PMs envolvidos em abordagem que matou jovem serão investigados mas seguem em atividade

Lenon de Paula

PMs envolvidos em abordagem que matou jovem serão investigados mas seguem em atividade
O comandante do 2º Batalhão de Polícia de Choque (2º BPChq), major Rodrigo Alves Kunzler, informou que um inquérito policial militar foi aberto para apuração das circunstâncias que resultaram na morte de Éric de Almeida Pereira, 22 anos, na noite de segunda-feira (26), no Bairro Nova Santa Marta. Éric foi morto após ser atingido por um tiro de fuzil disparado por um policial durante abordagem. Os indicativos iniciais apontam que o agente atirou em legítima defesa.

Conforme a ocorrência policial, o jovem foi baleado após supostamente ter agredido um policial com um facão, entrar na residência e ter apontado uma pistola para um dos quatro agentes que faziam a abordagem. Não há informações sobre se a vítima teria efetuado algum disparo.

Além da instauração do inquérito, as armas dos policiais envolvidos na ação foram apreendidas. A investigação tem prazo de 40 dias e, caso necessário, pode ser prorrogado por mais 20. Segundo Kunzler, um capitão que atua no Batalhão foi designado para conduzir a investigação e será o responsável pelas diligências, como requisitar perícias, ouvir os policiais, testemunhas, encaminhar armas para perícias e avaliar laudos. A partir da análise do oficial, será gerado um relatório.

Depois de concluído, o inquérito será remetido à Justiça Militar do Estado e ao Ministério Público (MP). A partir de então, será avaliado se vai ser oferecida denúncia na Justiça comum ou na Justiça Militar, ou se o caso será arquivado.

– É uma praxe da instituição, quando a gente tem intervenção policial em que há pessoas feridas ou quando ocorre morte, é um dever funcional. A competência de polícia judiciária militar, nesses casos, é originariamente de todos os comandantes da BM – afirma Kunzler.

Policiamento ostensivo

Os quatro policiais militares que atuaram na abordagem que resultou na morte de Éric não foram afastados das funções. Conforme Kunzler, não há elementos que motivem o afastamento diante dos indicativos iniciais apontarem legítima defesa. Os brigadianos continuam desempenhando as suas funções dentro das atividades de policiamento ostensivo.

– Não vemos, inicialmente, fatos que motivem o afastamento das funções deles. Há indicativos iniciais, que vão ser apurados devidamente dentro do inquérito, que apontam para uma ação dos policiais em legítima defesa, diante de uma tentativa de agressão a um policial, que inclusive restou ferido no braço com golpes de facão – diz o comandante.

O titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Gabriel Zanella, informa que um inquérito policial foi aberto para apurar as circunstâncias do fato e também trabalha com a possibilidade de que o policial que atirou agiu para se defender.

– A hipótese inicial que se trabalha, pelo histórico da ocorrência policial, é de legítima defesa. O inquérito já foi instaurado, e depois será remetido ao Poder Judiciário. São ouvidas as partes, testemunhas, são solicitadas algumas perícias, se forem necessárias – afirma.

O inquérito da Polícia Civil tem até 30 dias para ser concluído. Segundo Zanella, a Brigada Militar e a Polícia Civil podem trocar informações entre si:

– Isso ocorre com certa frequência, de a BM solicitar para nós, formalmente, cópias de algum depoimento, ou cópia até integral do que a gente já tem, e a recíproca é verdadeira.

Éric foi sepultado na tarde desta terça-feira (27), no Cemitério Ecumênico Municipal. Até a publicação desta reportagem a família de Éric estava em contato com advogados e ainda não tinha se manifestado oficialmente.

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