Documentário brasileiro, lançado em novembro de 2025, e agora disponível no YouTube, Conversas nas Zonas Azuis, Veranópolis e as Blue Zones, vale a pena ser visto. Com a direção de Gabriel Martinez e a produção de Lilian Liang, editora da revista Aptare, voltada às questões relativas à longevidade, o documentário é um dos melhores relatos até hoje produzido sobre as Zona Azuis.
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Técnicamente impecável, com imagens belíssimas e uma trilha sonora de tirar o fôlego, as Zonas Azuis são percorridas e o foco da narrativa são depoimentos de moradores – os idosos – mas também de médicos e estudiosos do fenômeno. Lilian e Gabriel estiveram em todas as Zonas Azuis: Barbagia, na Sardenha, Ikaria, na Grécia, Okinawa, no Japão, Nicoya, na Costa Rica e Loma Linda, na Califórnia, conversando, olhando, pesquisando, e principalmente ouvindo.
E as lições que aprenderam e agora divulgam para o público, são preciosíssimas. As Zonas Azuis se localizam em lugares distantes e remotos, à exceção de Loma Linda, que está no coração da Califórnia. Como se pode imaginar, por se tratarem de lugares tão distantes, tem culturas completamente diversas. O que teriam estas regiões em comum que pudesse explicar a longevidade de seus habitantes?
Cada local tem suas peculiariedades, e algumas coisas são comuns. Chama a atenção que longevidade e assistência médica praticamente não se cruzam. São outros fatores que estão implicados.
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Entre eles, a vida em comunidade, a religiosidade ou formas de expressão da espiritualidade, a vida ativa e a vida em família. Uma pergunta que é feita em um determinado momento aos idosos, fica sem resposta: qual o segredo da Longevidade? Parece não existir um segredo, ou, se ele existe, continua em segredo.
Mas simplesmente todos parecem surpresos de terem chegado até onde chegaram, vivendo a vida de cada dia e aceitando suas vicissitudes e pequenas alegrias. Seja bebendo um copo de vinho Canonau, na Barbagia; treinando karatê, em Loma Linda; tomando chá, em Ikaria; participando de um moai (grupo de idosos que se reúnem regularmente ao longo dos anos), em Okinawa; ou andando à cavalo, em Nicoya; os idosos, muitos deles centenários, vivem sua vida cotidiana e tem alguns valores inegociáveis, entre eles a família.
O propósito de vida também parece movê-los. Chamado Ikigay, no Japão, e Plan de Vida, na Costa Rica, é a força que os move para levantar a cada manhã e se dedicar às suas tarefas. Um dos diferenciais deste documentário é que ele traz muitas informações sobre Veranópolis, cidade serrana do Rio Grande do Sul, conhecida como a terra da longevidade.
O professor de geriatria da UFRGS Emílio Moriguchi, filho do saudoso Yukio Moriguchi, falecido recentemente aos 99 anos e um dos introdutores da Geriatria no Brasil, conduz um estudo em Veranópolis há 30 anos, chamado Longevidade e Qualidade de Vida, que procura conhecer melhor as razões pela qual a cidade tem um padrão diferencial de envelhecimento, onde idades muito avançadas são atingidas com qualidade de vida.
Algumas das características de Veranópolis a aproximam das outras Blue Zones: a família como valor central, a vida em comunidade, a religiosidade, e a vida ativa. “As pessoas acordam cedo e trabalham muito”.
Para nós, gaúchos, é um orgulho termos aqui tão próximo uma comunidade que pode nos apontar os caminhos para uma vida longa e feliz. Se tiveres a oportunidade, o documentário está disponível no YouTube. É provável que algum aprendizado você vai ter. Queremos envelhecer, mas com saúde e qualidade de vida. E é disso que estamos falando.