Fotos: Vinicius Becker (Diário)
Atividade mobiliza esquadrões de aviação de caça, patrulha e reconhecimento, além de equipes responsáveis por comunicações, controle e defesa antiaérea.
Mais de 300 militares estão participando de um dos principais exercícios operacionais da Força Aérea Brasileira em Santa Maria. As atividades começaram na última segunda-feira (2) e devem seguir até o dia 16 na Base Aérea de Santa Maria (Basm), integrando equipes da Aeronáutica, Marinha e do Exército Brasileiro em missões voltadas à inteligência, vigilância e reconhecimento.
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O Exercício Operacional (EXOP) de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) reúne aeronaves, drones, sensores em solo e sistemas cibernéticos em um cenário que simula situações de conflito contemporâneo. Ao todo, cerca de 10 unidades militares participam do treinamento, que tem como objetivo instruir as equipagens nas ações de Reconhecimento Aeroespacial (Rec Aepc), Reconhecimento Especial (Rec Esp), Apoio Aéreo Aproximado (ApAA), Supressão de Defesa Aérea (SDAe) Vigilância Aeroespacial (Vig Aepc), Controle Aéreo Avançado (CAA), Defesa Cibernética (Def Ciber) e Inteligência (Intlg).
De acordo com o diretor do exercício e comandante da Base Aérea de Santa Maria, coronel aviador Arthur Ribas Teixeira, o objetivo é preparar as equipes para lidar com os desafios dos conflitos atuais, que exigem cada vez mais integração entre diferentes meios e tecnologias:
– Hoje em dia, vemos que os conflitos atuais evoluem muito rápido. Eles se modernizam muito rápido com novos meios, novas defesas, novas aeronaves de interceptação e novas táticas de emprego. Então, o exercício busca adestrar os meios da Força Aérea para estarem preparados para todo tipo de missão voltada à inteligência e vigilância e reconhecimento.
Segundo o comandante, conhecer o ambiente operacional e as capacidades do adversário é um dos pilares para qualquer ação militar.
– Sabemos que em qualquer conflito ou situação, você tem que ter conhecimento anterior. Você tem que saber quem você está enfrentando e quais são as características. O conhecimento do oponente é primordial para que a gente possa ter uma ação bem realizada – comenta coronel Arthur.

Treinamento em cenário multidomínio

O exercício simula um cenário de conflito de “quarta geração”, conceito utilizado para descrever guerras modernas que combinam ações militares convencionais com ataques cibernéticos, operações de informação e outras formas de pressão estratégica. Nesse contexto, o treinamento envolve o que os militares chamam de atuação em multidomínio, integrando operações no ar, em terra, no espaço e no ambiente digital.
– O multidomínio é a aplicação de todos os meios em vários cenários. Então é terra, ar, espaço, cibernética. São vários domínios onde a gente tem que enfrentar essa ameaça e também aplicar as nossas capacidades – explica o coronel Arthur.
Na prática, isso significa combinar informações obtidas por satélites, aeronaves de reconhecimento, tropas em solo e sistemas eletrônicos para construir um panorama completo da área de operações.
O processo começa com a identificação de possíveis alvos e posições estratégicas por meio de sensores espaciais e aeronaves. Em seguida, essas informações são refinadas por equipes especializadas e, quando necessário, repassadas para unidades que simulam ações de neutralização dessas ameaças.

Duas fases de operação

O treinamento foi dividido em dois momentos distintos. Nesta primeira semana, até sábado (7), o cenário simula um ambiente de tempo de paz, no qual os militares realizam missões de coleta de informações sem exposição direta.
Já na segunda etapa, que deve ocorrer da próxima segunda-feira (9) até sábado (14), o exercício passa a representar um cenário de conflito aberto, com operações mais ofensivas e ações como supressão de defesas aéreas inimigas e apoio aéreo aproximado.
– Esse exercício especificamente foi concebido para ser realizado em dois cenários. Temos uma primeira semana em que o conflito não começou, então estamos operando dentro do território amigo buscando o máximo de informações possível. E chega um momento na segunda semana que é o cenário de conflito, no qual começamos a ter ações mais ostensivas e ofensivas – comenta o comandante da Base Aérea.
Aeronaves, drones e sistemas de defesa

Entre os meios utilizados no exercício estão aeronaves de caça, reconhecimento e patrulha, helicópteros e aeronaves remotamente pilotadas. Também participam sistemas de defesa antiaérea e veículos blindados empregados pelo Exército Brasileiro.
O treinamento inclui, por exemplo, a simulação de identificação de radares inimigos, reconhecimento de posições militares e monitoramento de possíveis ameaças aéreas, incluindo drones de pequeno porte.
Segundo o comandante da base, o exercício também permite avaliar o desempenho dos sensores e das tecnologias empregadas pelas Forças Armadas:
– Ao simular essas ameaças híbridas, integração e multidomínio, aprofundamos as capacidades e os conhecimentos dos sensores e do que a gente tem. Isso contribui para que a gente tenha evolução doutrinária e capacidade de pronta resposta.

Integração entre as Forças Armadas
Um dos pontos centrais do treinamento é a integração entre as três Forças Armadas. O exercício reúne militares da Aeronáutica, do Exército e da Marinha em operações conjuntas.
— O ideal não é trabalharmos sozinhos. A gente trabalha em conjunto com Marinha, com Exército, para que possamos num momento de conflito ou mesmo em situações de crise utilizar nossos meios integrados. Ao saber reconhecer, ao integrar as Forças Armadas e ao treinar essa prontidão, a gente consegue, numa situação de crise, utilizar os nossos meios da maneira mais eficiente possível e com isso salvar vidas. Esse é o objetivo final – afirma o coronel Arthur.
A Base Aérea de Santa Maria sedia o exercício desde 2019 e, segundo o comandante, oferece condições estratégicas para esse tipo de treinamento, com espaço aéreo adequado e estrutura operacional capaz de apoiar atividades de grande porte:
– Esse exercício já está na sétima edição. E cada edição que a gente faz, a gente aprimora como é que a gente vai fazer o treinamento, como é que vai ser a doutrina, o que a gente vai desenvolver, quais os meios a gente vai trazer, como é que a gente vai utilizar a evolução do cenário.
Unidades Aéreas

- 2 unidades de caça
- 1 unidade de asas rotativas
- 2 unidades de ARP
- 2 unidades de patrulha
- 2 unidades de reconhecimento
- 3 unidades de defesa aae
- 1 unidade de transporte
Quem participa

O treinamento conta com a participação de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Marinha do Brasil (MB), entre elas: A-1M, A-29, C-98, R-99, P-3AM, H-60L, P-95M. Também são utilizadas Aeronave Remotamente Pilotadas RQ-900 e RQ-1 SCAN EAGLE (este, da Marinha do Brasil), bem como meios de Defesa Antiaérea IGLA-S, além dos blindados M-113, Guarani e Gepard, do Exército Brasileiro (EB).
Ao todo, 10 Unidades participam do Exercício, que envolve Esquadrões das Aviações de Caça, Reconhecimento e Patrulha, além de Esquadrões que atuam em Comunicações e Controle e Defesa Antiaérea. O Exército Brasileiro, representado pela 3ª Divisão de Exército (3ª DE), participa do treinamento com meios da 6ª Brigada de Infantaria Bilndada (6ª Bda Inf Bld), do 1º Regimento de Carros de Combate (1º RCC), do 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada (6º Esqd C Mec), do 29º Batalhão de Infantaria Blindado (29º BIB) e da 6ª Bateria de Artilharia Antiaérea Autopropulsada (6º Bia AAAe Ap). A Marinha do Brasil atua por meio do 1° Esquadrão de Aeronaves Remotamente Pilotadas (EsqdQE-1).
