Alívio no campo

Após anos de estiagens severas e enchentes, milhares de produtores rurais acumulam dívidas impagáveis. Muitos financiaram insumos e estrutura, mas perderam tudo com a frustração das safras. Sem receita, a inadimplência cresce e afeta toda a economia local – do campo à cidade.


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Agro em crise, cidade em alerta

A crise no campo não afeta apenas quem planta. Impacta toda cadeia: transporte, indústria, comércio e serviços. Cidades inteiras no interior dependem da renda gerada pelo agro. Quando o produtor quebra, a economia local entra em colapso – e todos perdem. A renegociação das dívidas não é perdão. É medida organizada para evitar o colapso financeiro no campo e na cidade, manter a produção ativa e proteger a base econômica de centenas de municípios.


Chance de recomeçar

A aprovação do PL 5122 é uma forma de renegociar os débitos com prazos maiores e juros compatíveis com a possibilidade de pagamento. É uma linha com recursos do Fundo Social para refinanciar dívidas e aprovada por ampla maioria: 346 votos a favor e 96 contrários. A proposta agora segue para análise no Senado Federal e sanção do presidente para começar a valer. Se aprovada em definitivo, até R$ 30 bilhões poderão ser usados para essas renegociações, com recursos do Fundo Social – ligado ao pré-sal. Para os produtores, é mais do que um socorro: é a chance de recomeçar. Além de uma ação social que vai evitar desempregos no campo e na cidade, já que milhares de famílias dependem direta ou indiretamente da produção do agro.


Regras para a renegociação
Poderão aderir produtores que tiveram perdas superiores acima de 30% em pelo menos duas safras ou que estão em municípios com decretos de emergência ou calamidade entre 2020 e 2025. A proposta permite renegociar dívidas vencidas – inclusive aquelas já renegociadas ou em cobrança judicial – com carência de até 3 anos e prazos que podem chegar a 20 anos. Os juros variam conforme o perfil do produtor: 3,5% ao ano para agricultores familiares, 5,5% para médios e 7,5% para os demais. Durante o período de negociação, ficam suspensas cobranças judiciais, protestos e bloqueios de crédito, o que dá ao produtor a chance de recuperar o fôlego e voltar a investir.


Sem água e seguro, o risco continua

A aprovação da securitização é fundamental no momento que vivemos, mas não é uma solução definitiva. O setor precisa de políticas estruturantes que tragam segurança, agilidade, clareza e apoio técnico para quem trabalha no campo. Um seguro agrícola eficiente é essencial. Investimentos em irrigação também precisam ser prioridade. Além disso, é urgente desburocratizar o licenciamento ambiental e facilitar a reservação de água. O produtor quer fazer a coisa certa, mas muitas vezes esbarra em exigências que atrasam ou inviabilizam obras essenciais para enfrentar a seca. Sem essas medidas, o risco continuará alto, e os mesmos problemas voltarão a se repetir. A securitização traz alívio, mas o campo precisa de prevenção, planejamento e liberdade para produzir com responsabilidade.


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Daniela Minello

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