bombeiros: 193 e WhatsApp (55) 98454-5968
  • Brigada Militar: 190 e WhatsApp (55) 99939-0190
  • Samu: 192, (51) 3320-0100, (51) 3322-0192 e (55) 3307-9737
  • Superintendência de Trânsito: 153 e WhatsApp (55) 99931-1244
  • Guarda Municipal: 153 e WhatsApp (55) 99167-8452
  • Comando Rodoviário da Brigada Militar: 198, (55) 3225-1009 e WhatsApp (51) 98687-2667
  • Polícia Rodoviária Federal: 191 e WhatsApp (55) 99123-3488


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