Foto Vinicius Becker
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) divulgou um documento em que lista as obras prioritárias de infraestrutura para que várias regiões do Estado se tornem mais competitivas. O documento pode balizar as propostas dos candidatos para as eleições e para o próximo governo. Para a região de Santa Maria, além de citar a importância da modernização do aeroporto da Base Aérea, que na prática passa por estudos para construir um novo aeroporto, a entidade cita a importância de novas duplicações de rodovias.
A Fecomércio destaca como fundamentais as duplicações da RSC-287, entre Santa Maria e Tabaí – que tem obras em andamento, mas prevê a conclusão só em 2042, com possibilidade de antecipação do trecho até a Quarta Colônia –, e da BR-158, entre Santa Maria e Iraí, por ser um importante corredor de exportação da safra. Dessa rodovia, não há projeto algum prevendo duplicação, pois o governo federal desistiu do projeto de concessão para pedágios e só tem feito poucas novas terceiras faixas em alguns trechos. Entre Santa Maria e Júlio de Castilhos, a rodovia tem vários trechos em péssimas condições e pista simples, que facilitariam a ultrapassagem de carretas.
A Fecomércio-RS define ainda a construção da nova BR-392, entre Santo Ângelo e Santa Maria, que seria um novo corredor para exportação das Missões ao porto de Rio Grande. Agora, o Dnit está fazendo os projetos executivos de engenharia que vão detalhar como será a rodovia de 223 km, cujo traçado já foi definido. Ela começará no Arenal, a 15 km de Santa Maria e partirá em direção à sede do Distrito de Santa Flora e à Faixa de Rosário, onde passará a cerca de 18km da cidade. Depois, o traçado seguirá em direção a Dilermando de Aguiar e chegará na BR-287, a cerca de 15 km de Santa Maria, seguindo em direção a Jari e Santo Ângelo. O Dnit espera ter os projetos prontos até o final de 2027 para, depois, buscar as verbas e tentar licitar a construção da rodovia, devendo fazer primeiro os trechos perto de Santa Maria e Santo Ângelo.
Outro pedido importante da Fecomércio-RS é de investimentos na Ferrovia Malha Sul e na integração ferroviária entre diferentes regiões do Estado. Atualmente, o governo federal está fazendo consultas públicas, ao longo de julho, e estima lançar o leilão de concessão da ferrovia em três partes até o final do ano. Um lote vai de Cruz Alta-Santa Maria-Cacequi-Rio Grande, incluindo a reativação do ramal Dilermando a Santiago. Outro lote parte de São Paulo em direção a Porto Alegre, e da Capital a Santa Maria, terminando em Uruguaiana. Já o terceiro lote é no Paraná e Santa Catarina, interligando os portos de Paranaguá (PR) e Itajaí (SC).
O levantamento da entidade parte do entendimento de que a infraestrutura logística ocupa papel central no desenvolvimento econômico, uma vez que impacta diretamente os custos operacionais das empresas, a produtividade, a integração regional, o escoamento da produção e a mobilidade de pessoas. A partir dessa perspectiva, a Fecomércio mapeou obras consideradas prioritárias em sete regiões do Estado, reunindo projetos capazes de qualificar a conexão entre pólos produtivos e ampliar a eficiência do ambiente de negócios gaúcho.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, a qualificação da infraestrutura de transportes precisa ocupar posição central nas estratégias de desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
- O Estado necessita avançar em uma agenda permanente de investimentos capazes de reduzir gargalos logísticos históricos que limitam nossa competitividade. Infraestrutura eficiente significa menor custo para produzir, maior capacidade de atrair investimentos, fortalecimento das empresas locais, geração de empregos e mais desenvolvimento para todas as regiões gaúchas. Essa agenda traduz demandas concretas do setor produtivo e aponta prioridades fundamentais para que o Rio Grande do Sul amplie sua capacidade de crescimento econômico de forma sustentável - afirma Bohn.
O fato de a Fecomércio também defender essas obras como prioritárias significa um apoio importante para que esses projetos não sejam esquecidos e que sejam levados adiante por quem vencer as eleições no Estado e no país.