Dia dos Avós

No Dia dos Avós, eles relembram as lições que passam para os netos

Thays Ceretta

Com delicadeza nas palavras e ternura no olhar, eles contam as melhores histórias e abraçam com todo o carinho. Um amor doce e puro que conforta e merece toda a admiração. Hoje, dia 26 de julho, é comemorado o Dia dos Avós. E não importa a idade que eles têm, o que vale mesmo são os ensinamentos compartilhados e repassados de geração para geração. Os laços entre os avós e os netos sempre tiveram o papel de transmitir experiências de vida, valores, educação e cultura, com todo o enriquecimento pessoal e o crescimento que isto envolve.

Marcos Adair Flores Dorneles, hoje com 72 anos, lembra do período que morou com a avó na adolescência. A casa dos pais ficava no mesmo terreno, mas, aos 16 anos, ele decidiu fazer companhia para uma pessoa que admirava muito.

– Eu fui o único neto que morou com a vó Brígida, a única que conheci também. Ela era muito bacana, tinha algumas manias, era correta demais, tinha que ser tudo com precisão, e a gente se espalhava muito. Mas ela tolerava, e a gente levava na boa. Ela ensinava muita coisa para gente. Tem uma frase que gravei para o resto da vida: "a mão que economiza é mão que não pede". Ela nos ensinava a ser econômico, a ser trabalhador, não mentir, ter respeito e ser organizado. Com certeza, é isso que passo para os meus netos – afirma.

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Marcos lembra os traços e a fisionomia da avó Brígida Flores Peres, que faleceu com 96 anos. Na época, ele tinha 27, em 1971. O cabelo branco e curto foram características marcantes. Segundo ele, antigamente não existia muito o diálogo entre netos e avós, as crianças ficavam um pouco separadas dos adultos, aspecto que hoje mudou bastante. Ele e a esposa Clenir da Siva Dorneles, 68, têm cinco netos, três meninas (Giulia, 22, Luiza, 10, e Roberta,10) e dois meninos (Caio, 12, e Lucas, 5). Juntos, fazem questão de conviver bastante com todos eles, passando os ensinamentos diariamente. Assim, os netos também se tornam filhos.

– Ser avô significa tudo, sou um herói para eles, sempre imaginei ter família, ser pai e ser avô. O nascimento de cada neto é como se a gente ganhasse na loteria, um presente de valor incalculável. A gente dá carinho, amor e limites é nosso dever também – diz.

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Durante a entrevista, a neta Luiza escutava atenta as perguntas que o avô respondia. Ele ajudou e ainda ajuda na criação da menina que não conheceu o pai, filho do casal, falecido em um acidente de carro aos 23 anos, quando Luiza ainda estava na barriga. Ela é a que mais frequenta a casa dos avós para a mãe poder estudar e trabalhar.

O avô Marcos repassa aos 5 netos os valores que aprendeu com a avó Brígida.  Na foto, com a neta Luiza, 10 anos, juntos eles brincam e se  divertem  Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

– Ele é um segundo pai para mim. Como meu pai morreu antes de eu nascer, eu tento aproveitar ao máximo com o meu avô o que meu pai gostaria de fazer comigo. Com a avó Clenir, eu aprendo a cozinhar, e com o avô eu brinco bastante, jogo carta, cinco marias, solto pandorga – conta Luiza Nascimento Dorneles, 10 anos.  

Em uma pasta, Marcos guarda, com muito carinho e orgulho, os desenhos que os netos fizeram para ele. Emocionado, nos mostrou cada um. Ao brincar com a neta, ele relembra a infância, a avó e, principalmente, volta a ser criança. Clique na imagem e veja outras fotos.

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NETA CUMPRE O PAPEL DE VÓ
Quando pequena, Cláudia Mello, 42 anos, ficava com a avó materna para a mãe trabalhar na cidade de São Borja, onde nasceu. Valores como honestidade e humildade são marcas daquela época que a avó Antônia Mello, 78, ainda faz questão de transmitir.

Antônia Mello, avô de Cláudia, morou  com a neta por cerca de 1 ano para tratar um câncer  cuidou da avó por cerca de 1 ano Foto: Divulgação / Arquivo pessoal

– A minha avó é brava, enérgica, ela não passava a mão na minha cabeça, não me mimava muito, eu tinha que andar na linha. Na adolescência, ela me ensinava os afazeres domésticos, como lavar roupa, limpar a casa e cozinhar. O caráter é algo que ela ainda comenta durante as conversas – afirma Cláudia, que também já é avó.

Em 2009, os papéis se inverteram. Ela teve que se dividir entre a criação dos filhos, na época com 10 e 2 anos de idade, e cuidar da avó que estava em Santa Maria para tratar um câncer. Por quase um ano, Claudia foi a cuidadora da avó que necessitava de atenção. Com isso, a relação das duas mudou bastante, ficou mais forte.  

– Eu adotei ela, era uma criança pequena que eu tinha, escolhia a roupa, trocava a fralda, dava banho, os remédios, convivemos bastante nessa época. Hoje ela está bem, está curada, voltou a morar em São Borja e agradece muito o carinho e cuidado que tive com ela – explica.

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Ao saber que ia ser avó aos 40 anos, Claudia não se surpreendeu, reagiu de forma natural e, hoje, ela se considera uma pessoa mais tolerante.

– Ser avó é um amor diferente. Por mais que eu seja mãe duas vezes, é diferente, aprendi a ter mais paciência, ser mais flexível. É uma coisa que não sei explicar. Foi tudo muito cedo, tudo muito rápido, mas foi natural e normal, nada acontece por acaso. Tem coisas que eu não deixava os meus filhos fazerem e agora eu deixo a minha neta. Um exemplo é quando eu vou fazer comida. Agora, a Isabela fica comigo na cozinha, e eu mostro o que estou fazendo para ela – conta.

Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

Para Cláudia, ser avó significa rever e reformular o relacionamento que existe com os próprios filhos que se tornaram pais, estando ao mesmo tempo presente, mas ficando do lado.

– Eu tento ensinar para a Isabela (neta), e que ensinei para os meus filhos (Luiza e Pedro), o que aprendi com a minha mãe e avó, brinco, dou carinho e atenção, mas não mimo muito, repreendo quando é necessário, assim como fizeram comigo – ressalta.

No dicionário, o significado de avós varia. Avós são "os pais da mãe e do pai". São também "membros da família, parte essencial do que se entende por família extensa". Podem ser de sangue, por adoção ou de coração. Com tantas definições, alguns significados são soberanos: avós são afeto, referência, amor e independência. Só assim, a relação com os netos, e com os filhos, será construtiva e saudável. 

A ORIGEM DA DATA
A tradição brasileira diz que o surgimento do Dia dos Avós tem relação com as comemorações cristãs. É que nesse comemora-se o dia de Santa Ana e de São Joaquim, pais da Virgem Maria e avós de Jesus Cristo. Com isso, a mais popular das explicações vem do catolicismo. O Papa Paulo VI, que governou a Igreja Católica de 1963 até 1978, escolheu essa data para homenagear o casal. O fato é que a intenção por trás do Dia dos Avós é educar os mais novos sobre a importância das realizações das pessoas mais antigas no decorrer da história, tradição religiosa que determinou a data em que celebramos os velhinhos mais queridos da família. 

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