Jornal A Palavra, Reprodução
Site de São Sepé noticiou o flagrante de um morador, que filmou os javalis cruzando o trevo da cidade
Mais de 10 javalis foram flagrados por um motorista quando cruzavam pelo trevo de acesso a São Sepé, na quarta à noite. Segundo o site A Palavra, da cidade, eles atravessam a pista e seguiram em direção a Caçapava do Sul. Entre eles, havia vários filhotes.
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Chama a atenção por terem passado por dentro da cidade. Esses animais são um risco aos motoristas, que podem bater neles nas rodovias e se envolverem em um acidente grave. Os javalis, segundo o Ibama, são espécies exóticas, estando entre as 100 pragas invasoras que provocam mais danos ao meio ambiente (leia mais abaixo).
A INVASÃO DO JAVALI
O que diz o site do Ibama: "A espécie foi introduzida em diversas regiões do mundo devido ao interesse humano como animal de criação, consumo e caça. Os primeiros registros do javali na América do Sul ocorreram na Argentina, em 1904, e, no Brasil, em 1961. No entanto, a invasão do javali no País se ampliou nos anos 1990 (SALVADOR, 2012), passando de alguns registros nos municípios do extremo sul do Brasil para outros sem conexão com estes, por exemplo, municípios dos estados de São Paulo e da Bahia, em menos de uma década. A criação ilegal desses animais é um dos principais fatores para essa dispersão (SALVADOR, 2012).
Atualmente (estudo divulgado em 2020), a espécie já foi registrada em todas as regiões do País, em 1.536 municípios de 22 unidades da Federação (Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins), com mais frequência nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (Figura abaixo)."

IMPACTOS AMBIENTAIS E ECONÔMICOS DO JAVALI
O Ibama afirma o seguinte: "O javali foi declarado, pela Instrução Normativa Ibama nº 3, de 31 de janeiro de 2013, nocivo às espécies silvestres nativas, aos seres humanos, ao meio ambiente, à agricultura, à pecuária e à saúde pública. O javali é considerado, pela IUCN, uma das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo, sendo responsável por uma série de prejuízos tanto para a biodiversidade quanto para a agropecuária.
Estes animais causam danos à flora e à fauna nativa, desregulam processos ecológicos e atuam no desencadeamento de processos erosivos e de assoreamento de corpos d’água.
Os principais impactos ambientais causados pelos javalis, registrados na América do Sul, são: predação de animais nativos, competição com animais nativos, predação de sementes, alteração da comunidade vegetal, danos ao solo e aos corpos d’água, alteração na qualidade da água, distúrbios na vegetação e no solo.
Os javalis são também responsáveis por prejuízos na produção agrícola e representam grave risco sanitário para a atividade pecuária. Os javalis causam prejuízos em diversos tipos de culturas, mas os maiores danos registrados foram em plantações de milho. Os ataques de javalis podem se tornar uma questão social relevante em regiões com mais áreas de lavouras pequenas e de agricultores familiares, pois podem perder até 100% de sua lavoura.
Além disso, os javalis representam um grave risco sanitário para a atividade pecuária, podendo ser reservatórios de doenças que podem afetar, sobretudo, a suinocultura. Essa preocupação deu origem ao Plano de Vigilância em Suínos Asselvajados na zona livre de Peste Suína Clássica do Brasil do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento conforme Norma Interna DSA nº 03/2014."