"Uma graça que subiu para o céu": A vida de Vilma Pozzobon, filha do Venerável João Luiz Pozzobon

Isadora Bortolotto

Foto: Arquivo pessoal / Associação João Luiz Pozzobon

Vilma deixa o legado de uma vida de cultivo as práticas religiosas e da tradição católica aprendidas com seu pai, João Pozzobon

Vilma Joanna Pozzobon morreu como viveu: em oração. Aos 84 anos, ela deu seu último suspiro na manhã de quarta-feira, 20 de maio, dentro de um quarto do Hospital Casa de Saúde, em Santa Maria. Segundo os familiares, Joanna faleceu enquanto o terço estava sendo rezado ao seu redor.

Ela havia sido internada dias antes, após uma queda em casa que resultou em fratura do úmero. A causa do óbito foi uma infecção generalizada, ocasionada por uma fratura no úmero (osso localizado próximo à região do ombro). Vilma estava na companhia do irmão, da sobrinha e de uma amiga. Seu irmão, Humberto Pozzobon, descreve aquele momento como uma partida leve e cercada de fé.

– Rezamos o terço. Quando terminou, ela deu o último suspiro. A vela se apagou bem na hora, sem vento, sem ninguém mexer. Eu acho que foi uma graça que subiu para o céu – relata.


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Filha do Venerável

João Luiz Pozzobon, pai de Vilma, é o fundador da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, movimento católico de repercussão internacional que chegou a dezenas de países. Falecido em 1985, ele está em processo de beatificação na Igreja Católica, e Vilma foi, por décadas, uma das guardiãs mais ativas de sua memória.

Ela vivia com muito carinho a história do pai. Conforme o vice-postulador da Causa de Beatificação de João Luiz Pozzobon, Padre Vitor Hugo Possetti, ela acolhia em sua própria casa os peregrinos e romeiros que chegavam de todos os cantos do mundo para conhecer Santa Maria, os lugares onde João Pozzobon havia vivido, as origens de um movimento que transformou a devoção mariana de milhões de pessoas.

– Ela sempre foi muito generosa ao receber os romeiros em casa, junto com seu pai. Depois, em sua própria casa, de forma muito atenciosa, recebia os devotos e conversava com eles – lembra.

Vilma ao lado dos irmãos em 2025. Da esquerda para direita: Humberto, Nair, Vilma e Pedrolina PozzobonFoto: Arquivo pessoal / Associação João Luiz Pozzobon

Nos últimos dias de internação, Vilma mantinha ao lado da cama o santinho do pai e rezava a novena em sua intenção. O padre Possetti a visitou mais de uma vez no hospital. Na última, administrou-lhe a unção dos enfermos.

– Ela fazia questão de dizer que estava rezando junto de Nossa Senhora e da novena do seu pai. Ela mostrava o santinho toda vez que eu a visitava – destaca.

Uma rotina construída na fé

Solteira, Vilma morou com o pai e com a irmã Eli até o falecimento de João Pozzobon. Depois, instalou-se em uma residência própria próxima ao Santuário de Schoenstatt, onde manteve por décadas uma rotina de orações, serviço comunitário e acolhimento.

Quem conviveu de perto com ela descreve uma mulher de disciplina admirável. Denise Moro, amiga próxima que a visitava regularmente para levar a Eucaristia, traça um retrato de alguém que não desperdiçava dias.

– Tinha disciplina na manutenção de uma rotina diária. Aprendeu com João Pozzobon a não deixar nada para amanhã se podia ser feito hoje – refere.

A amiga conta que Vilma ia à igreja todo sábado e faltava em raríssimas exceções. Um exemplo é o da foto, no aniversário de Denise.Foto: Arquivo Pessoal

Vilma rezava o terço diariamente. Ouvia a Rádio Medianeira, especialmente os programas sobre o pai às terças-feiras. Assistia à missa, ao noticiário, à TV Canção Nova. Segundo Denise, ela mantinha correspondência com pessoas de vários países, entre elas uma senhora chamada Alejandra, da Argentina, com quem se comunicava semanalmente e para quem enviava fotos do seu pequeno altar doméstico. Essas imagens eram compartilhadas em uma comunidade que trabalha com dependentes químicos.

Também mantinha as primeiras sextas-feiras do mês: confissão na Basílica da Medianeira ou na Catedral Metropolitana.

O irmão que estava presente

Nos últimos anos, quando dificuldades físicas limitaram sua mobilidade, foi o irmão Humberto quem permaneceu mais próximo, levando-a ao banco, ao mercado, à farmácia e ao santuário nas ocasiões especiais

– A gente passava quase a semana inteira envolvida com ela. Tudo tranquilo, tudo sob controle, sempre juntos – lembra.

Humberto era o irmão mais próximo de Vilma e a ajudava em atividades cotidianasFoto: Arquivo pessoal / Associação João Luiz Pozzobon

Humberto recorda também a infância: sete irmãos criados por um pai que anotava em uma caderneta os atos de cada filho. Cruzes para os deslizes, marcas positivas para as boas ações. No fim do mês, um pequeno prêmio em dinheiro como incentivo. Uma pedagogia doméstica que, segundo ele, moldou o caráter de todos.

– Ele dizia: "Se eu me descuidar da minha família, não adianta eu mover o mundo". Todos nós levamos isso para vida. A Vilma tinha essas lembranças com muito carinho – menciona.

Vilma, entre os sete irmãos, era a que mais guardava datas de aniversário, casamentos, eventos da família e acontecimentos ligados ao pai.

Uma vida de religiosidade

No trabalho, Vilma passou muitos anos no setor de arquivo do então Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo, hoje Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo. Na vida religiosa, assumiu o compromisso de registrar memórias de João Pozzobon e enviá-las ao padre Esteban Uriburu, que escrevia um livro sobre ele e também era zelosa com os materiais da Campanha.

Enfrentou uma doença que a deixou com a coluna curvada com serenidade. Não gostava de aparecer em fotos, mas isso nunca a impediu de participar das missas ou da programação dos peregrinos. A amiga Denise conta que ela se vestia com modéstia, combinando cores com cuidado. Pagava corretamente quem trabalhava para ela. Não fazia dívidas, lição aprendida com o pai.

– Vilma deixa o legado de uma vida aparentemente comum, mas profundamente vivida nos valores cristãos, cultivando as práticas religiosas da tradição católica aprendidas com João Pozzobon e dona Vitória, sua mãe – finaliza Denise.

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