Com aumento do piso salarial, governo federal faz afago a professores e joga para Estados e municípios o desgaste

Jaqueline Silveira

Se tem uma classe que merece ser valorizada, essa é a dos professores, pela importância fundamental na formação não somente dos alunos, mas, especialmente, do cidadão. Portanto, o aumento de 14,94% concedido ao piso do magistério, anunciado pelo novo ministro da Educação, Camilo Santana (PT), na segunda-feira (16), é muito justo. Com o novo índice, o valor passa a R$ 4,4 mil neste ano. Em 2022, o salário foi R$ 3,8 mil.

Entretanto, o reajuste não será pago pelo governo federal, responsável pelo aumento. A conta maior será arcada pelos Estados e municípios. Na terça (17), a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), presidida pelo prefeito de Restinga Sêca, Paulo Salerno (MDB), divulgou nota demonstrando preocupação com o impacto financeiro aos cofres municipais com o aumento acima da inflação. Isso porque as prefeituras já trabalham neste ano com uma queda na arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) devido à redução, em 2022, das alíquotas de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações determinada pelo governo federal no período eleitoral.  

– É um tema que gera preocupação. Nós valorizamos de forma significativa a classe dos professores na formação dos alunos no contexto dos municípios, mas precisamos considerar a conjuntura financeira e orçamentária. Estamos com incertezas e dificuldades pela redução de receitas. O repasse do ICMS desde setembro de 2022 sofreu queda em função das mudanças de alíquotas dos combustíveis, energia elétrica e telecomunicações, que seguem neste ano minoradas. Temos também o piso da enfermagem que está sendo discutido. Precisamos ter em mente essas questões quando os municípios debatem os reajustes – afirmou Salerno, que hoje estará em Brasília para reunião da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), oportunidade em que será tratado do tema.

Além do impacto financeiro, conforme o presidente da Famurs, há uma questão jurídica que pode ter desdobramento na Justiça, uma vez que o reajuste deveria ser proposto por lei com base na nova Legislação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), e não por meio de portaria, como fez o ministro Camilo Santana. Assim como já ocorreu no governo Jair Bolsonaro (PL) com o piso da enfermagem, o atual, de Lula (PT), faz afago com o chapéu dos outros e joga para os municípios e Estados o problema e o desgaste em caso de não conseguirem arcar com os R$ 4,4 mil aos professores.  

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Balneário Passo do Verde sofre com baixo nível do Rio Vacacaí Anterior

Balneário Passo do Verde sofre com baixo nível do Rio Vacacaí

Árbitros de Santa Maria embarcam para trabalhar no Efipan em Alegrete Próximo

Árbitros de Santa Maria embarcam para trabalhar no Efipan em Alegrete

Geral