O ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto (PT), esteve nesta terça-feira em Santa Maria para participar da entrega das chaves de 362 unidades do Minha Casa, Minha Vida.
Em entrevista ao "Diário" comentou o delicado momento político atual, e não poupou críticas ao vice-presidente Michel Temer, a quem chamou de "impostor".
Afirmou que se confirmar o "golpe" contra Dilma, o novo governo de Temer deve reduzir investimentos em programas sociais.
Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista.
Diário de Santa Maria – Qual a avaliação do cenário político atual?
Miguel Rossetto – Tenho total confiança que a sociedade brasileira, o Senado e o STF irão barrar este "golpe". E é, sim, um golpe político, institucional, o que é inaceitável e que procura afastar uma presidente eleita por 54 milhões de votos e sem nenhum crime de responsabilidade. O Senado não irá encontrar nenhum crime, até porque não existe. Tenho certeza que não irá inventar nem produzir um crime. Acredito na democracia e na normalidade política que interessa ao país (...). O Brasil hoje é um país isolado da comunidade internacional e há uma denúncia crescente contra esse movimento (de impeachment). Vamos restabelecer a normalidade para a retomada de crescimento e de desenvolvimento do país. A plataforma anunciada por este impostor chamado Michel Temer é evidentemente um retrocesso ao país, com medidas antipopulares e antinacionais. A sinalização de cortes de programais sociais, como o Minha Casa, Minha Vida, Fies, ProUni, e de acabar com a política de valorização do salário mínimo e com as garantias do piso previdenciário é um crime contra 48 milhões de brasileiros que têm como renda o salário mínimo. O país, anunciado pelo impostor Michel Temer, é um país do passado e que foi derrotado pelo povo brasileiro nas eleições de 2014. E é por isso que eles querem dar um golpe. Estas propostas jamais num ambiente democrático serão derrotadas pelo povo brasileiro. Há uma consciência democrática do povo. E iremos interromper esse "golpe".
Diário – Como o PT se articula para impedir que o impeachment passe no Senado?
Rossetto – Vamos ampliar o debate com a sociedade brasileira e ampliar a organização da sociedade e, assim, construir opinião e consciência democrática com informações, com debates e envolvendo a juventude, a intelectualidade, os trabalhadores (do campo e da cidade) e ocupando as ruas e as redes sociais. Enfim, vamos denunciar e reagir a esse golpe. E em paralelo a isso vamos fazer um grande movimento no Senado para evitar esta formação de maioria de 2/3 necessários para a formalização desse golpe.
Diário – O ex-presidente Lula se estivesse, de fato, no governo, poderia estar fazendo alguma diferença?
Rossetto – Penso que sim. O presidente Lula com a sua liderança e com a sua experiência é evidente que traria valor e agregaria ao governo da presidente Dilma. Infelizmente o ministro Gilmar Mendes (do STF) bloqueia e comete uma ilegalidade ao impedir que a legalidade se constitua. É competência exclusiva da presidente nomear o seu governo e ele traria qualidade e apoio.
Diário – O senhor cogita deixar o PT?
Rossetto – Em hipótese alguma. O PT, hoje, nos entusiasma. Até pela crescente onda de apoio da juventude, o que proporciona um rejuvenescimento. O partido está se redescobrindo, se renovando e reafirmando sua história.
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