"Nossa disposição é licitar esse projeto em 2026", diz governador Eduardo Leite sobre obra de duplicação da Faixa Nova de Camobi

Foto: Vinicius Becker

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), avaliou 2025 como um ano de reconstrução, reorganização e consolidação de políticas estruturantes após os impactos dos desastres climáticos de 2024. Em entrevista ao programa Central CDN, nesta sexta-feira (9), ele destacou avanços fiscais, investimentos históricos e a preparação do Estado para enfrentar eventos extremos com mais resiliência.

+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp

Durante a conversa, Leite também respondeu a questionamentos sobre temas diretamente ligados a Santa Maria e região, como as obras na RSC-287, a possibilidade de antecipação da duplicação no trecho até a Quarta Colônia, o projeto da Faixa Nova de Camobi e os investimentos na estrutura do Corpo de Bombeiros após o incêndio no Colégio Marista. Também falou sobre futuro político,que está em aberto. 

Confira abaixo como respondeu o governador a cada uma das questões:


Ano de recuperação

Antes de entrar nas pautas de Santa Maria e região, que avaliação o senhor faz do governo no ano de 2025?

— 2025 é o ano pós-enchente, o ano seguinte ao nosso maior desastre climático, que foi 2024. É naturalmente um ano de implementação do Plano Rio Grande, de melhor organização dos eixos de atuação do governo do Estado, porque reconstrução não é simplesmente refazer ponte ou casa. É dar resiliência. É fazer uma ponte nova capaz de suportar eventos climáticos, pavimentar trechos que serviram como rotas alternativas, retirar famílias de áreas de risco, implementar novos radares meteorológicos, novas estações hidrometeorológicas e sistemas de proteção contra cheias.

— Tudo isso está dentro do Plano Rio Grande, estruturado por eixos, com diversos programas e projetos, com investimento que vai chegar a quase R$ 15 bilhões por parte do governo do Estado, a partir do nosso fundo de reconstrução. E, aliado a isso, seguem os projetos do plano de governo que já vinham sendo implementados.

— Quando a gente olha a jornada ampliada, estamos entrando no último ano de um ciclo de dois mandatos. Saímos de um Estado em situação fiscal crítica para um Estado que, apesar de pandemia e desastres climáticos, está de pé, avançando, melhorando indicadores em segurança, educação e saúde. Não está perfeito, mas está melhor, diferente. Entramos em 2026 com muita confiança.


As obras na RSC-287

Existe possibilidade de antecipar a duplicação da RSC-287, especialmente no trecho entre Santa Maria e a Quarta Colônia, sem aumento de pedágio?

— Nós temos uma concessão rodoviária da RSC-287 e houve intercorrências relacionadas ao evento climático, como as pontes do Arroio Grande e do Arroio Barriga. Isso passou a ser prioridade no reequilíbrio contratual para viabilizar os investimentos. Foi feito um reequilíbrio cautelar para permitir o início das obras.

— Não fazia sentido reconstruir a ponte como era antes, então se decidiu fazer uma ponte nova já em trecho duplicado. Essas obras serão entregues este ano e não haverá paralisação.

— A antecipação de obras impacta o cronograma físico-financeiro da concessão e precisa ser observada à luz do impacto na tarifa. Se tecnicamente e juridicamente for possível, haverá discussão com a comunidade sobre a conveniência e a pertinência, porque isso pode ter impacto na tarifa.


Esse debate, sobre a antecipação da duplicação, pode avançar em 2026?

— Acho que sim. É possível, sempre observando as regras do contrato e da concessão, com absoluta transparência e lisura. Se for possível fazer a antecipação dentro das regras vigentes, será feito. E, se houver entendimento da comunidade, isso pode acontecer ainda dentro deste ano.


A duplicação da Faixa Nova

Há previsão para a conclusão do projeto e recursos para a duplicação da Faixa Nova de Camobi?

— Estamos falando de um trecho de cerca de 10 km, com investimento estimado em R$ 200 milhões, envolvendo pelo menos dois viadutos, em uma área densamente ocupada. O projeto, conforme informações do Daer, está em fase final e deve estar apto para licitação em 2026.

— Aí entram as discussões orçamentárias do Estado. Por isso é importante entender o papel das concessões em regiões como Metropolitana, Serra e Litoral, que concentram mais de 60% da população. Se o Estado não fizer concessões nessas regiões, terá de investir cerca de R$ 12 bilhões com orçamento próprio, o que reduz recursos para outras regiões.

— Nossa disposição é licitar esse projeto em 2026, observando a capacidade orçamentária do Estado.


O incêndio no Colégio Marista e investimentos no Corpo de Bombeiros

Após o incêndio no Marista, surgiram questionamentos sobre a falta de um caminhão com escada mecânica em Santa Maria. O Estado teria recursos para isso? 

— As duas escadas mecânicas existentes hoje foram compradas no nosso governo. Fizemos o maior investimento da história da segurança pública do Estado. O Corpo de Bombeiros aumentou em 74% o número de viaturas, passando de cerca de 500 para mais de 900, além de um aumento de 170% em equipamentos.

— As duas autoescadas Magirus existentes, uma em Porto Alegre e outra em Caxias do Sul, também foram adquiridas no nosso governo.

— Cada investimento envolve escolhas. A cada autoescada que se compra, são menos caminhões autobomba-tanque. Neste momento, não há um pedido do Corpo de Bombeiros para aquisição de uma autoescada para Santa Maria. Todas as demandas apresentadas pela corporação estão sendo atendidas.

— O investimento total do nosso governo em segurança pública passa de R$ 2 bilhões. Renovamos frotas antigas, ampliamos viaturas, adquirimos helicóptero e estamos comprando o segundo. É outra condição de estrutura. As demandas evoluem, e o objetivo é que essa evolução seja contínua.


Eleições em 2026

O PSD tem dois possíveis presidenciáveis, o senhor e o governador do Paraná, Ratinho Júnior. Qual é hoje o indicativo do partido diante do cenário polarizado entre Lula e Bolsonaro?

— O que o presidente Kassab (Gilberto, presidente nacional do PSD) tem mencionado, e que corresponde à minha visão também, é que, nesse contexto polarizado entre Lula e Bolsonaro, nós não estaremos com nenhum deles. A nossa disposição é de construir uma candidatura própria do PSD.

— Se o governador Tarcísio fosse um candidato que representasse a direita, com maior capacidade de diálogo e de construção de um caminho mais ao centro, o presidente Kassab já destacou que deveríamos apoiá-lo. Mas não é esse o encaminhamento que se faz naquele campo político.

— Portanto, a nossa disposição é de ter uma candidatura própria. No momento adequado, vamos definir de que forma isso vai se dar. Imagino que entre o final de janeiro e o início de fevereiro intensifiquemos essas discussões internas para definir o posicionamento do partido.


O senhor se coloca como pré-candidato?

— Eu tenho essa disposição, porque, assim como muitos brasileiros, não me sinto representado nessa polarização radicalizada, em que o foco é destruir o adversário e não construir um Brasil novo.

— Se eu quero ver algo diferente no cenário político, me sinto chamado a liderar esse processo, se assim entenderem. Agora, se o partido entender que o governador Ratinho Júnior deva ser esse nome, eu vou ajudar.

— Eu não faço política de maneira personalista. Não é sobre atender aspiração pessoal, é sobre atender a minha aspiração como brasileiro, de ver o país com mais serenidade, equilíbrio e bom senso.


Caso Ratinho Júnior seja o candidato do PSD, o senhor poderia ser vice? Há negociações com outros partidos?

— Nem a primeira etapa foi cumprida. A definição de vice acontece no momento das convenções, em junho ou julho. Não há nenhuma composição antecipada.

— O que eu digo é: eu tenho disposição de liderar o projeto, se o partido entender assim. Se entender que o caminho é outro, vou focar minha energia no processo sucessório estadual.


O senhor tem um prazo pessoal para definir seu futuro político, considerando o prazo legal para renunciar o governo,início de abril?

— Eu entendo que o mês de fevereiro será determinante. Março já será um mês de organização das coisas para o caminho que tiver sido tomado.

— Ao longo de fevereiro deve ocorrer essa definição sobre onde melhor eu posso contribuir. Isso pode significar, inclusive, não concorrer a nada e seguir como governador até o último dia.


Como estão as articulações em torno da sucessão estadual e da pré-candidatura do vice-governador Gabriel Souza?

— Essa é uma situação nova. Pela primeira vez, um governador foi reeleito e, portanto, o governador que está no cargo não é candidato. Isso muda completamente a dinâmica.

— Estamos dialogando profundamente com todos os partidos da base. É legítimo que Progressistas, MDB e outros partidos queiram protagonizar. Mas, acima de tudo, existe um projeto comum para o Estado.

— Não pode ser sobre aspiração individual ou partidária, tem que ser sobre um projeto para o Rio Grande do Sul. O esforço agora é de muito diálogo e conversa.


Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Anterior

"Nossa disposição é licitar esse projeto em 2026", diz governador Eduardo Leite sobre obra de duplicação da Faixa Nova de Camobi

Médico de Bolsonaro confirma traumatismo craniano leve Próximo

Médico de Bolsonaro confirma traumatismo craniano leve

Política