As histórias dos associados da APUSM mostram como os vínculos construídos em Santa Maria seguem presentes, mesmo quando a vida leva para outros estados. Nesta edição do “Associados pelo Brasil”, conhecemos a trajetória da professora Ana Luiza Ruschel Nunes, de 74 anos, atualmente residente em Ponta Grossa, no Paraná, mas com uma longa caminhada marcada pela educação, pela arte e pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Natural de Cerro Largo, Ana Luiza carrega em sua trajetória as raízes da imigração alemã no Rio Grande do Sul. Filha de Manoel Abrilino Ruschel e Maria Olíbia Sulzbacher Ruschel, viveu parte da infância e juventude entre Cerro Largo e São Luiz Gonzaga, cidades onde iniciou sua formação escolar e deu os primeiros passos na vida profissional.
Foi em Santa Maria, porém, que construiu grande parte de sua história pessoal e acadêmica. Casada desde 1974 com Japir Nunes, mudou-se para a cidade para iniciar seus estudos na UFSM, onde se formou em Educação Artística, com habilitação em Artes Plásticas. Posteriormente, realizou cursos de pós-graduação, mestrado em Educação pela própria UFSM, doutorado em Educação pela UNICAMP e pós-doutorado em Artes Visuais pela UDESC.
Ao longo de sua trajetória na Universidade Federal de Santa Maria, Ana Luiza atuou em diferentes frentes ligadas ao ensino, à pesquisa, à extensão e à gestão universitária. Trabalhou como professora da Escolinha de Arte do Centro de Artes e Letras e, posteriormente, tornou-se professora efetiva da UFSM, vinculada ao Departamento de Metodologia do Ensino, no Centro de Educação.
Durante décadas, participou diretamente da formação de professores nas áreas de Artes Visuais, Educação Especial e Pedagogia, atuando em cursos de graduação e pós-graduação. Também integrou projetos importantes dentro da Universidade, como a criação do Laboratório de Ensino de Artes Plásticas, do Laboratório de Metodologia de Ensino do Centro de Educação e da proposta de implantação do curso de Doutorado em Educação da UFSM.
Além da atuação acadêmica, Ana Luiza também esteve presente em movimentos importantes ligados à educação e ao ensino da arte no país. Foi integrante da criação da Associação Gaúcha de Arte e Educação, presidiu a Federação de Arte Educadores do Brasil e participou de articulações nacionais em defesa do ensino da arte nas escolas brasileiras.
Ao relembrar sua trajetória em Santa Maria, ela destaca que a cidade e a Universidade foram fundamentais na construção de sua identidade pessoal e profissional.
“A minha vida pessoal e profissional se construiu em Santa Maria. Foi na UFSM que me constituí como professora, pesquisadora e formadora de professores. Tenho uma gratidão imensa pela Universidade Federal de Santa Maria, pelo Centro de Educação e pelo Centro de Artes e Letras”, afirma.
Mesmo vivendo há anos no Paraná, Ana Luiza mantém viva a conexão com as origens gaúchas e com os vínculos construídos durante sua trajetória acadêmica.
“As diferenças existem quando a gente muda de território, porque deixamos relações, amizades e uma história construída ao longo da vida. Mas a identidade gaúcha permanece para sempre no coração da gente”, destaca.
A mudança para o Paraná aconteceu após a aposentadoria na UFSM, motivada também pela proximidade com a família. Em 2007, iniciou uma nova etapa profissional na Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde segue atuando até hoje na graduação e na pós-graduação, além de ter exercido cargos de gestão e coordenação acadêmica.
Ao olhar para sua caminhada, Ana Luiza destaca a gratidão pelas experiências vividas e pelas pessoas que fizeram parte de sua história.
“Tenho a maior gratidão por tudo e por todos. Sempre procurei fazer um trabalho ético, comprometido com a educação e com a formação humana. Acredito muito no papel transformador da educação e da arte”, ressalta.
As lembranças de Santa Maria seguem presentes em sua rotina, assim como o carinho pelos colegas, alunos e amizades construídas ao longo de décadas. Para ela, a saudade é também uma forma de manter vivos os laços com a cidade e com a Universidade.
Histórias como a de Ana Luiza mostram que, independentemente da distância, os vínculos com a APUSM, com a UFSM e com Santa Maria seguem atravessando gerações, conectando trajetórias marcadas pela dedicação à educação, à cultura e à formação de pessoas.
