Disputa a presidente da República tem 13 pré-candidatos e dois protagonistas

Disputa a presidente da República tem 13 pré-candidatos e dois protagonistas

Foto: Ministério do Turismo (Divulgação)

O Brasil vivia o clima da Copa do Mundo com a Seleção na disputa pelo título até o último domingo (5),quando caiu para a Noruega. Com isso, a eleição ficou em segundo plano e as táticas e estratégias do jogo eleitoral estavam mais restritas aos bastidores. O certo é que o pleito bate à porta e, agora, sem Copa para o Brasil e a menos três meses para o 1° turno – 4 de outubro –, quando os eleitores vão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais, o clima de eleição deve predominar.

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No país, há 13 presidenciáveis; contudo a disputa eleitoral está polarizada entre direita e esquerda, no caso entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para seu sucessor. Pesquisas de diferentes institutos apontam o petista na liderança dos cenários nos dois turnos. Entretanto, a maioria dos levantamentos mostra um empate técnico ente Lula e Flávio em um eventual 2° turno.

Além da polarização, a disputa presidencial é assombrada pelo maior escândalo financeiro do país, o do Banco Master, operado por Daniel Vorcaro. O caso já respingou nos dois líderes das pesquisas, porém em escalas diferentes. O filho zero um de Bolsonaro teve de se explicar depois que mensagens e áudios vieram à tona do senador pedindo dinheiro a Vorcaro para o filme sobre a história do pai – Flávio sustenta que não há nada de errado por envolver dinheiro privado. Já Lula teve de tirar da liderança do governo no Senado, o seu amigo de longa data Jaques Wagner (PT), que teria recebido um apartamento de presente do banqueiro. O político, por sua vez, garante não ter cometido ilegalidade.

Os dois presidenciáveis têm ainda outros problemas para administrarem. Flávio está envolto em um conflito que começou na cozinha do clã Bolsonaro, mas transbordou para o PL. A madrasta e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro lavou a roupa suja pelas redes sociais, queixando-se de que o enteado a humilhou e a maltratou. Flávio chegou a pedir desculpas a Michelle se a ofendeu. Mas as declarações e alfinetadas em redes seguem em uma guerra declarada.

Rejeição

Já Lula tem de administrar o alto índice de desaprovação do seu governo, mesmo com as muitas ações lançadas na véspera da campanha. Os dois protagonistas até aqui também estão em empate técnico no quesito rejeição.
Para o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) José Carlos Martines, a campanha deste ano reproduzirá o cenário de 2022.
– O eleitor está muito segmentado no antipetismo e no petismo, igual a eleição de 2022 – avalia ele.
Apesar do desgaste dos líderes das pesquisas, os demais pré-candidatos, em número de 11, não conseguem decolar, especialmente os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Também do espectro da direita, os dois presidenciáveis se lançaram como uma terceira via à polarização e, ao mesmo tempo, angariar votos na base eleitoral de Flávio. Entretanto, até agora, não obtiveram êxito e ainda viram Renan Santos, do Missão e ex-MBL, fenômeno da direita entre os jovens, encostar – ele aparece em terceiro lugar. nas pesquisas. Renan se apresenta como antissistema.

De acordo com o professor Martines, a eleição centralizada “entre o lulismo e o bolsanarismo” não deixa margem para outros aspirantes ao cargo.
– Acaba que não sobra espaço para outras candidaturas – acrescenta o cientista político.

Ainda entre os outros oito pré-candidatos, estão nomes conhecidos de eleições anteriores. São os casos de Rui Costa Pimenta (PCO) e Cabo Daciolo (Mobilização). Há também figuras que eram cogitadas em outros pleitos e não se confirmaram. Primeiro negro a assumir como ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa era cotado nas disputas de 2018 e 2022 e, agora, foi lançado pelo Democracia Cristã (DC). Há também presidenciáveis que são novidade e desempenham atividades longe da política. Chamado de Outsider, um dos autores de livros de autoajuda mais vendidos do país, Augusto Cury foi apresentado pelo Avante e está em pré-campanha.
Fazem parte, ainda, da lista de pré-candidatos ao Planalto Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Heró Bezerra (PRTB) e Samara Martins (UP).

Chapas incompletas

A menos de três meses da eleição, o cenário não está consolidado, uma vez que nomes podem ser confirmados, como o deputado federal Aécio Neves (PSDB), e outros podem sair da corrida presidencial, além de boa parte das chapas não estar completa. Dos 13 pré-candidatos atuais, só Lula, Caiado e Renan definiram seus vices – no caso do presidente, ele mantém o companheiro de chapa de 2022, o vice Geraldo Alckmin (PSB); o ex-governador escolheu Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD; e Renan anunciou o gaúcho Aroldo Medina (Missão).


Quem são os 13 presidenciáveis

Confira os pré-candidatos lançados, oficialmente, até agora para presidente. A ordem é alfabética:

  • Augusto Cury (Avante) – Psiquiatra, palestrante e um dos autores de livros de autoajuda mais vendidos do país, concorre pela primeira vez a um cargo eletivo. Fora da política, é considerado outsider
  • Cabo Daciolo (Mobiliza) – Bombeiro militar e ex–deputado federal pelo Rio de Janeiro, disputou a eleição presidencial de 2018 pelo Patriota e ficou conhecido pelo famoso bordão “Glória a Deus”
  •  Edmilson Costa (PCB) – Militante histórico do PCB, é economista e pesquisador em economia brasileira, além de autor de livros sobre política e desenvolvimento econômico
  •  Flávio Bolsonaro (PL) – Filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro, o advogado foi o escolhido para ser seu sucessor na disputa presidencial. Senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, ele foi deputado estadual por mais de15 anos pelo Estado fluminense
  • Heró Bezerra (PRTB) – Presidente estadual do PRTB de Rio Grande do Norte, o bispo evangélico já concorreu a governador, à prefeitura da capital Natal e ao Legislativo
  • Hertz Dias (PSTU) – Militante dos movimentos sindical e negro, é professor de história na rede pública do estado do Maranhão, pelo qual concorreu a governador em 2022. Também atua como rapper
  •  Joaquim Barbosa (DC) – Primeiro negro a assumir vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), foi presidente da Corte e ganhou projeção nacional como relator do esquema de corrupção do mensalão
  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Forjado no movimento sindical, é ex-metalúrgico e um dos fundadores do PT. Eleito presidente nas eleições de 2002, 2006 e 2022, o ex-deputado federal disputará sua sétima eleição ao Palácio do Planalto
  •  Renan Santos (Missão) – Presidente nacional do partido Missão e empresário, é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL). Concorre pela primeira vez a cargo eletivo e se apresenta como antissistema
  •  Romeu Zema (Novo) – Empresário do ramo varejista, foi governador de Minas Gerais por dois mandatos
  • Ronaldo Caiado (PSD) – Pré-candidato a presidente em 1989 pelo hoje União Brasil, o médico e agropecuarista foi deputado federal, senador e governador de Goiás por duas gestões. Filiou-se recentemente ao PSD
  •  Rui Costa Pimenta (PCO) – Presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), é fundador do PCO depois de sair do PT. Jornalista, já disputou outras eleições presidenciais
  •  Samara Martins (UP) – Dentista do SUS no Rio Grande do Norte, concorreu a vice-presidente nas eleições de 2022 na chapa encabeçada por Leonardo Péric

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