
Situações jurídicas delicadas podem surgir de forma inesperada. Uma discussão acalorada, um desentendimento no trânsito ou até mesmo uma simples abordagem policial podem gerar sérias consequências, especialmente quando envolvem o Direito Penal e colocam o cidadão na posição de investigado ou réu.
Com a evolução da sociedade, o sistema penal brasileiro também passou por mudanças relevantes, voltadas à solução mais célere e menos traumática de determinados conflitos com a Justiça. Nesse cenário, surgem instrumentos como a Transação Penal e o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), alternativas legais ao processo criminal tradicional. Mas o que significam esses institutos e quando podem ser aplicados?
Transação Penal – solução prática para infrações leves
A Transação Penal é um mecanismo previsto na Lei 9.099/95, aplicável a crimes de menor potencial ofensivo, ou seja, àqueles cuja pena máxima não ultrapassa dois anos. Casos como ameaças, lesões leves e até mesmo injúrias são exemplos típicos.
Antes do início do processo criminal, o Ministério Público pode oferecer ao autor do fato uma proposta de cumprimento de condições alternativas como o pagamento de multa, a prestação de serviços à comunidade ou outra medida legal. Aceito o acordo e cumpridas as condições, o processo sequer é instaurado, e o cidadão não tem registrado os antecedentes criminais. Trata-se de uma forma eficaz de resolver o conflito, sem prisão, condenação ou longas tramitações judiciais.
Acordo de Não Persecução Penal – alternativa moderna e eficiente
Já o Acordo de Não Persecução Penal, previsto na Lei nº 13.964/2019 (Lei Anticrime), é aplicável a crimes com penas mais severas, desde que não envolvam violência ou grave ameaça e tenham pena mínima inferior a quatro anos.
Nessa hipótese, se o investigado confessar formalmente o crime e preencher os requisitos legais, o Ministério Público poderá propor um acordo antes de apresentar a denúncia. As condições podem envolver: Reparação do dano à vítima; Prestação de serviços à comunidade; Pagamento de multa ou doações; Cumprimento de outras obrigações por tempo determinado. Se homologado pelo juiz e integralmente cumprido, o processo penal sequer é instaurado, possibilitando ao investigado retomar sua vida sem condenação.
A importância da orientação jurídica
Apesar das aparentes vantagens, a aceitação desses acordos exige cautela. É imprescindível contar com a orientação de um advogado de confiança, que analisará o caso concreto, explicará os efeitos jurídicos do acordo e evitará prejuízos futuros, como eventuais reflexos em antecedentes, reincidência, progressões de regime ou problemas em concursos públicos.
Engana-se quem pensa que apenas os culpados precisam de defesa. No Direito Penal, onde a liberdade está em jogo e cada detalhe pode alterar o desfecho do caso, a atuação técnica de um advogado é indispensável desde o primeiro momento. Defender-se é um direito constitucional, e o papel da defesa é assegurar que a Justiça seja feita com equilíbrio, legalidade e respeito às garantias individuais.
Se você ou alguém próximo enfrenta uma situação criminal, não hesite em buscar orientação especializada. Informação, preparo e estratégia são fundamentais para uma atuação segura diante do sistema de Justiça.
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