Reflexo no bolso

Custo de vida em Santa Maria aponta que tomate passou de vilão a mocinho

Mariana Fontana

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Ao contrário do que aconteceu no país, em que a inflação desacelerou no mês de março, em Santa Maria, os números não são tão positivos para o consumidor. O Índice do Custo de Vida em Santa Maria (ICVSM), medido pelo Laboratório de Práticas Econômicas (Lape) do Cento Universitário Franciscano (Unifra), teve variação de 0,90%, superando o mês de fevereiro (0,50%).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou março com alta de 0,43%, ante variação de 0,90% em fevereiro. Porém, o tomate, até então um dos vilões da inflação local, teve uma queda significa de preço em Santa Maria. Em março, o valor caiu -14,3% em relação ao mês anterior.

– O tomate tem uma trajetória de alta, no entanto, em março, ele apresentou essa queda. Isso porque o Estado voltou a fornecer o produto. Antes, o tomate tinha que vir de fora, por isso, acabava encarecendo o valor final. É a influência da oferta e da demanda: com o excesso de oferta, o preço acaba caindo – justifica o economista e coordenador do ICVSM, Mateus Frozza.

Apesar da queda do tomate, em outros produtos, a variação atingiu números significativos. Alimentos como o mamão e a cenoura registraram altas de 37,1% e 27,7%, respectivamente.

Conforme Frozza, a influência é a mesma: no Rio Grande do Sul, não estamos em época de produção desses alimentos, o que faz com que eles precisem ser trazidos de outros estados. Consequentemente, o valor final repassado ao consumidor acaba encarecendo.

O grupo com maior variação foi o da Comunicação (+3,89), que já vinha apresentando alta desde o início do ano. O aumento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na televisão a cabo (18,1%) e no telefone explicam a alta no grupo.

Projeção de alta

Outro grupo que registrou uma variação expressiva, foi o da Saúde e Cuidados Pessoais (+2,65%). Conforme o boletim, o preço dos calmantes e de remédios antidepressivos, analgésicos, antitérmicos e broncodilatadores e os artigos de maquiagem foram os vilões da categoria.

No boletim de março, o reajuste nos medicamentos, de 12,5%, autorizado pelo governo no início de abril, não foi contabilizado. Conforme Frozza, a alta nos remédios somada ao possível aumento na tarifa de ônibus vai impactar no índice local.

– É bem provável que, para o próximo mês, tenhamos outro pico na inflação, onde poderemos chegar próximo a 1% – projeta o economista.

No acumulado do ano, o ICVSM chegou a 3,55% e a  9,75% nos últimos 12 meses.





Ao contrário do cenário local, inflação desacelera no país

A inflação nacional medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou março com alta de 0,43%, ante variação de 0,90% em fevereiro. O índice é o menor para o terceiro mês do ano desde 2012.

Apesar de os índices nacional e local apontarem caminhos diferentes, já que acelerou no recorte local, há medições em comum. Por exemplo, o tomate, que foi um dos vilões da inflação no ano passado, diminui de preço aqui e no restante do Brasil. O reajuste nas bebidas também pesou aqui e no país.

Os dados do IPCA são utilizados pelo Banco Central para balizar o plano de metas estabelecido pelo governo para a inflação oficial do país. Com o resultado de março, a taxa acumulada em 12 meses ficou em 9,39%. O índice ainda está muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%. No ano, o IPCA acumula alta de 2,62%.

Apesar do freio no ritmo de aumento da inflação no terceiro mês do ano, os alimentos ficaram ainda mais caros. O grupo Alimentação e Bebidas acelerou de 1,06% em fevereiro para 1,24% em março. Com peso de 25,52% sobre o orçamento das famílias, o grupo teve o maior impacto positivo sobre a taxa de 0,43% do IPCA do mês, o equivalente a 0,32 ponto porcentua"

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