Conforme um estudo divulgado na última sexta-feira (23), o Rio Grande do Sul apresentou queda na emissão de GEEs em 2020, em comparação com o ano anterior. O movimento segue uma tendência mundial na redução de emissões, que é fruto da diminuição de atividades e de circulação de bens, assim como de pessoas em virtude das restrições da pandemia de Covid-19.
O documento produzido pelo Departamento de Economia e Estatística, vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (DEE/SPGG), conta com os dados mais recentes e abrange o período a partir de 2015. Também são indicados no estudo dados sobre pessoas afetadas por desastres naturais relacionados ao clima no Rio Grande do Sul e no país.
Dados
Conforme o estudo “Combate às mudanças climáticas: a situação do RS no cumprimento das metas do ODS 13”, as emissões de Gases de Efeito Estufa no Estado atingiram 77,6 milhões de toneladas de Dióxido de Carbono equivalente (CO2eq) em 2020. O número representa uma queda de 3,85% em relação a 2019, quando foram emitidas 80,7 milhões de toneladas de CO2eq.
Os dados são geridos pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), a partir da Assessoria do Clima, criada este ano e trata das iniciativas do Estado voltadas à mitigação das mudanças climáticas. Inclusive, as informações devem ser utilizadas pela Sema no desenvolvimento do Plano de Mitigação e Adaptação Climática do RS, que será lançado em 2023.
Enquanto o Estado segue a tendência mundial de redução nas emissões, que é cerca de 7%, o país apresenta alta. Em 2020, o Brasil chegou a registrar 2,04 bilhões de toneladas de CO2eq. No ano anterior, o número era menor: 1,86 bilhão de ton.CO2eq. Entre os fatores que contribuíram para o aumento de 10%, estão os índices de desmatamento e queimadas na Amazônia.
Emissão de gases
No ranking dos estados brasileiros, o Rio Grande do Sul está em nono lugar entre as unidades da federação com maior volume de emissão de gases de efeito estufa, sendo que a lista é liderada por Pará, Mato Grosso e Minas Gerais. O estudo indica que a meta de Estado é reduzir as emissões para os próximos anos, projetando o registro de 43,8 milhões de ton.CO2eq em 2025 e 34,8 milhões de ton.CO2eq até o ano de 2030.
No Rio Grande do Sul, os setores que mais emitem GEEs são:
Agropecuária (50,8%)
Energia (27,4%)
Mudança do uso de terra e floresta (16,6%)
No brasil
Mudança do uso da terra e floresta (48,3%)
Agropecuária (24,4%)
Energia (19,1%)
Ocorrências de desastres
As ocorrências de desastres relacionadas com o clima afetaram diretamente quase 4,2 mil pessoas no Estado, de janeiro a setembro deste ano. A taxa registrada é de 36,5 por 100 mil habitantes. Em 2021, a taxa foi de 4,8 por 100 mil habitantes, o que representou 554 pessoas afetadas, a menor desde do início da série analisada, em 2015. No Brasil, em 2021, foram 451.488 pessoas afetadas, o que corresponde a uma taxa de 211,6 por 100 mil habitantes.
Sobre as causas, os desastres relacionados à falta de chuvas são os mais frequentes no país, enquanto que o cenário no Rio Grande do Sul apresenta variação, sendo registradas ora ocorrências relacionadas ao excesso de precipitação, ora por falta de chuvas. Entre janeiro e julho deste ano, por exemplo, dos 326 registros de desastres naturais, 302 estão relacionados à estiagem, o que equivale a 92,6% do total. Ao longo do ano de 2015, a mesma causa foi responsável por somente um dos 167 registros feitos.
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