Foto: Vinicius Becker (Diário)
Prestes a completar 80 dias, a greve dos técnicos-administrativos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) segue sem previsão de encerramento. Segundo a Associação dos Servidores da UFSM (Assufsm), o movimento continua por conta do descumprimento de pontos acordados com o governo federal após a paralisação de 2024.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Durante entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN, nesta terça-feira (12), o coordenador-geral da Assufsm, Guilherme Elwanger, afirmou que a categoria ainda aguarda o início efetivo das negociações com o governo federal.
— A gente está desde o início do movimento reivindicando o cumprimento integral do acordo de greve feito em 2024. Essa greve ainda é um desdobramento da greve do ano passado — afirmou.
Segundo ele, a primeira mesa de negociação entre representantes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) e o Ministério da Educação (MEC) está marcada para esta quarta-feira (13), em Brasília.
— O governo federal só agora, depois de quase 80 dias, vai receber a gente para fazer a primeira mesa de negociação — disse.
Mobilização estadual ocorrerá na UFSM
Conforme Elwanger, a reunião em Brasília será acompanhada de mobilizações em universidades federais de todo o país. Em Santa Maria, sindicatos de outras instituições também devem participar de um ato na UFSM.
— Vamos fazer um ato estadual aqui em Santa Maria, com participação de representantes de Pelotas, Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UFRGS), para chamar atenção para esse dia de negociação — explicou.
Apesar da expectativa pela abertura das conversas, o coordenador da Assufsm considera improvável que a greve seja encerrada já na primeira reunião.
— É pouco provável. Dificilmente a gente resolve uma greve tão longa e com vários pontos de pauta em uma única mesa de negociação — afirmou.
Categoria cobra cumprimento de acordos
Segundo Elwanger, embora os reajustes salariais tenham sido um dos pontos mais lembrados após a greve de 2024, outras reivindicações seguem pendentes.
Entre elas, o dirigente citou questões envolvendo aposentados, reconhecimento de saberes e competências, racionalização de cargos e discussão sobre a jornada de 30 horas para técnicos-administrativos.
— Boa parte dos pontos pendentes prejudica principalmente os aposentados, que acabaram sendo excluídos de algumas medidas previstas no acordo — afirmou.
O coordenador também criticou a ausência do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) nas negociações iniciais, já que parte das pautas depende da pasta responsável pela área orçamentária.
Sindicato reconhece impactos da greve
Durante a entrevista, Elwanger reconheceu os impactos provocados pela paralisação em setores administrativos e acadêmicos da universidade, incluindo atraso em processos e serviços internos.
— A greve precisa ter algum impacto para conseguir pressionar o governo federal a abrir negociação com a categoria — afirmou.
Segundo ele, setores considerados não essenciais permanecem totalmente paralisados, como algumas secretarias acadêmicas e bibliotecas.
Já áreas classificadas como essenciais, principalmente ligadas à saúde, seguem funcionando parcialmente por meio de escalas mínimas de atendimento.
— A gente sempre tem esse cuidado de manter o percentual mínimo nos serviços essenciais, principalmente no Hospital Universitário e no Hospital Veterinário — explicou.
“A gente gostaria de estar trabalhando”, diz coordenador
Ao comentar as reclamações de estudantes e servidores afetados pela paralisação, Elwanger afirmou que a greve é considerada pela categoria uma última alternativa para pressionar o governo federal.
— A gente não gostaria de fazer greve. Gostaria de estar trabalhando e prestando serviço. Mas essa é a forma que a gente tem para reivindicar e forçar o governo a negociar — disse.
Segundo o coordenador da Assufsm, enquanto não houver avanço nas negociações nacionais, a tendência é de manutenção do movimento paredista nas universidades federais.