Mesmo após eliminação, Ancelotti seguirá no comando da Seleção até a Copa de 2030

Mesmo após eliminação, Ancelotti seguirá no comando da Seleção até a Copa de 2030

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Com contrato renovado até 2030, técnico italiano adota discurso de mobilização e planeja renovação para a próxima Copa

A eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, com a derrota por 2 a 1 para a Noruega, gerou questionamentos sobre a continuidade do trabalho de Carlo Ancelotti. No entanto, a tendência é de permanência do treinador italiano à frente da seleção brasileira.

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Antes mesmo do início do Mundial, em 14 de maio, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a renovação do contrato de Ancelotti até a Copa do Mundo de 2030. Contratado em maio de 2025, o treinador deve seguir no comando durante todo o próximo ciclo, que culminará no Mundial sediado por Portugal, Espanha e Marrocos, com partidas também na Argentina, Uruguai e Paraguai, em celebração ao centenário da competição.

Com o novo vínculo, Ancelotti recebe cerca de 10 milhões de euros por ano (aproximadamente R$ 63,4 milhões), tornando-se o técnico de seleção mais bem remunerado do mundo.

Embora tenha reconhecido a frustração pela eliminação precoce, o italiano afirmou que não vê o resultado como o fim de seu trabalho.

— Não é um fim, é o início de um novo ciclo. O futebol é assim. Às vezes é preciso lidar com a tristeza de uma derrota. Estamos acostumados com isso e vamos transformar essa derrota em um novo impulso para o trabalho e para a evolução dos jogadores.

Ancelotti assumiu a Seleção pouco mais de um ano antes da Copa e foi o quarto treinador brasileiro no ciclo para 2026, sucedendo Ramon Menezes (interino), Fernando Diniz e Dorival Júnior. A troca constante de comando marcou uma preparação instável, refletida também na pior campanha da história do Brasil nas Eliminatórias Sul-Americanas.

Pela Seleção, Ancelotti soma 17 partidas, com 10 vitórias, três empates e quatro derrotas.


Comissão técnica deve passar por mudanças

Apesar da permanência do treinador, a comissão técnica deverá sofrer alterações. O principal auxiliar, Davide Ancelotti, filho de Carlo, deixará a Seleção para assumir o comando do Lille, da França.

Outro integrante que pode deixar a comissão é o preparador de goleirosTaffarel. Internamente, houve críticas sobre a condução do processo de renovação da posição ao longo do ciclo.

Também não está garantida a permanência do coordenador de seleções, Rodrigo Caetano, embora ele já tenha iniciado o planejamento para o próximo ciclo.

— Tenho de olhar mais para frente com esperança e expectativa que a gente tenha um ciclo mais normal, dentro daquilo que é ideal para o futebol e para o esporte de alto rendimento, que é você planejar com mais tempo e com mais calma — afirmou Caetano.

Auxiliar do pai, Davide Ancelotti (esq) assumirá equipe francesa. Já Marquinhos (dir) não deve fazer parte do ciclo para 2030Foto: Rafael Ribeiro/CBF


Renovação será prioridade

Um dos principais objetivos de Ancelotti será promover uma renovação mais profunda do elenco. O treinador entende que os 13 meses de trabalho antes da Copa foram insuficientes para realizar mudanças estruturais na equipe.

A tendência é que jogadores experientes como Casemiro, Marquinhos e Danilo não cheguem ao final do próximo ciclo, mas participem de uma transição gradual para a próxima geração.

— Temos que assumir essa culpa para que as próximas gerações possam ter tranquilidade para trabalhar — declarou o capitão Marquinhos após a eliminação.

Alguns nomes já observados pela comissão técnica devem ganhar mais espaço nos próximos anos. Entre eles estão o lateral Kaiki Bruno, o zagueiro Vitor Reis, o atacante Rayan, que acabou disputando a Copa de 2026 após convencer Ancelotti durante a preparação, e Endrick, que também ganhou protagonismo antes do previsto em razão das lesões de Rodrygo e Estêvão. Outros atletas monitorados são o zagueiro Natan e o meia Gabriel Sara.

O novo ciclo começa em setembro, quando o Brasil disputará amistosos contra a Austrália, nos dias 25, em Townsville, e 29, em Brisbane.

Convocado com apenas uma partida pela Seleção, Rayan se tornou titular na Copa e deve ser um dos nomes do novo cicloFoto: Rafael Ribeiro/CBF


Jejum histórico aumenta

A eliminação para a Noruega ampliou o maior período sem títulos mundiais da história da seleção brasileira. Desde a conquista do pentacampeonato, em 2002, o Brasil já acumula 24 anos sem levantar a taça e, mesmo que seja campeão em 2030, chegará a 28 anos de espera.

O intervalo supera a antiga marca entre o tricampeonato de 1970 e o tetracampeonato de 1994, quando a seleção passou 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo.

Além disso, a campanha encerrou outro tabu negativo. Pela primeira vez desde a Copa de 1990, na Itália, o Brasil foi eliminado antes das quartas de final. Naquele Mundial, a equipe comandada por Sebastião Lazaroni caiu nas oitavas diante da Argentina, derrotada por 1 a 0 com gol de Claudio Caniggia.

Desde então, a Seleção havia conquistado os títulos de 1994 e 2002, sido vice-campeã em 1998, alcançado as semifinais em 2014 e caído nas quartas de final nas edições de 2006, 2010, 2018 e 2022.

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