O problema não é a nova geração

Santa Maria não enfrenta um “choque geracional”. Enfrenta um choque de liderança. Cidade universitária, polo regional de serviços, saúde, educação e repartições públicas, Santa Maria forma e atrai jovens qualificados todos os anos. Hoje, esses jovens pertencem majoritariamente à chamada Geração Z — pessoas nascidas entre 1997 e 2012, que atualmente têm entre 13 e 28 anos.

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​Esse dado não é periférico. A Geração Z já representa cerca de 27% da força de trabalho global, segundo relatórios internacionais sobre o futuro do trabalho. Ou seja, não estamos falando de um grupo “que ainda vai chegar”. Eles já estão aqui, ocupando escritórios, repartições públicas, hospitais, empresas de tecnologia, comércio e serviços em Santa Maria.

Ainda assim, o discurso se repete: “os jovens não se comprometem”. A pergunta que poucos líderes se permitem fazer é mais incômoda: com o quê, exatamente, eles deveriam se comprometer?
A nova geração não rejeita o trabalho. Rejeita trabalhos sem sentido, ambientes incoerentes e lideranças que exigem entrega total sem oferecer direção, desenvolvimento ou exemplo. Rejeita estruturas que pedem energia, mas não oferecem aprendizado; que cobram resultados, mas não explicam critérios; que falam em propósito, mas operam na contradição diária.


Estruturas que cansam antes de desenvolver

Nas empresas mais tradicionais, o modelo ainda é o mesmo: controle excessivo, decisões pouco explicadas, comunicação vertical e o silêncio é tratado como maturidade. Para os liderados de vinte e poucos anos, isso não é estabilidade. É desgaste. Esses profissionais querem clareza, autonomia e feedback. Não porque são frágeis, mas porque sabem que desempenho exige orientação. Quando não encontram isso, não fazem escândalo. Apenas se afastam emocionalmente, reduzem a entrega ou vão embora. O nome disso não é falta de comprometimento. É ausência de liderança relevante.


Um exemplo que desmonta desculpas

Uma organização de serviços em Santa Maria perdeu, em menos de um ano, jovens profissionais tecnicamente excelentes. Salários compatíveis, estrutura organizada, tudo “no papel” funcionava. O problema estava fora dos relatórios: líderes ausentes, decisões opacas e nenhuma conversa sobre desenvolvimento. 


Quando a gestão passou a praticar algo simples — conversas frequentes, critérios claros, autonomia com responsabilidade e acompanhamento real — o cenário mudou. Não foi mágica. Foi liderança. O trabalho deixou de ser apenas obrigação e passou a ter significado. Pessoas não ficam por empresas. Ficam por líderes.


A pergunta que todo líder precisa encarar

Como disse o autor Peter Drucker, “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”. No mundo do trabalho, isso significa assumir que o futuro da sua equipe é responsabilidade direta da sua liderança. A nova geração não pede menos exigência. Pede mais clareza, mais coerência e mais presença. Se eles não se engajam, talvez não seja porque não querem trabalhar. Talvez seja porque não querem trabalhar do jeito que você lidera.
Santa Maria tem talento, energia e diversidade institucional. O que definirá seu futuro não é a idade de quem entra nas organizações, mas a disposição de quem lidera em evoluir.
A pergunta final é simples – e também desconfortável: 
Se você fosse liderado por você, permaneceria?

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