Foto: Vitória Sarturi (Diário)
A Companhia de Dança Ritmo de Camobi, de Santa Maria, está com as malas prontas para levar a arte gaúcha ao exterior mais uma vez. Em setembro, o grupo participará do Circuito da Confederação Internacional da Dança (CIAD) da América Latina, em Montevidéu, no Uruguai. Para custear as despesas de viagem, a companhia promove uma série de ações coletivas, que incluem a venda de rifas, risotos e doces. Empresas ou pessoas físicas que desejam incentivar o talento local e apoiar os dançarinos santa-marienses podem entrar em contato direto com a coordenação por (55) 99156-3578.
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O passaporte para o Uruguai foi carimbado após um desempenho histórico no Mundial da CIAD, em Buenos Aires, no final de 2025. No palco do Teatro del Globo, o grupo santa-mariense conquistou oito troféus de primeiro lugar e o título de Melhor Grupo de Danças Urbanas do Festival. A trajetória vitoriosa em solo argentino incluiu desde o topo do pódio na categoria Infantil até o solo 'Mayores', além do reconhecimento individual de Raian Leal como Dançarino Destaque.
O grupo também havia conquistado a classificação para o Circuito CIAD Europa 2026. No entanto, a direção optou pela etapa da América Latina, em Montevidéu, pela proximidade geográfica e os custos mais acessíveis.

Atualmente, a companhia conta com mais de 100 dançarinos e um corpo docente de 18 professores. O catálogo de ensino é amplo, oferecendo 15 modalidades que vão do Ballet e Jazz ao Circo, K-POP e Zumba, atendendo alunos dos 3 anos até a terceira idade.
Sonho internacional
Os ensaios para o desafio em solo uruguaio são marcados por risadas e um forte senso de companheirismo; um colega espera o outro para só então dar início à sequência. Na sala, os comandos técnicos dos professores e as batidas das músicas ditam o ritmo das coreografias e dos alunos: os mais novos dão passos mais lentos com um olhar curioso, enquanto os veteranos preenchem o espaço com movimentos precisos e a confiança de quem já domina o palco.

Do lado de fora, o apoio é familiar: pais observam as aulas, tomam chimarrão e aguardam os filhos, formando uma rede de incentivo fundamental para os dançarinos.
A dançarina e estudante Isadora Chaves, de 17 anos, que dança na companhia há sete, relembra o momento vivido na Argentina e traz consigo a medalha conquistada no mundial. Para ela, 2026 representa um misto de esforço e altas expectativas:
– A viagem para Buenos Aires foi uma das melhores partes, conhecer tudo. Agora estamos montando uma coreografia no nível adulto, o que vai exigir ainda mais de nós – conta a jovem, que começou na turma infantil e hoje já integra o elenco adulto.
O mesmo sentimento de entusiasmo é compartilhado pelo coreógrafo Raian Leal, de 23 anos, que iniciou sua trajetória em um projeto social de Santa Maria em 2016. Hoje, ele assina coreografias campeãs e projeta sua trajetória com orgulho:

– Olho para trás e vejo que todo o empenho e dedicação dos bailarinos e o apoio dos pais valeram a pena. Nossa meta é chegar em Montevidéu, atingir uma boa colocação e trazer esse título para nossa cidade. É pura gratidão.
A parceria com a Escola Ceduca
Um dos pilares do sucesso recente da Ritmo de Camobi é a integração com o ambiente escolar. Desde 2023, a companhia mantém uma parceria com a Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Pedacinho de Céu (CEDUCA), onde Jéssica Lóss ministra aulas de Danças Urbanas. O projeto deu tão certo que os alunos da escola conquistaram o primeiro lugar em Buenos Aires com a coreografia "Da sala de aula para os palcos".
A diretora da instituição, Adiles Cantarelli, destaca a mudança de comportamento dos estudantes:

– Percebemos as crianças mais motivadas até para irem à escola. Elas ganharam foco, disciplina e persistência. Crianças que eram tímidas agora conseguem se soltar mais em apresentações de trabalhos. A dança entrou na mente delas de uma forma que, no recreio, elas se reúnem para dançar mesmo sem música.
Uma história escrita no bairro
A trajetória da companhia se interliga com a vida de Jéssica Lóss. Ela começou a dançar aos 10 anos em projetos sociais e, aos 11, já auxiliava em aulas voluntárias. O que era um projeto escolar na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Antônio Gonçalves do Amaral tornou-se independente em 2014, quando o grupo passou a ensaiar na Associação de Moradores do Bairro Santa Lúcia. Foi ali que nasceu o nome "Ritmo de Camobi", para honrar a identidade dos 15 dançarinos que moravam no bairro.

– Meu amor pela dança vem desde a infância, quando participei da minha primeira aula em um projeto social. Isso me motivou a querer continuar e mostrar que através do movimentopodemos transformar realidades, ensinando que com a dança aprendemos sobre coletividade, autonomia e sobre muitos benefícios que ela traz para vida – afirma Jéssica.
Desde 2017, o grupo ensaia na Sport System Academia, em Camobi local – que permitiu o uso de espelhos para o aperfeiçoamento técnico. Desde então, a companhia não parou de crescer, acumulando troféus em festivais como o Santa Maria em Dança e o Dançando na Fronteira da Paz.
Confira as modalidades da Ritmo de Camobi:
- Ballet
- Jazz
- Dança do Ventre
- Dança de Salão
- K-POP
- Danças Urbanas
- Dança Contemporânea
- Zumba
- Ritmos Diversos
- Jazz Funk
- Circo
- Dança Teatro
- Aula acrobática de Tecido
- Aula acrobática de lira
- Stiletto (Heels)
Confira a lista completa das premiações no Circuito Mundial, em Buenos Aires:
- Primeiro Lugar na categoria infantil grupo coreografia “Um treinador e seu time de líderes de torcida” com a coreógrafa Jéssica Lóss e Mailon Marques;
- Primeiro Lugar na categoria Juvenil 1 conjunto com a coreografia “No movimento da máquina do tempo” com a coreógrafa Jéssica Lóss, Raian Leal e Alícia Bassan;
- Primeiro Lugar na categoria estudantil infantil da escola Ceduca com a coreografia “Da sala de aula para os palcos” com a coreógrafa Jéssica Lóss;
- Primeiro Lugar na categoria Estilo Livre K-POP Solo Juvenil 1 com coreografia “Antifragile” com a composição de Taís Goulart e Vinícius Rodrigues;
- Primeiro Lugar na categoria Juvenil 2 Conjunto com a coreografia “O Ritmo que me Liberta” com os coreógrafos Jéssica Lóss e Raian Leal;
- Primeiro Lugar na categoria Juvenil 2 Grupo com a coreografia “Por Trás das Câmeras” com os coreógrafos Jéssica Lóss e Raian Leal;
- Primeiro Lugar na categoria Juvenil 1 grupo com a coreografia “Sintonia Urbana” com a coreógrafa Jéssica Lóss e Felipe Soares.
- Primeiro Lugar na Categoria Mayores 1 solo com Raian Leal com a coreografia “Fragmentos em Flow” com o coreógrafo Raian Leal.