Foto: Vinicius Becker (Diário)
Por trás de cada edição impressa, transmissão no rádio, publicação nas redes sociais, atendimento ao assinante ou campanha comercial, existem profissionais que se dedicam ao Diário de Santa Maria. Nesta sexta-feira (19), ao celebrar 24 anos de história, o veículo o propõe um olhar para dentro de si e busca responder à seguinte pergunta: de quem são as mãos que movem essa estrutura todos os dias?
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Fundado em 18 de junho de 2002, o veículo nasceu com o propósito de dar voz e identidade próprias à Região Central do Rio Grande do Sul. O que começou focado no papel expandiu-se, transformando-se em um complexo multiplataforma que une impresso, site, TV Diário (canais 26 e 526 da Net), Revista Persona, painéis de Sm Outdoor e as emissoras de Rádio CDN (93.5 FM) e Mais FM (92.7 FM).
O Diário conta com aproximadamente 150 colaboradores – divididos entre jornalistas, radialistas, técnicos, consultores comerciais, administrativos, gráficos e distribuidores. São essas vidas que garantem que o compromisso firmado há 24 anos com a comunidade continue sendo entregue pontualmente todos os dias.
Nas linhas a seguir, conhecemos trajetórias que personificam a dedicação e o cuidado de fazer a informação circular pela Região Central.
A entrega de jornal e de si
O relógio marca 2h da manhã quando Jorge Luiz Mota, 63 anos, acorda. No visor do celular, ele confere o grupo de mensagens para checar o horário em que o caminhão com os exemplares deixou Porto Alegre – onde são impressos. Há treze anos, ele faz um cálculo rápido de quatro horas de viagem para planejar sua rotina na distribuição das edições.

Seja no frio rigoroso ou no calor intenso de Santa Maria, Seu Jorge, como é conhecido, vence a cama. Seu itinerário inicia na sede da empresa, localizada na RSC-287 - a Faixa Nova de Camobi. Com a chegada dos pacotes na cidade durante a madrugada, ele se junta aos colegas para embalar o material com cuidado e rapidez. Em questão de segundos, as folhas ficam protegidas por um saco plástico, garantindo que cheguem intactas ao destino final. Apenas às 5h da manhã, depois de abastecer sua motocicleta, ele parte rumo ao circuito rotineiro de três horas. Seu trajeto corta o bairro Camobi e se estende até o Distrito de Arroio Grande, em Santa Maria.
Antes de se tornar o entregador de jornal mais antigo da empresa, Jorge viveu outra vida sobre os trilhos: foi ferroviário por 18 anos. Contudo, com a privatização da rede de trens, precisou se reinventar e atuou como motoboy até descobrir o novo ofício. Em 2003, começou a trabalhar na área e passou por diferentes empresas, como o extinto jornal “A Razão”. Em paralelo, também manteve a profissão de merendeiro por 18 anos em uma escola estadual, no Bairro Lorenzi. Desde 2013, suas madrugadas pertencem ao Diário.
Mesmo com a rotina intensa das entregas e do funcionalismo público, o entregador de jornais manteve ativa a vida de estudos: em 2011, ingressou no curso de Engenharia Florestal na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mas devido aos horários pesados não conseguiu concluir. Persistente, em 2013 se formou em Gestão de Recursos Humanos na Uniderp/Anhanguera.
Em entrevista à reportagem, ele relatou que, em alguns casos, os leitores o esperam acordados ainda cedo para receber as notícias e conversar. Perguntam como ele está e mantêm uma relação de carinho. Mais que papel um impresso, Seu Jorge entrega, a cada cliente, um pouco de si:
– O Diário representa uma empresa que me acolheu, uma segunda ou terceira casa. Eu sempre falo que esse vai ser meu último inverno, mas não adianta, quando chega o frio eu digo “vamos enfrentar só mais um” e assim vou indo por anos.
Antes da notícia, o repórter
Se a dedicação de Jorge consiste na entrega das páginas prontas, a do jornalista Mateus Ferreira, 37 anos, foca na origem de cada texto. Natural de Caçapava do Sul, seu trabalho envolve apuração, entrevistas com fontes e escrita dos fatos – uma forma de traduzir à comunidade o que acontece em Santa Maria e nos arredores.
O desejo pela profissão despertou cedo. No Ensino Médio, cursado à noite, ele já confidenciava à professora de português o sonho de seguir na área. No entanto, o caminho até a faculdade teve desvios: entre 2010 e 2012, Mateus trabalhou em linhas de produção de indústrias no norte do Estado.

No ano seguinte, retornou para Santa Maria decidido a estudar. Passou no vestibular da Universidade Franciscana (UFN) e, para custear as mensalidades, desdobrou-se trabalhando em uma distribuidora de alimentos e, posteriormente, como garçom.
Dez anos depois, em fevereiro de 2023, Mateus iniciou sua trajetória na empresa atuando na produção do programa Bom Dia, Cidade! e do quadro Bei nos Bairros, além de apresentar o Plantão CDN. Hoje, ele encara o desafio de ser o repórter responsável pela cobertura de segurança pública, uma das editorias mais densas da profissão.

– Quando entrei no jornalismo, não imaginava estar aqui, então é a realização de um sonho. Estar aqui é ter esse reconhecimento de saber, principalmente, tudo que eu passei para chegar até aqui. Acho que essa coisa de sempre ser verdadeiro, assumir os erros e trabalhar com respeito e ética me trouxeram até aqui – diz o repórter.
O impacto da informação
Esse sentimento de realização e responsabilidade também é compartilhado por quem coordena o fluxo de notícias que Mateus ajuda a apurar. O nome na certidão de nascimento veio como uma homenagem inspirada no radialista esportivo Deni Menezes, de quem seu pai era ouvinte assíduo. Contudo, o destino reservava para Deni Zolin, hoje com 49 anos, seu próprio espaço na comunicação da Região Central. Hoje, ele atua como coordenador de jornalismo da redação do Diário e apresenta todas as manhãs o programa F5.

Antes de consolidar essa trajetória, sua rotina também esteve longe das salas de redação: passou a infância em Jaguari e cresceu ajudando os pais na área rural, trabalhando como entregador de leite até os 17 anos em Santiago – onde nasceu. O hábito de assistir a telejornais em família alimentou sua curiosidade pela informação e o levou a se formar em Jornalismo na Universidade Federal Santa Maria (UFSM).
Após atuar como repórter na RBS TV, ele aceitou, em 2002, o desafio de migrar para o recém-criado Diário de Santa Maria, onde encontrou espaço para reportagens mais aprofundadas. Ao longo das décadas na empresa, coordenou as equipes de política e economia e liderou coberturas de grande impacto. Hoje, carrega na memória eventos complexos que testaram o equilíbrio do jornalismo em tempo real, como o incêndio da boate Kiss, em 2013, e as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, entendendo que o exercício da profissão encontra seu real valor quando transforma a vida de quem o acompanha:
– O Diário é o que nos permite chegar até as pessoas. O que me motiva a acordar e vir trabalhar todos os dias é saber que meu trabalho é útil. Saber que por uma divulgação de vaga de trabalho alguém pode conseguir um emprego e pode ter uma vida melhor. O que mais me motiva é ajudar as pessoas, e o jornalismo proporciona isso.
Espaço de reencontro

Se a relação da maioria dos funcionários com a empresa começou na fase adulta, a de Luize Gonçalves, 22 anos, iniciou ainda na infância. Aos 7 anos de idade, ela foi uma das ganhadoras do concurso “Desenhe o Natal”, promovido pelo próprio veículo em dezembro de 2010. Como prêmio, recebeu uma caneca estampada com o logotipo da marca e o seu desenho – um prenúncio do que o futuro reservava. Mais tarde, na adolescência, o carinho pelo papel virou hobby: ela passou a colar nas paredes do quarto as páginas do periódico, itens que até hoje compõem a decoração do cômodo.
Apesar de manter essa ligação afetiva desde pequena, foi há dois anos que Luize passou a integrar oficialmente a equipe. Hoje, ela trabalha como assistente de produção e social media, sendo a ponte invisível que une o setor comercial à redação e à programação técnica das rádios.
A vida antes da redação passou por outros caminhos: estudou para concursos militares, ingressou no Técnico em Enfermagem e, posteriormente, no Técnico em Administração na UFSM. No entanto, foi ao entrar para a equipe do Diário que ela viu sua trajetória mudar:
– O Diário representa muitas camadas para mim hoje. É a realização dessa criança que um dia eu fui, que sempre falou muito e gostou de se comunicar em geral. Trabalhar aqui representa um reencontro comigo mesma, é uma grande descoberta porque eu não sabia que tinha essa paixão pela comunicação até entrar no jornal.
Entre o jornal e a comunidade
Para que todas as informações apuradas por Mateus e Deni cheguem de forma sustentável às telas de Luize e às mãos dos assinantes atendidos por Jorge, existe uma força comercial essencial que conecta o conteúdo à comunidade. É nesse ponto que a trajetória da porto-alegrense Tatiana de Andrade Viero, 48 anos, cruza com a empresa.

Com o talento para vendas vindo de família e o apreço pela leitura desde a infância, sua história na casa começou logo na fundação, entre 2003 e 2004, nos setores de classificados e publicidade. Após ser transferida para Porto Alegre, para atuar em outro veículo, ela retornou a Santa Maria em 2012, onde trabalhou na supervisão de vendas de seguros e passou cinco anos e meio como secretária do Departamento de Controle Acadêmico (Derca) na UFSM.
O retorno definitivo aconteceu em 2020. Hoje, como consultora de vendas do impresso e digital, Tatiana atua na linha de frente do relacionamento com o público, cuidando desde o suporte via telefone até a prospecção e cobrança. Indo além das telas, ela também vai de "porta a porta" nos bairros, mantendo vivo o hábito da leitura entre os assinantes mais idosos e introduzindo as novas gerações no ambiente digital:
– A minha história com o jornal é de amor, eu tenho uma paixão pelo impresso. Acredito muito no produto. Poder chegar na residência das pessoas ou ligar e fazer aquela venda, ver que os meus colegas, tanto da redação quanto de qualquer outro setor, trabalham para isso, conectando pessoas... Quando fazemos com amor e paixão, não trabalhamos, acabamos nos divertindo.