Foto: Rian Lacerda (Diário)
O retorno das aulas em Santa Maria foi marcado por desentendimentos e uma longa fila na Central de Matrículas, localizada na Rua Serafim Valandro, na região central da cidade. Mais de 300 pessoas se concentraram no local desde a madrugada desta segunda-feira (23) em busca de uma das 140 fichas disponibilizadas para atendimento.
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O objetivo: uma vaga em uma das escolas das redes municipal e estadual de Santa Maria. A fila chegou a ocupar praticamente três quarteirões. Partindo da Rua Serafim Valandro, dobrava a Rua Vale Machado e avançava até a Rua Duque de Caxias.
Segundo relatos de quem aguardava na fila, parte das famílias chegou ao local pela manhã, quando foi informada de que seriam distribuídas 70 fichas no turno matutino e outras 70 à tarde. A informação gerou expectativa, mas também frustração entre aqueles que já percebiam que não conseguiriam atendimento.
Ao longo da manhã, o número de pessoas diminuiu à medida que muitos desistiam ao constatar que não haveria fichas suficientes. Entre os que aguardavam, havia também famílias recém-chegadas a Santa Maria, vindas de outros municípios. Muitos afirmaram que não tinham conhecimento de que parte do processo de matrícula havia ocorrido de forma online ou em prazos anteriores.
Uma das pessoas que estava entre as últimas da fila, relatou indignação com a situação. Segundo ela, em tentativas anteriores encontrou o local fechado e recebeu a orientação de que o atendimento ocorreria apenas no dia 23. Ao chegar, deparou-se com a grande procura e a possibilidade de não ser atendida.
Tumulto
Após a distribuição das 140 fichas de atendimento para esta segunda-feira, dezenas de pessoas invadiram o ambiente da Central de Matrículas. A Guarda Municipal e a Brigada Militar precisou intervir. Outras 140 devem ser disponibilizadas na terça-feira (24) e durante a semana.
Secretária pede tranquilidade e garante atendimento ao longo da semana
A secretária municipal de Educação, Gisele Bauer, afirmou que as filas já eram esperadas.
— Nós prevíamos um acúmulo de pessoas porque essa é uma semana de ajustes e de atendimento para pais que não buscaram a vaga em outubro, novembro, dezembro ou janeiro. Então é comum que isto aconteça — declarou.
Segundo ela, neste momento estão sendo tratadas principalmente as demandas do ensino fundamental e que as vagas variam de acordo com cada escola.
— As vagas já foram distribuídas desde outubro. Há escolas que não têm mais vaga e a vaga que nós vamos conseguir, às vezes, é para uma escola não desejada pelos pais, mas é o que nós podemos oferecer nesse momento — explicou.
Gisele Bauer afirmou que a equipe foi reforçada e que o atendimento seguirá durante toda a semana.
— Estamos com uma equipe reforçada atendendo na Central de Matrículas. Estamos com distribuição de fichas para que não haja espera excessiva na fila e podemos tranquilizar os pais que o atendimento será durante toda essa semana. Então, não há necessidade de que seja resolvido tudo no dia de hoje — disse.
Educação infantil e fila de espera
Sobre a educação infantil, a secretária destacou que, para as idades obrigatórias, não faltará vaga.
— A educação infantil sempre utiliza do aumento de turmas e da compra de vagas para dar conta especialmente das idades obrigatórias. Por isso, afirmamos que na educação infantil também para idade obrigatória não irá faltar vaga — afirmou.
Já para crianças de 0 a 3 anos, que não estão na faixa obrigatória, há fila de espera.
— Para essas crianças, nós vamos recorrer à compra de vagas, mas não vamos conseguir zerar a fila nesse primeiro momento — declarou.
Ela também fez um alerta às famílias que já efetivaram matrícula.
— É importante que aqueles que conseguiram a vaga e confirmaram a matrícula tenham cuidado com a frequência da criança. Essa criança está sujeita a perder a sua vaga, uma vez que temos uma fila de crianças precisando de fato — ressaltou.