Por onde anda? Ídolo do Inter-SM se divide entre família, política e artilharia de campeonato amador

Por onde anda? Ídolo do Inter-SM se divide entre família, política e artilharia de campeonato amador

Foto: Jean Pimentel (Arquivo Diário)

Artilheiro como jogador e treinador do clube entre 2013 e 2014, Badico atua como assessor parlamentar em Pelotas

Mais de duas décadas depois de protagonizar uma das passagens mais marcantes da história do Inter-SM, o ex-atacante Rinaldo Lopes Costa, o Badico, ainda mantém o futebol como eixo central da rotina. 

Aos 57 anos, o ex-jogador divide os dias entre a família, o trabalho como assessor parlamentar na Câmara de Vereadores de Pelotas e a disputa de campeonatos amadores, onde segue acumulando números expressivos.

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A relação com o futebol, segundo ele, permanece inalterada desde os tempos de profissional.

– O futebol é o meu combustível. É o que me move, é o que me deu nome. Eu sou o Rinaldo Lopes Costa, mas foi o futebol que me fez ser o Badico, que fez as pessoas me conhecerem em vários lugares. Às vezes eu me surpreendo, porque estou parado há bastante tempo e ainda assim as pessoas me reconhecem, me tratam com carinho. Isso não tem preço – afirma, em depoimento ao repórter Gilson Alves, no Programa Papo D Esporte, da Rádio CDN 93.5 FM.


Carreira

Natural de Bagé, Badico iniciou a trajetória no Grêmio, em 1985, e ainda nas categorias de base teve passagem pelo São Paulo da capital paulista, onde conviveu com jogadores como Müller e Silas. A carreira profissional se consolidou em clubes do interior e em diferentes regiões do país, além de uma experiência internacional no Millonarios, da Colômbia.

Ao longo dos anos, acumulou passagens por equipes como Inter de Porto Alegre, Brasil de Pelotas, Ypiranga, São José-SP, Guarani e Joinville. Em 1989, foi artilheiro da Divisão de Acesso do Gauchão pelo Cruzeiro de Santiago, consolidando a característica que o acompanharia por toda a carreira: a capacidade de decidir jogos.

Apesar do grande número de clubes, é em Santa Maria que Badico concentra suas principais memórias no futebol. A passagem pelo Inter-SM, especificamente em 1998, é tratada por ele como um dos períodos mais intensos da carreira.

– O filme que passa na minha cabeça como jogador, vestindo a camisa do Inter de Santa Maria, é um dos mais felizes da minha história. Foi uma relação de paixão, de entrega, de vibração, de resultado. Se eu tivesse que escrever um roteiro, eu não conseguiria fazer algo tão perfeito quanto foi aquilo que a gente viveu lá – relata.

O ex-atacante relembra o contexto de acesso à elite do futebol gaúcho e a mobilização da torcida no Estádio Presidente Vargas.

– Eu lembro até hoje daquele jogo do acesso, contra o São Paulo de Rio Grande. Tinha gente até atrás do gol, uma coisa que eu nunca mais vi. Quando acabou o jogo, invadiram o campo, arrancaram minha chuteira, minha camiseta, tudo. Eu só não fiquei de cueca porque consegui segurar o calção. Isso fica eternizado, é uma coisa que não sai da cabeça – conta.

Outro momento marcante citado por Badico é a vitória sobre o Grêmio, em Santa Maria, em um contexto de forte mobilização emocional.

– Eu lembro que antes do jogo eu passei a mão no rosto, como se fosse uma pintura de guerra. Eu pensei: “hoje é guerra, daqui vocês não saem vivos”. Era um time muito forte do outro lado, com Tinga, um elenco de altíssimo nível. E a gente ganhou de 1 a 0, com um gol meu. Aquilo ali marcou muito – afirma.

Badico (da esquerda para a direita, o segundo agachado) foi artilheiro do Gauchão de 1998 pelo Inter-SMFoto: Arquivo Pessoal


Na casamata

Após encerrar a carreira como jogador, em 2001, Badico permaneceu no futebol. Atuou como gerente e também como treinador, incluindo duas passagens pelo Inter-SM, entre 2013 e 2014.

O período, segundo ele, foi marcado por limitações financeiras, mas também por mobilização interna para manter o clube competitivo.

– A gente sabia das dificuldades. Não tinha dinheiro, não tinha estrutura, mas tinha vontade. Conseguimos montar um grupo competitivo, revelar jogadores, fazer campanhas importantes. Fica a dor de não ter conseguido o acesso, porque seria fechar um ciclo perfeito para mim, como jogador e como treinador. Mas foi um aprendizado enorme – avalia.

Ele também destaca o envolvimento da comunidade e de dirigentes locais como fator decisivo naquele período.

– Teve um momento em que a cidade comprou a ideia, comprou ingresso antecipado, lotou o estádio. Aquilo ali mostra o tamanho do Inter-SM. É um clube que, quando encaixa, tem uma força muito grande – diz.


A família e a política

Nos últimos anos, Badico optou por se afastar do futebol profissional. A decisão, segundo ele, passa por questões familiares e pela necessidade de estabilidade após décadas de rotina intensa no esporte.

Casado com Stella Maris, Badico é pai de Vinicius e Bibiana e avô dos meninos Teodoro, 3 anos, e Caio, que nasceu há poucas semanas.

– Eu estava muito na estrada, era viagem toda semana, pressão, resultado. Chega um momento que tu precisa olhar para a família, para os filhos, para os netos. Hoje eu tenho dois netos, um deles nasceu há poucos dias. Isso muda a tua prioridade – explica.

​Atualmente, Badico trabalha como assessor parlamentar em Pelotas. Ele relata que a entrada na política ocorreu de forma natural, a partir de relações construídas ainda no futebol.

– Eu já tinha trabalhado como assessor, tinha relação com pessoas do meio. Recebi o convite e aceitei. Hoje estou mais estabilizado, consigo organizar melhor minha rotina – afirma.

Depois do futebol, Badico (dir) passou a se dedicar ainda mais à família, como o filho Vinicius (esq) e o neto Teodoro Foto: Arquivo Pessoal


O futebol amador

Se a rotina fora do futebol profissional mudou, dentro de campo o comportamento segue o mesmo. Badico continua atuando em campeonatos amadores, especialmente nas categorias master em Pelotas e Bagé.

– Eu não sei perder até hoje. Isso é uma coisa que não mudou. Eu entro em campo para ganhar, independente da idade, da competição – diz.

O desempenho recente comprova a afirmação. Na última temporada, marcou 29 gols em uma competição da categoria 50+.

– Com 57 anos, fazer 29 gols não é fácil. Tu joga contra caras de 49, 50, 52 anos, todo mundo competitivo. Isso me motiva a seguir treinando, a me cuidar. Ontem mesmo, como cancelaram a rodada, eu fui lá e fiz 22 quilômetros de bicicleta para não perder o ritmo – relata.


Reconhecimento

Mesmo distante de Santa Maria, Badico mantém relação próxima com torcedores e ex-companheiros. Ele afirma que o reconhecimento recebido ao longo dos anos é uma das principais recompensas da carreira.

–O futebol é fantástico por isso. Ele cria memória. Hoje mesmo eu recebi mensagem de gente lembrando de jogos de 20, 30 anos atrás. Isso faz bem, isso é gratidão. Não tem dinheiro que pague – afirma.

Ao falar sobre o Inter-SM, o tom é de identificação permanente.

– A minha história no Inter-SM foi muito intensa. Eu não joguei tanto tempo, mas o que eu vivi ali foi muito forte. Foi acesso, foi gol importante, foi torcida junto. Isso fica para sempre – conclui.


Confira a participação no Papo D Esporte

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