Foto: Vinicius Becker
A Associação dos Municípios da Região Central do Estado (AMCentro) acompanha a situação crítica enfrentada por prefeituras da região diante da falta e do aumento no preço do diesel.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Até o momento, Formigueiro, Tupanciretã e Júlio de Castilhos já decretaram emergência pelo mesmo motivo. O tema foi detalhado pelo vice-presidente da entidade, Bernardo Quatrin Dalla Corte, que também é prefeito de Júlio de Castilhos.
Segundo ele, o município decretou situação de emergência no dia 18 de março devido à dificuldade de acesso ao combustível e à alta nos preços. A medida busca garantir a continuidade de serviços essenciais.
– Um dos motivos é o município ser prestador de serviço para a comunidade. E nós também estamos nos aproximando de uma colheita, que só será realizada se tiver combustível, se tiver diesel nos tanques – afirmou.
Impactos no setor primário e nos serviços públicos
De acordo com o prefeito, cerca de 80% da arrecadação de Júlio de Castilhos está ligada ao setor primário, o que aumenta a preocupação com a situação.
Além disso, o diesel é fundamental para a manutenção de serviços públicos, como conservação de estradas e transporte de pacientes.
O cenário se agrava diante da grande extensão de estradas em municípios da região. Em Júlio de Castilhos, são cerca de 2 mil quilômetros, com consumo mensal entre 50 mil e 65 mil litros de diesel para a manutenção.
Diferença de preços preocupa gestores
Outro ponto levantado é a diferença entre o valor licitado anteriormente e os preços atuais do diesel. Segundo Dalla Corte, essa variação chegou a cerca de 40%.
– Essa diferença nos assustou muito. Os municípios já passam por dificuldades financeiras, e ainda há a preocupação de como o Tribunal de Contas vai enxergar esse reajuste – explicou.
Ele também afirmou que os valores praticados nos postos estão acima do indicado.
– Não se encontra diesel a R$ 6,15. Está tudo acima de R$ 7 – disse.
Decreto permite compras emergenciais
Com o decreto de emergência, a prefeitura de Júlio de Castilhos conseguiu viabilizar a compra de combustível por meio de tomada de preços. A última aquisição foi feita por R$ 7,18 o litro, destinada principalmente à manutenção de serviços essenciais.
– O decreto permite fazer três tomadas de preço e comprar pelo menor valor para manter as ambulâncias rodando e o transporte escolar ainda na atividade – afirmou.
Serviços foram reduzidos
Para enfrentar a crise, diversos serviços foram suspensos temporariamente. Entre eles estão:
- Manutenção de estradas
- Ações da Secretaria da Agricultura
- Abertura de poços e bebedouros
Segundo o prefeito, apenas situações emergenciais seguem sendo atendidas.
– Vamos atuar apenas em casos urgentes, como problemas em estradas que impeçam o escoamento da produção – explicou.
Preocupação com produtores
Dalla Corte também destacou o impacto da situação sobre os produtores rurais, especialmente em um ano com estiagens localizadas e variação na produtividade.
– Com todas as dificuldades e ainda com um diesel caro e, às vezes, em falta, não tem produtor que aguente a atividade – afirmou.
Ele concluiu dizendo que a expectativa é de normalização do cenário, especialmente após a queda no preço do petróleo no mercado internacional. Na segunda (23), após Donald Trump anunciar um cessar-fogo de cinco dias, o barril do petróleo despencou 11% no mercado internacional, de 107 para 96 dólares. Porém, os ataques continuam sendo feitos no Oriente Médio, e nesta terça pela manhã, o petróleo estava em alta de 3%, cotado a 99 dólares.