A Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) vai instaurar um inquérito policial para investigar as circunstâncias da morte de Fabio Luis da Silva, 39 anos, ocorrida dentro de uma cela da Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) na madrugada deste domingo em Santa Maria. Na esfera administrativa, será aberta uma sindicância para verificar os procedimentos adotados pelos policiais que estavam de plantão. A Polícia Civil trata o caso como suicídio, versão contestada pela família de Silva.

Segundo a Polícia Civil, passava um pouco das 4h, quando os policiais teriam percebido que Silva estava morto na cela, que fica nos fundos da DPPA. A delegacia não disponibilizou o registro da morte à imprensa, nem quis falar sobre o fato. O delegado titular da DPPA, Jun Sukekava, disse, neste domingo, que a ocorrência não seria divulgada por se tratar de suicídio. A medida é praxe em mortes deste tipo. De acordo com a família, a informação que os parentes tiveram dos policiais civis que estavam de plantão na madrugada foi que Silva teria se enforcado com um cinto. A família diz que ele não usava cinto e sim um cordão no lugar. Ainda conforme os familiares, os policiais disseram que ao levar Silva para a cela retiraram os cadarços dos tênis que ele usava, mas que quando a família foi chamada na delegacia, os calçados estavam com os cadarços atados. Outra informação extraoficial indica que ele teria usado o cordão do capuz de um casaco que usava.
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Todas essas informações serão esclarecidas nos procedimentos instaurados pela polícia. Sukekava falou que imagens das câmeras de monitoramento mostram o momento em que os policiais fizeram a revista e que eles teriam retirado todos os objetos que poderiam ser usados para a auto-lesão do preso. Sukekava não quis fornecer as imagens:
– Vamos fazer a análise do que aconteceu. Pelas informações que colhi foram adotadas todas as providências de segurança que seria a revista, a retirada dos cadarços, verificar nas roupas se tem objeto cortante. Todas as revistas são filmadas e vamos verificar.
O delegado regional Sandro Meinerz disse que, à equipe da DPPA, a família do preso falou que Silva estaria depressivo. Meinerz disse ainda que "com as imagens da câmera que fica na cela se saberá o que aconteceu." E que, conforme a equipe da delegacia, "ele não parecia alterado, por isso, não ficou algemado na cela."
– Nosso procedimento é no âmbito penal. Vamos aguardar o exame de necropsia, a perícia feita no local, ver as imagens, ouvir familiares e os policiais – disse o delegado Gabriel Zanella, da Delegacia da Homicídios.
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A prisão
Silva cumpria pena por furtos no regime aberto no Instituto Penal de Santa Maria. Ele tinha passado o sábado fora da cadeia e teria que se apresentar no final da tarde para passar à noite no instituto. Porém, foi encontrado e abordado por uma viatura da Patrulha Tático-Móvel (Patamo) do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon) da Brigada Militar por volta das 2h45min de domingo, na Rua José Aita, no Bairro Menino Jesus.
Ao identificar Silva, os policiais teriam verificado que ele constava como foragido no sistema da polícia. Ele foi levado à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) para exame de corpo delito e, depois, encaminhado à DPPA, onde permaneceria até ser levado à casa prisional.
Ainda conforme a Polícia Civil, o Serviço de Atendimento-Móvel de Urgência (Samu) foi chamado assim que Silva foi encontrado desacordado na cela, mas ele já estaria morto. O corpo dele foi encaminhado à necropsia para atestar a causa da morte. Silva será sepultado no Cemitério Ecumênico Municipal nesta segunda-feira às 11h.