Luiz Marenco: “vou fazer a política conforme faço a música, e não fazer a minha música com a política”

Pâmela Rubin Matge

Luiz Marenco: “vou fazer a política conforme faço a música, e não fazer a minha música com a política”
Luiz Marenco foi reeleito após somar 27.624 votos. Há quatro anos, ele divide a rotina entre o município de Santana da Boa Vista, onde vive com a família, e a Capital gaúcha onde exerce seu mandato de deputado. Foto: Eduardo Ramos (Diário)

Rodeado de cachorros, ele abre a porta com a cuia em uma das mãos e na outra segura o celular. O toque que reverbera do aparelho é Payada, do ídolo Jayme Caetano Braun. No outro lado do linha, dirigentes partidários ligam para confirmar a agenda da semana. Minutos depois, quem liga é o jornalista de uma emissora de rádio para mais uma entrevista. Mesmo demandado, é com simplicidade, sem pressa e dedicando atenção a cada um que o procura, que Luiz Marenco abriu as portas da casa onde vive com a família no dia 6 de outubro. Coincidência ou poesia, o encontro aconteceu em uma quinta-feira batendo água no pequeno município de Santana da Boa Vista. É lá que o deputado reeleito com 27.624, sendo o segundo mais votado pelo PDT/RS, diz ser seu reduto de inspiração, reconexão e cuidado.

Aos 57 anos, casado e pai de três filhos, Marenco tem a vida artística conhecida e uma recente trajetória política. Mas é a rotina pessoal que surpreende. À época da pandemia, ele garantiu audiência em lives em que falava sobre projetos do mandato, músicas e do Super Bagual. O super-herói foi uma criação dele e dos  filhos no intuito de levar bom humor ao período de distanciamento social.

O gaúcho de alpargata e bombacha revela que a curiosidade pela ufologia o motiva a passar madrugadas olhando para o céu. Em uma das salas de casa, estão diversos livros espíritas e uma coletânea de vinis com mais variados estilos musicais – do samba à MPB, a qual é herança da mãe. Na parede, ao lado de um quadro que estampa o próprio rosto está emoldurada uma pintura do ícone do reggae, Bob Marley. Já de uma mala ainda não desfeita ele tira a camiseta do Guns N’ Roses, usada no memorável show da banda que assistiu no dia 26 de setembro, em Porto Alegre.

–  O que o Slash faz com a guitarra é inacreditável. E falo sempre que gosto é de música boa e gosto dos cabeludos. Esse pessoal costuma cantar e tocar bem – diz Marenco, enquanto exibe os cabelos na altura dos ombros.

Mesmo sendo impossível dissociar a atmosfera de arte de tudo que rodeia Marenco, é sobre projetos políticos e ações executadas que ele se propõe a falar:

– Conhecem-me como músico, guitarreiro e compositor. Muito me aconteceu durante a campanha eleitoral, das pessoas chegarem para tirar foto comigo e perguntarem: tu és candidato? Aí, eu respondia: não, eu já sou deputado e estou indo à reeleição. Isso é uma maneira de dizerem o quanto estão afastadas da política e como é urgente conhecerem aqueles que estão nela. Tenho 35 anos de carreira artística e quero deixar também na política um rastro tão lindo como o da música.

Compromisso

Para o segundo mandato, a partir de 2023, o deputado aposta no trabalho coletivo e orgulha-se de nunca ter usufruído de nenhuma das diárias que lhe são permitidas e de devolver 75% da verba de gabinete.  Ele quer seguir o trabalho junto à área da saúde; da educação que é uma responsabilidade deixada pelo líder trabalhista Leonel Brizola; pela segurança pública com destaque para o plano de carreira da Brigada Militar; e, é claro, pela classe artística, a qual ele representa em “tudo que é produzido no Estado.” Isso vale para o nativismo, o rap, o rock, o teatro, a dança e demais manifestações culturais que reforcem a identidade gaúcha, seja ela qual for.

Atual vice-presidente do Legislativo estadual, o deputado comemora a caminahda, as 11 leis regulamentadas e os 48 projetos propostos em seu mandato:

– Uma das leis que me deixou mais feliz, regulamentada neste mês, foi a que permite a doação de alimentos excedentes ou que perderam seu valor comercial para entidades públicas ou privadas que atendam populações em situação de vulnerabilidade social. Esse é o sentido da política. Com a reeleição, parece que há uma autorização dos que  confiaram seu voto para que possamos seguir por mais quatros anos. Assim como eu, na equipe que trabalha comigo, ninguém tinha ligação com a política e aprendemos juntos. Como eu disse no primeiro dia que entrei na Assembleia: vou fazer a política conforme faço a música e não fazer a minha música com a política. Seguirei do jeito que sempre fui, buscando o equilíbrio que meu canto me deu também na Casa do Povo.

Trajetória

Nasceu em 22 de dezembro de 1964, em Porto Alegre, onde viveu até os oitos anos. Depois, foi residir no litoral com pai, mãe e seus quatro irmãosAdolescente, foi morar em Quitéria, em São Jerônimo, com seu avô. Por um período, trabalhou no campo. Esse tempo determinou muito a sua personalidadeEm 1988, com 23 anos, mudou-se para Porto Alegre para perseguir o seu sonho de cantar. Morou em várias casas e lugares até conseguir viver da músicaNeste ano, fez sua primeira apresentação em um palco profissional, na Vertente da Canção Nativa, em Piratini. Também em 1988, conheceu Jayme Caetano Braun, seu grande mestre e referênciaEm 1990, gravou seu primeiro disco ao lado de Jayme. No ano seguinte, o disco “Luiz Marenco canta Jayme Caetano Braun” leva ao prêmio Sharp, hoje conhecido como Prêmio Tim, o primeiro de muitos prêmios que se sucederamEm 1999, conheceu a esposa, Marlize, com quem se casou em 2001, passando a morar em Santana da Boa Vista. Com ela, teve dois filhos: Caetana, 17 anos, e Santiago, 13. Marenco também tem uma filha mais velha, Maria Luiza, 25, de outro relacionamentoAo longo de 35 anos de carreira, Marenco gravou 25 obras e se tornou uma das maiores vozes da música regional, tendo influenciado toda uma geraçãoEm 2018, foi eleito deputado estadual com 24.607 votos. No último pleito, foi reeleito com 27.624. Votação teve um crescimento de 11% em relação anterior, sendo o segundo deputado mais votado do PDT/RS

Na região e no Estado

Caçapava do Sul – R$ 50 mil para Assistência SocialLavras do Sul – R$ 100 mil para saúde/hospitalSão Sepé – R$ 50 mil Assistência SocialRegulamentação da Lei – que permite a doação de alimentos excedentes ou que perderam seu valor comercial para entidades públicas ou privadas que atendam populações em situação de  vulnerabilidade social ou sujeitos à insegurança alimentar e nutricional

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