Com homenagem a bares históricos, Vila Brasil fará o último desfile da noite no retorno do Carnaval de Rua de Santa Maria

A escola de samba mais antiga em atividade de Santa Maria, pretender levar 700 componentes para o desfile.Foto: Pablo Iglesias

Quando a Associação Artístico Cultural Vila Brasil entrar na Avenida Liberdade, no dia 28 de março, caberá à escola mais antiga em atividade de Santa Maria encerrar uma noite que carrega mais do que espetáculo: carrega o reencontro da cidade com o próprio carnaval.

Fundada em 1959, a Vila Brasil atravessa o tempo com as cores vermelho e branco e o pavão estampado no estandarte, símbolo de uma trajetória construída por gerações. Ao longo das décadas, consolidou-se como uma das protagonistas da folia local. Em 2014, escreveu um de seus capítulos mais marcantes ao conquistar o título com um enredo que homenageou Salvador Isaía.

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Desafios recentes   

Mas o retorno à avenida, neste ano, não acontece sem desafios. Entre o fim de 2025 e o início de 2026, a escola enfrentou um dos momentos mais delicados de sua história recente: a saída dos pavilhões do Km-2, no Bairro Divina Providência, espaço que por décadas serviu como sede e local de ensaios. A área dará lugar a um centro de treinamentos do Inter-SM.

Sem um espaço fixo, a comunidade precisou se reinventar. Atualmente, a escola está sediada de forma provisória no antigo Departamento de Bochas do Inter-SM, anexo ao Estádio Presidente Vargas. Ao longo de março, os ensaios ganharam diferentes cenários. Em algumas noites, a casa de festas Easy Going, no Centro, se transformou em quadra improvisada para a bateria Pantera Furiosa, reunindo integrantes e simpatizantes. Já nos últimos dias, a escola também passou a utilizar um novo espaço no Bairro Noal, após adaptações.

Entre deslocamentos e improvisos, o que se manteve firme foi o vínculo com a comunidade vermelho e branco. É essa união que a escola pretende levar para a avenida com cerca de 700 componentes, distribuídos em alas e vestidos com abadás personalizados, acompanhados de adereços que darão brilho ao desfile.

Na avenida, o público também verá elementos tradicionais do desfile, como o casal de mestre-sala e porta-bandeira, a porta-estandarte e uma comunidade que promete transformar dificuldade em espetáculo. A assinatura do desfile é do carnavalesco Luciano Santos, artista plástico que também esteve à frente do título conquistado em 2014.

– Ninguém consegue matar a cultura popular, podem tentar, mas a cultura popular é latente. E a Vila Brasil vai desfilar como sempre desfilou na história do Carnaval de Santa Maria: arrebatadora. Quem sabe estaremos visualmente simples, mas com muita paixão. Eu enquanto carnavalesco abro mão da fantasia e vamos descer com abadás e adereços. Há mais de uma década apagam a gente e nós vamos descer para a rua em bloco, em massa, dessa vez – destacou Luciano.


Enredo  

O enredo deste ano traduz o momento vivido: resistência. Com samba assinado por Cesar Tabajara, a Vila Brasil presta homenagem a bares que marcaram época em Santa Maria - espaços de encontro, cultura e memória afetiva. Nomes como Balalaika, Skatto, Le Baron, Mimbakuera, Zanzibar, Panaceia e Trem das Onze serão revisitados na avenida, como quem revive histórias guardadas na cidade.

À frente da escola está o presidente Sergio Silva, que conduz a Vila Brasil ao lado da família, dando continuidade ao legado de Vera Marques, ex-presidente e campeã em 2006, cuja história permanece viva na agremiação.

– É importante destacar para todos que nós e as outras escolas vamos estar na proporção que era antigamente, mas a grande vitória é o Carnaval voltando com muita força, porque a procura está grande não só na Vila, mas nas outras escolas também. É uma retomada e que tem que ser bonita e eu não tenho dúvidas que será – enfatiza o Presidente da escola.

Ao encerrar o desfile, a Vila Brasil não fecha apenas uma noite. Ela reafirma a permanência de uma tradição que resiste ao tempo, às dificuldades e às mudanças. No último acorde, no último passo, estará também a certeza de que o carnaval de Santa Maria segue pulsando - sustentado pela memória e pela força de quem nunca deixou o samba silenciar.

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