Foto: Assufsm (Divulgação)
Tenda do movimento grevista está instalada no campus da UFSM desde o início da paralisação dos técnicos-administrativos, que se aproxima de completar 80 dias nesta semana.
A greve dos técnicos-administrativos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) completa 80 dias nesta quarta (13) e segue trazendo impactos em diferentes setores da instituição. A paralisação, que começou no dia 23 de fevereiro, afeta desde atendimentos administrativos e tramitação de processos até atividades acadêmicas específicas, como aulas práticas do curso de Odontologia.
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Durante entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN, nesta terça-feira (12), o vice-reitor da UFSM, Tiago Marchesan, afirmou que os impactos variam conforme a adesão dos servidores em cada setor da universidade.
— Nós temos, sim, impactos em alguns setores mais que outros setores. Depende muito da adesão à greve dentro dos diferentes setores da UFSM — afirmou.
Segundo Marchesan, um dos principais problemas ocorre em secretarias de pós-graduação, onde parte dos processos está parada devido à paralisação de servidores responsáveis pelos atendimentos.
— Nós temos algumas secretarias de pós-graduação com maior impacto da greve. Isso acaba gerando uma sobrecarga de quem não está em greve ou a paralisação total do setor, o que impede realmente de dar sequência às atividades — acrescentou.
Curso de Odontologia está entre os mais afetados
Conforme o vice-reitor, o curso de Odontologia é hoje um dos mais impactados pela paralisação. O problema, segundo ele, não está diretamente nas aulas teóricas, mas na esterilização de materiais utilizados nas atividades práticas.
— Esse é talvez o curso mais impactado da UFSM hoje. Não pelas aulas em si, mas pela esterilização dos materiais, que precisa ser feita pelas equipes técnicas para que se possa realizar as aulas práticas — explicou.
A situação já teria ocorrido durante a greve de 2024, segundo Marquesan, e vem sendo acompanhada pela coordenação do curso e pela reitoria.
Processos administrativos e e-mails sem resposta
Durante a entrevista, também foram citados casos de estudantes e professores que aguardam retorno sobre processos acadêmicos protocolados ainda em março e que seguem sem andamento.
O vice-reitor reconheceu os impactos da greve na comunidade acadêmica e afirmou que a universidade tem buscado alternativas para reduzir os prejuízos.
— Como toda greve, ela possui impactos. Isso é fato. O que orientamos é que as pessoas procurem também as direções das unidades de ensino para verificar o que pode estar acontecendo em cada caso — destacou.
Conforme ele, em algumas situações, setores inteiros estão paralisados, o que impede respostas e movimentações processuais.
— Se nós tivermos um setor inteiro parado devido à greve, este e-mail não será respondido até que possamos ter o retorno desse movimento — afirmou.
Licitações e contratos também sofrem impacto
Além das áreas acadêmicas, setores administrativos considerados estratégicos também enfrentam dificuldades. Marchesan citou o Departamento de Materiais e Patrimônio (DMapa), responsável pelas licitações e renovações de contratos da universidade.
— Nós temos um setor hoje com pouquíssimas pessoas trabalhando, que é o DMapa. Por ali, passam todos os contratos da universidade, como portarias e limpeza, e esses contratos precisam ser renovados — relatou.
Conforme o vice-reitor, a universidade tenta priorizar ações consideradas mais urgentes, mas admite que nem todas as demandas têm conseguido ser atendidas.
Reitoria cobra avanço das negociações
Tiago Marchesan afirmou que a reitoria tem pressionado o governo federal para acelerar as negociações com a categoria. Conforme ele, o tema foi levado pessoalmente ao Ministério da Educação durante agenda em Brasília, no fim de abril.
— Nós relatamos ao ministro da Educação a nossa preocupação quanto ao tempo que estamos sem conseguir avançar nas negociações para o retorno das atividades normais na UFSM — afirmou.
De acordo com o vice-reitor, o Ministério da Educação e o Ministério da Gestão e da Inovação acreditam em um avanço das negociações, mas ainda não há previsão oficial para o encerramento da greve.
— O movimento afeta, sim, as atividades da Universidade Federal de Santa Maria e toda a comunidade acadêmica e regional sente esses impactos — concluiu.