Foto: Janio Seeger (Arquivo/Diário)
Desde quarta-feira, a comunidade do distrito de Santo Antão, em Santa Maria, vive mais uma edição de uma das mais antigas e significativas manifestações de fé da região. A 178ª Festa em Honra a Santo Antão começou no dia 14 e se estende até este domingo, reunindo celebrações religiosas, tradições populares e momentos de convivência comunitária que atravessam gerações.
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Neste ano, a festa tem como tema “Com Santo Antão, peregrinos da esperança”, em sintonia com o Ano Jubilar recentemente encerrado. A proposta, segundo o padre Junior Lago, responsável pela comunidade, é transformar a esperança celebrada em atitude concreta:
– Somos chamados a colocar em prática aquilo que vivemos no Jubileu, para não deixar perder a esperança de que dias melhores virão para a nossa comunidade.
Fé e história
A devoção a Santo Antão no distrito remonta a mais de 170 anos e está profundamente ligada à passagem do monge João Maria Agostini, figura histórica conhecida no Sul do país como um dos “monges barbudos”. Inicialmente recolhido em oração no morro, Agostini passou a ser procurado pelo povo em busca de orientação espiritual, bênçãos e curas, dando origem a uma devoção que se espalhou pela região.
Inspirado por Santo Antão – considerado o pai do monaquismo ocidental (tradição cristã de vida dedicada à oração, ao trabalho e à simplicidade) e celebrado no dia 17 de janeiro –, o monge direcionava a atenção não para si, mas para aquele que inspirava seu modo de vida.
– A história de Santo Antão nos recorda a essência da fé, aquilo que é primordial: o amor a Jesus Cristo. Sem isso, nada do que se tem faz sentido – reforça o padre Junior.
Mais do que um evento religioso, a Festa de Santo Antão ocupa um lugar afetivo no imaginário de muitas famílias.
– Faz parte da infância de muita gente. Participar da festa é recordar os bons momentos em família, subir o morro com pais e avós para agradecer e pedir bênçãos – destaca o sacerdote.
O próprio morro onde está construída a capela carrega forte simbolismo: localizado sobre um divisor natural de águas, o local marca o caminho dos rios Uruguai e Guaíba. Para a comunidade, essa imagem se conecta à memória da chamada “água santa”, distribuída pelo monge aos fiéis, associada à fé e à esperança de cura e renovação.
Programação
As celebrações começaram com o Tríduo Preparatório, de quarta a sexta-feira, na capela do distrito. No domingo, dia principal da festa, a programação começa pela manhã, com atendimento de confissões. Às 9h30min, ocorre a missa solene, apontada como o ponto central da edição deste ano, preparada com especial cuidado. Em seguida, será realizada a tradicional procissão, seguida do almoço comunitário, com o churrasco de Santo Antão.
À tarde, os fiéis participam da Bênção da Saúde e, posteriormente, de um momento de confraternização com reunião dançante animada pelo grupo Centro Sul. Durante todo o dia, haverá venda de doces, cucas, bolos, tenda de artigos religiosos e um espaço dedicado às crianças, com brincadeiras e pula-pula.