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Futebol não é a especialidade da Coluna, mas quando a Terra se transforma no Planeta Bola não tem como ignorar sua importância, capaz de gerar fatos como o que nasceu num grupo de torcedores locais.
Na esperança do hexa
Quando a seleção brasileira entrar em campo o país vai parar e os corações vão disparar, na expectativa do hexacampeonato. Outras seleções também terão suas torcidas por aqui, formadas por descendentes e até pelos estrangeiros que aqui residem.
Torcida organizada de Curaçao
O que quase ninguém sabe é que Curaçao terá uma torcida organizada, em Santa Maria. A ideia de fundar uma “torcida organizada” surgiu de brincadeiras entre amigos, enquanto assistiam jogos de futebol de seus times. Contagiados pelo clima de Copa do Mundo, foram trocando ideias sobre as seleções, eliminatórias e curiosidades a respeito de alguns participantes.
Por que Curaçao?
Curaçao chamou a atenção, segundo o grupo, porque é a primeira vez que participa de uma Copa do Mundo. Além disso, é o menor país a participar da competição, tanto em área territorial quanto em população. Outro fator que pesou muito na escolha foi o espírito de nacionalismo demonstrado por alguns jogadores. Como muitos possuem nacionalidade holandesa, foi feito um esforço por parte de um grupo para que os demais optassem por jogar por Curaçao ao invés de atuarem pela Holanda. Entre estes estão um zagueiro que joga no PSV, da Holanda, um bom atacante nascido na ilha e dois irmãos de sangue que também atuam na Europa e decidiram defender seu país num contexto de globalização do futebol marcado por migrações, diásporas e outros fenômenos sociais.
Buscando informações
Desde março, o grupo, hoje formado por mais de 10 integrantes, vem buscando informações sobre Curaçao, criando cantos e gritos de guerra para torcer durante a Copa. Curaçao é uma ilha caribenha que conta com uma população de aproximadamente 158 mil habitantes, quase a metade de Santa Maria. O país faz parte do Reino dos Países Baixos, assim como outras ilhas no Caribe.
Sem ligação
O grupo não tem nenhuma ligação com Curaçao e ninguém sequer viajou ao país pelo qual torcerá. Para o jogo de estreia, neste domingo, contra a poderosa Alemanha, o esquenta começará ao meio-dia, com um churrasco.
Fundadores
Bonez é doutor em Ciências Sociais, pela Universidade Federal de Santa Maria. Sua pesquisa de doutorado, intitulada “Futebol é amor e saudade: uma etnografia com torcedores de futebol”, tratou da construção de identidades torcedoras ligadas ao Riograndense Futebol Clube, com origem ferroviária.
A pesquisa ressaltou as relações históricas e territoriais do clube esmeraldino com a zona ferroviária de Santa Maria, bem como o pertencimento e a memória ferroviária que estão presentes em muitas manifestações torcedoras, tanto em pessoas mais jovens quanto em antigos torcedores.
O trabalho também investigou as relações entre o torcer e a materialidade que compõe o futebol de botão/mesa entre um grupo de botonistas que fazem parte da AAMIFUME (Associação Amigos do Futebol de Mesa), sediada no clube (ferroviário) 21 de Abril, no Bairro Itararé.
Neste ponto, destaca o autor, a pesquisa percebeu a forte relação entre o futebol de botão/mesa, o torcer, clubes locais, rivalidades Gre-Nal e Rio-Nal, bairros da zona norte, sociabilidades de outros tempos, etc.
Neste domingo, quando fizer sua estreia, a seleção de Curaçao terá pelo menos 10 vozes que cantarão, gritarão e torcerão por seus jogadores, mesmo sem saber se um dia eles saberão de sua existência e dos motivos que os levaram a fazer esta escolha.