Série Caso Rodin 10 anos

Ex-reitor  diz que operação que sacudiu a UFSM foi uma fraude

José Mauro Batista

  

 Começaram a ser escutados, desde o início da tarde de ontem, os dois primeiros réus da Operação Rodin, o ex-reitor da UFSM, Paulo Jorge Sarkis, e o empresário Ferdinando Fernandes, supostamente envolvidos no esquema de desvio de dinheiro público, no período de 2003 a 2007, quando cerca de R$ 44 milhões teriam sido desviados do Detran por meio de contratos do órgão de trânsito com fundações ligadas à federal. Na foto,  o ex-reitor da UFSM, Paulo Jorge Sarkis
Ex-reitor da UFSM, Paulo Sarkis aguarda julgamento de recurso contra condenação no Tribunal Regional Federal da 4ª RegiãoFoto: Ronald Mendes / Agencia RBS

Nos 10 anos da Operação Rodin, completados  nesta segunda-feira, o Diário está publicando uma série de reportagens sobre a suposta fraude envolvendo convênio para aplicação de provas de carteira de motorista no Rio Grande do Sul. Deflagrada pela Polícia Federal em 6 de novembro de  2007 em Santa Maria, Canoas e Porto Alegre, a Rodin sacudiu o governo do Estado, o meio político gaúcho, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e suas duas fundações de apoio, a Fatec e a Fundae. Atualmente 22 pessoas condenadas aguardam julgamento de recursos no Tribunal Regional Federal. Elas são acusadas de participar de um esquema de desvio de recursos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) por meio de prestação de serviços pelas fundações de apoio da UFSM e empresas, todas contratadas sem licitação. A entrevista com o ex-reitor Paulo Sarkis foi publicada na edição impressa de sábado/domingo do Diário.

Ex-reitor da UFSM, o professor Paulo Jorge Sarkis, 73 anos, também é um dos condenados no processo criminal da Rodin. Ele estava em pleno mandato na Reitoria quando começou o envolvimento indireto da instituição com o Detran, por meio das fundações de apoio.

Com bens bloqueados em uma ação civil, Sarkis vive da aposentadoria e presta consultoria na área de engenharia civil, a maioria delas para o filho, que tem empresa de engenharia, e para ex-alunos. O professor também já publicou sua versão no livro A Outra Face da Operação Rodin e pretende lançar novo fascículo sobre o assunto.

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– Essa Operação Rodin iniciou como uma grande farsa para envolver meu nome. Para esconder isso, essa farsa, há condenações sem nenhuma comprovação dos fatos. No recurso ao TRF4, demonstramos claramente as falhas – desabafa o ex-reitor.

Ele pondera que até agora foi julgado por quatro juízes (o de Santa Maria e os três desembargadores do TRF4) e “nenhum concorda com o outro”. Por isso, ele diz que vai lutar até as últimas instâncias da Justiça para provar sua inocência.

Em nota, Sarkis dá a sua versão sobre o caso

1 – A única sentença que o processo suporta é a da minha absolvição total, e vou procurá-la em todas as instâncias. A única coisa em que todos os julgadores concordam é que não recebi nenhum valor. O próprio MPF pediu minha absolvição da ilação inicial de corrupção passiva – insiste Sarkis, que defende “amplo debate público” sobre a Rodin.1 - Sustento que as acusações feitas contra a minha pessoa nesse processo são uma grande farsa e que a sociedade está sendo enganada e prejudicada pela manipulação da opinião pública. Insisto na necessidade de se fazer amplo debate público, não restrito ao meio jurídico, para se restabelecer a verdade.

2 - Sobre o tema prestei depoimento em juízo e fiz fortes acusações contra os envolvidos na farsa e desmontei documentadamente todas as ilações alinhavadas pelo MPF. Alguns dias depois, todos os procuradores locais do MPF pediram transferência simultaneamente e foram atendidos.

3 - Todo o teor do meu depoimento em juízo foi reproduzido no Livro "A Outra Face da Operação Rodin" e em várias palestras públicas. Também fiz denúncia formal ao MPF e ao MEC, que nunca foram investigadas com a seriedade devida. Transcorridos todos os prazos legais para manifestação de inconformidade dos atingidos pelas minhas denúncias não recebi nenhuma notificação ou contestação, o que consolida a seriedade e veracidade dos fatos relatados.

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4 - Até agora, fui julgado por 4 Juízes. Um na primeira instância e três no tribunal regional. Nenhum concorda com o outro. As penas variaram de 10 anos (na primeira instância) a multa (do vogal do TRF). A única sentença que o processo suporta é da minha absolvição total e vou procurá-la em todas as instâncias. A única coisa em que todos os julgadores concordam é que não recebi nenhum valor. O próprio MPF pediu minha absolvição da ilação inicial de corrupção passiva. O peculato de que os procuradores me acusam, sem provas, seria em favor de terceiros.

5 - A indisponibilidade de bens, que você perguntou, visam apenas causar embaraço econômico e não a ressarcir desvios. A quase totalidade dos bens em indisponibilidade foram adquiridos antes da década de 90. Muito antes de ocupar qualquer cargo de direção superior.

5 - Em breve, no mês de dezembro, editarei um fascículo anexo ao livro já publicado analisando as sentenças recebidas. A imprensa será convidada para o lançamento e espero contar com a sua presença.



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