Foto: Consepro (Divulgação)
A possibilidade de Santa Maria receber um helicóptero da Brigada Militar voltou a gerar preocupação. Durante entrevista concedida nesta quinta-feira (9), no programa Bom Dia, Cidade, o presidente do Conselho Pró-Segurança Pública (Consepro), Luiz Fernando Pacheco, alertou para o risco de o município perder a aeronave caso não consiga viabilizar, em curto prazo, a construção de um hangar junto à Base Aérea da cidade.
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Segundo Pacheco, a demanda por um helicóptero na cidade é antiga, com mais de uma década, mas ganhou força nos últimos dois anos, a partir de articulações com o comando-geral da Brigada Militar. O Estado adquiriu três aeronaves, disputadas por diferentes municípios. Santa Maria foi escolhida após mobilização interna, que envolveu, entre outros, o comando regional da corporação.
Ele destaca que o equipamento representa um avanço significativo na segurança pública, tanto na resposta a crimes quanto na prevenção.
- Um helicóptero muda a situação de segurança. Ele consegue acompanhar ocorrências que uma viatura não consegue, como perseguições, e também atua de forma preventiva - afirmou.
Além disso, o uso da aeronave não se limitaria à segurança, podendo ser empregado em atendimentos de emergência, como resgates rápidos em acidentes e de pessoas atingidas por tragédias climáticas. Pacheco cita que, numa simulação, uma pessoa acidentada na Quarta Colônia pode ser transportada para um hospital em menos de cinco minutos, o que de ambulância, levaria muito mais tempo. O helicóptero poderá ser usado também para transporte de órgãos para transplantes. A atuação não seria só em Santa Maria, mas beneficiaria cidades de toda a região e da Fronteira Oeste.
A Brigada Militar já criou o Batalhão de Aviação de Santa Maria e destinou pilotos e técnicos para a unidade. Porém, sem o hangar, não é possível trazer o helicóptero para a cidade, diz o comando regional da Brigada.
Impasse
A única contrapartida exigida para a instalação do helicóptero é a construção de um hangar. Inicialmente, o recurso para a obra havia sido garantido por meio de um órgão federal, mas uma mudança recente em uma normativa federal impediu o uso da verba para construção civil.
- Esse dinheiro está na conta do Consepro, mas não pode mais ser usado para obra. Isso nos deixou muito preocupados - explicou Pacheco.
O terreno destinado ao hangar já foi cedido pela Força Aérea Brasileira por 25 anos, ao lado do Aeroclube, com estrutura inicial pronta, incluindo terraplanagem e colocação de pedras, com apoio de empresas locais e da prefeitura.
Agora, a corrida é contra o tempo para levantar cerca de R$ 400 mil a R$ 450 mil necessários para a construção. Pacheco afirma que há negociação avançada para garantir parte do valor, entre R$ 200 mil e R$ 250 mil, junto a um órgão federal, mas ainda faltaria um valor de cerca de R$ 200 mil.
Ele alerta que, sem o hangar pronto ou ao menos em construção quando a aeronave chegar ao Estado, Santa Maria pode perder o equipamento para outra cidade.
- Esse helicóptero não vai ficar parado esperando. Se não estivermos prontos, ele vai para outro município e depois não volta mais - disse.
Corrida contra o tempo
Enquanto isso, lideranças reforçam a necessidade de união para garantir o projeto. Para o Consepro, a perda do helicóptero por falta de cerca de R$ 200 mil seria um prejuízo significativo para a cidade. Ele disse que pediu verbas para a prefeitura, que disse não ter recursos. Pacheco afirmou que foram sugeridas emendas parlamentares, mas a liberação é burocrática e demorada. Agora, a busca é também por empresas ou entidades privadas que possam ajudar com recursos.
- A gente está falando de um equipamento que vale milhões e pode transformar a segurança pública. É um momento que exige união - concluiu Pacheco.
A definição sobre a permanência da aeronave em Santa Maria depende do avanço das articulações e da garantia de estrutura adequada antes da chegada do helicóptero ao Estado.
Prefeitura aponta alternativas
Também em entrevista ao programa, o prefeito Rodrigo Decimo afirmou que o município acompanha o processo desde o início e reconhece a importância do equipamento para a cidade. Segundo ele, a prefeitura atuou na viabilização da área junto à Base Aérea e também contribuiu com serviços de limpeza e terraplanagem do terreno. O chefe do Executivo confirmou que havia previsão de uso de um recurso que acabou inviabilizado por decisão nacional.
Diante disso, a administração municipal busca alternativas. Uma delas é a possibilidade de redirecionar emendas parlamentares já disponíveis para outras finalidades, mediante autorização dos parlamentares e dos ministérios responsáveis.
- Estamos analisando junto às secretarias a possibilidade de alterar a destinação de algumas emendas que já estão depositadas na prefeitura - explicou.
Outra opção é o uso de recursos próprios, embora o prefeito reconheça limitações financeiras.
- Não está no orçamento do município. Para isso, precisaríamos retirar do caixa livre, que é usado para custeio básico, como folha de pagamento - afirmou.
Apesar das dificuldades, Décimo demonstrou confiança na mobilização conjunta.
- É um tema importante, que eleva o patamar da segurança pública. Vamos envidar todos os esforços para viabilizar essa obra - disse.
O prefeito também afirmou que, apesar dos desafios, acredita que a cidade conseguirá garantir a aeronave.