Foto: Vinicius Becker (Diário)
Computadores desligados e cartazes marcaram o início da tarde desta quinta-feira (21) no Fórum de Santa Maria. O ato fez parte do “Apagão no Judiciário”, uma paralisação organizada pelo Sindicato dos Servidores Judiciários do Rio Grande do Sul (Sindijus/RS) em diversas comarcas. A mobilização busca pressionar o Tribunal de Justiça do Estado (TJRS) por recomposição salarial e melhores condições de trabalho.
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O ato foi convocado após forte engajamento da categoria em manifestações iniciais. O objetivo é denunciar a crescente precarização da força de trabalho no TJRS, que hoje figura entre as piores remunerações da categoria no país. Em Santa Maria, os servidores optaram por uma paralisação interna, interrompendo as atividades e desligando os computadores entre 13h e 14h como forma de pressionar negociações efetivas.

A paralisação contou inclusive com a adesão de servidores que atuam em regime de home office (de casa). Nas salas do prédio, os trabalhadores expuseram cartazes com frases como “Reajuste já” e “TJRS: Sem valorização o selo ouro vira latão”.
"Valorização dos servidores"
Um dos diretores do Sindjus/RS e representante da categoria em Santa Maria, Josué Bento de Freitas, de 59 anos, destaca os motivos do manifesto:
– A nossa maior reivindicação é a valorização dos servidores, tanto ativos quanto aposentados. O ritmo e a velocidade do nosso trabalho aumentaram muito, a dinâmica atual é impressionante, por isso precisamos de uma valorização concreta.

Além do índice de recomposição de 17,8% – calculado com base em estudos técnicos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para garantir equidade com outros tribunais –, a categoria cobra da atual Administração do TJRS a revisão da matriz salarial.
Piores salários do país e o "selo de latão"
Em entrevista ao programa Direto da Redação, da Rádio CDN (93.5 FM), nesta quinta-feira (21), o presidente do Sindjus/RS, Osvaldir Rodrigues da Silva, destacou que Santa Maria foi um dos polos da mobilização ao lado de Pelotas e da Capital. O presidente criticou o contraste entre as premiações recebidas pelo tribunal gaúcho e a realidade financeira da categoria:
– O Tribunal de Justiça é considerado "selo ouro" pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas selo ouro para nós não adianta de nada se não tivermos valorização. Temos acompanhando as alterações do Poder Judiciário nessa nova gestão e já temos mais de três meses sem nenhum atendimento das pautas. Valorização salarial é fundamental, porque selo ouro sem valorização vira latão. Esse é o chavão da nossa campanha.
De acordo com levantamentos do Dieese apresentados pelo sindicato, o funcionalismo gaúcho está em posições muito baixas no cenário nacional. O cargo de técnico judiciário, que concentra o maior volume de trabalhadores do órgão, ocupa apenas a 19ª posição no ranking de remuneração entre os tribunais de justiça estaduais do Brasil.
Perda de renda na aposentadoria e falta de pessoal
Outro ponto crítico da pauta de reivindicações é a criação de um auxílio-social para os servidores aposentados. O sindicato denuncia que o servidor perde o direito a benefícios como o auxílio-alimentação, a Gratificação de Desenvolvimento Institucional (GDI) e as gratificações por substituição de funções. Estados vizinhos, como Santa Catarina, já adotam o pagamento de auxílio aos inativos equivalente ao valor pago na ativa.

A federação também aponta que a falta de pessoal e a ausência de novos concursos públicos têm precarizado o atendimento e gerado sobrecarga crônica nas comarcas do interior. Há relatos de secretarias operando com apenas um ou dois servidores, inviabilizando transferências e o usufruto de férias sem que o setor fique totalmente desassistido.
Confira a entrevista completa com o presidente: